06 janeiro 2005

«Só todo o branco é meu irmão?»

Deixo-vos hoje uma das belíssimas (pela sua capacidade de análise crítica, solidariedade e engajamento social) crónicas do jornalista Sérgio de Andrade, publicada no Jornal de Notícias de Terça-feira 04 de Janeiro de 2005:14 (opinião), com o título acima.

«Não foram os orgãos de Comunicação Social que inventaram que a emoção varia com a latitude. Isto é, que nos emocionamos mais com um desastre fatal em Espanha do que com uma tragédia na Ucrânia ou do que com uma hecatombe na China.
Mas a emoção varia também com a nacionalidade. Por isso, muitos países atingidos pela catástrofe no Sudeste asiático mandaram para lá jornalistas, cada qual preocupado, acima de tudo, com a sorte dos seus compatriotas.
Nada mais natural. Só que é por demais evidente que, após a nacionalidade, as televisões do Mundo ocidental passam á categoria seguinte do interesse noticioso. E informam-nos do que aconteceu com aqueles a quem, eufemísticamente, os ingleses chamavam "europeus" e os americanos ainda hoje chamam "caucasianos". Por outras palavras - brancos.
Estamos, nós, europeus, ocidentais, brancos, em estado de choque porque muitos dos "nossos" morreram lá longe. Ouço as televisões apontar números: uma dezena de belgas, uma centena de finlandeses, um milhar de suecos. E, pergunto-me: por uns tantos alemães, quantos milhares de indianos ou tailandeses? Por uns tantos italianos, quantas dezenas de milhar de indonésios ou cingaleses? Largos minutos dedicados à odisseia de um menino nórdico, louro e de olhos azuis. E os milhares de meninos asiáticos, morenos e de olhos escuros?
Antes de mais, os turistas, os brancos. E os "indígenas", os "nativos"?
Há, para os media ocidentais, uma quota de condolência e horror variável com a cor da pele das vítimas?
Nessa não vou! Para mim, mais de cem mil seres humanos morreram, iguais na desgraça, embora diferentes na tez. Porque, para mim, todo o homem - e não só o homem branco - é meu irmão».

Sérgio de Andrade escreve no JN, semanalmente às terças-feiras.

11 comentários:

Lana disse...

Nunca percebi a diferença entre um negro e um branco...tirando a cor...enfim.. :) **

(Sorry n comentar assim nada demais ultimamente mas n ando mt inspirada..lol :P)

Fabi disse...

Ainda nas reflexões sobre as Tsunami... estava pensando hoje de manhã, enquanto assistia ao jornal.... nos mobilizamos, extraordinariamente, para ajudar os irmãos asiáticos, mas não somos capazes de manter essa energia para acabar com a fome e a miséria em nosso próprio país. Contraditório, não? É a caridade passageira.
Beijos,

Ah! Não esquenta qt a não ter um link do Fanjo no seu blog. Relax... :)

TMara disse...

Lanita, n/ percebeste pq não há diferença nenhuma. Para mim: cor de pele não é "diferença". Diferença é querer paz ou fazer guerras, por exº. Cor de pele é isso. Já viste bem qnt TONS de pele há em nós: nos chamados "brancos"?Uma big merda estas falsas questões. Na variedade a riqueza da humanidade. Ainda mais na miscenização.Bjs e ;)

TMara disse...

Fabi - tão verdadeira e triste tua reflexão. Ao longo da vida tenho-me defrontado com ela, por via da profissão. Durante mtºs anos fui assistente social no terreno. Ninguém imagina a miséria k existe no país.São os verdeiros mundos paralelos (não estão na ficção científica), é neste mundo k estão. Bem à vista e... tão escondidos.Cada um vive numa determinada tribo elacional e ignora o resto. Bjs e ;))

PS _Não esquento não.

Anónimo disse...

infelizmente ainda ha kem faça distinção entre cores, raças, sexo, sexualidade, religião, entre outras mts coisas coisas, e não tratam o ser humano por akilo k ele é independentemente das suas caracteristicas fisicas, dos seus gostos, das suas crenças... Todos somos seres humanos e tds devemos ser tratados como tal... E, acima de tudo, devemos tratar os outros dessa forma! Esperam-se dias melhores... http://oblogdorapaz.blogs.sapo.pt

Fabi disse...

Obrigada pelo carinho!!! E haja energia pra manter dois blogs :)
Beijocas.

TMara disse...

Cacau - exacto. Esperemos, mas não numa espera passiva, melhores dias. Bjs e ;)

Anónimo disse...

Boa escolha...gosto do autor, ou melhor da sua/dele escrita. A côr da pele é diferente, e depois? De resto somos iguais. As culturas são diferentes, e depois? Não são melhores, piores, superiores ou inferiores. SÃO DIFERENTES (ponto final)
Beijos e beijos por acaso duma branca para outra branca

TMara disse...

FABI E AÒNIMA _ retibuo o v/ carinho. Bjs e ;)

Menina_marota disse...

Muito já comentei sobre estas tragédias e... acho que é hora de continuar a ajudar os vivos, enterrar os mortos, sim... mas e depois? E os outros? Os que morrem nas guerras fomentadas por aqueles que agora aparecem como anjos da guarda? E as crianças que morrem por esse mundo fora, vitimas da fome, de doenças, de mal tratos?
O Mundo comove-se com a tragédias que as Tvs exploram...(não retirando, daqui, o valor da própria tragédia)e o resto do Mundo? E o resto das tragédias? Desculpa o desabafo... mas estou um pouco farta da exploração que fazem de imagens de dor e depois... (O que aconteceu àquelas pessoas, familiares, filhos, pais, da ponte de Entre-os-Rios? Já não vende notícia?) Abraço...:-)))

TMara disse...

Menina-Marota - essa é uma das grandes questões. Daqui apouco parecemos animais condicionados e de memória muito, mas muito curta....Bjs e ;))