29 maio 2006

Nascida a 29 deMaio

E o mundo ficou mais rico, disso sei e atesto
Há 36 anos atrás nasceu minha primeira filha e o mundo ficou mais rico.
Eu fiquei. Mas não só eu.
Quando quero falar dos que muito amo
sempre me faltam as palavras,.
Nunca nasceu um poema...uma frase de rara beleza que se lhes ajuste.
Enredo-me nelas porque as palavras não chegam por demasiado banais.
O scanner hoje decidiu não trabalhar, as image
ns não passam.
Uso então as que estão em memória e na minha relembro as primeiras imagens, os primeiros olhares. em que tudo foi claro, perfeito e belo para além do que qualquer palavra existente poderia dizer.
E a vós outros, que caminhais por este mundo onde as coisas não são tão "virtuais" quanto se julga, convido para a nossa mesa como amigos que sois e que juntos, confraternizemos, comamos, brindemos, e rejubilemos nesta farta mesa onde nada falta porque abunda AMOR.
Saúde, longa e profícua vida à Ana e que a luz sempre
nela brilhe .
Tchim, tchim....








* Clica para saberes mais.

26 maio 2006

MUNDO

Solidariamente:
Por todas as crianças hoje vítimas de qualquer tipo de mau trato, inclusive a fome por indiferença dos países "ricos" e pior, pela sua avareza cobiçando as riquezas naturais de tantos desses países.
Por todos os adultos de hoje que já foram vítimas de mau-trato... ou abusos.


Um dia

uma criança chorava

um grito

nesta rua perdida.

Nesta rua imensa

sem desvios ou travessas.

Nesta rua rasgada

ao sol nascente aberta.

Nesta rua onde o olhar

se perde e não encontra

a linha do horizonte.

Da VIDA.

*

Um dia

uma criança chorava

um grito perdido

nesta rua onde tudo

começa e nada acaba.

*

Um dia

uma criança chorava.

E eu, no meio da rua,

olhava e procurava

a criança perdida,

amálgama de multidões,

de ideias, de projectos,

de sonhos e intenções

- ideais.

*

Olhava e procurava.

E a criança chorava

um grito que se ouvia

em toda a rua da vida

e todo o mundo passava

naquela rua a direito,

em que o fim nunca se via.

E toda a gente caminhava,

Caminhava...

Só eu não podia.

Aquele grito,

aquela criança perdida

que chorava....

*

onde estava?

*

porque chorava?

*

e eu, no meio da rua

(da vida)

tão perdida como ela

procurava.

*

Procurava

e não descobria

que era o teu-meu-grito

que se ouvia.

P.S - quero deixar ressalvado que entre muitas coisas boas que tive o privilégio e a sorte de ter na vida, uma foi a de ter uns pais que nunca ergueram a mão para qualquer um dos filhos, nem os maltrataram psicologicamente.
Faço esta ressalva para que nenhuma dúvida recaia sobre eles, meus amados e extremosos pais.

24 maio 2006

Luto

a blogosfera pulsante, solidária, hoje está de luto.
o Fernando, "F" de fraternidade como se solidariedade assim se escrevesse também, partiu.
Ficaram mais ricas as estrelas.
E nós, apesar da dor, também.
Fica bem, Fernando.
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E como a vida é um breve acenar, até já.

18 maio 2006

ESTA FOME


É fome! Fiquei a pensar na palavra.

***

Esta fome de correr o mundo.

Esta fome de deliciar os olhos

com os espaços,

as florestas, os desertos,

os mares, as montanhas...

.................................... .a vida.

Esta fome de correr e preencher

o vazio anulando-o

definitiva e inelutávelmente.

****

Esta fome de absorver tudo e todos.

Esta necessidade de viver

num vórtice que me leva a encantar-me

e que torna azuis como o céu

os meus olhos negros.
****

Esta fome que arrasto e acaba

arrastando-me a espaços insondáveis

da mente e da alma...

*****

esta fome insaciada

esta fome insaciável

................................sou eu.

15 maio 2006

SOU LIVRE


Sou livre

como a liberdade

que me corre nas veias.
*

Sou livre

como a boca que fala

sem mordaças.
*

Sou livre

como os corpos que voam

para lá das cadeias.

11 maio 2006

Constatação


um silêncio

um gesto

um grito.

*

Entre cada ser

a procura.

*

A amarra lançada a um cais

Inexistente.

*

Entre cada ser

dois quereres

duas vontades,

dois desejos.

*

E de novo.............. UM grito.
*

.......... «Impotente

............ a força do bem querer....»

*

Fraternidade...!?

Que palavra,

que sentido?

***

.......................«o MEU querer!

.........................o MEU querer!

******

............................. Se tu não queres

............................. te declaro meu inimigo!»


Vivo(emos) num mundo onde cada vez mais falam em fraternidade e espiritualidade e cada vez mais se constactam estas atitudes, vindas de quem mais prega.

«Bem prega Frei Tomás......»

09 maio 2006

E agora?


Hoje fui ao blog da Raquel V. e roubei-lhe o magnífico texto que colocou no 25 de Abril. Um testemunho impressionante de uma jovem cidadã interventora, consciente e solidária lutadora,

Antes do texto dela deixo-voo o meu comentário que só hoje consegui escrever. leiam o texto da Raquel, com atenção e carinho, olhem-no como porvindo de uma jovem com consciência social e não movida por isnstintos primários e meramente pessoais. Ouçam o grito de revolta em que nos diz do mau-estar, dos erros e dos abusos a que hoje estão, de novo sujeitos os trabalhadores. Os jovesn e todos os outros. E reflictamos sobre a herança que deixamos. a herança do 25 de Abril. Nós tivemos a festa, a solidariedade eufórica, a bebedeira de liberdade e de azús e vermelhos (do sangue e da vida - aqui sem conotações políticas) gritados bem alto...
E agora o que há?
o que sobrou para além da liberdade?
e, mesmo essa, estejamos atentos porque vai sendo cerceada em nome das produtividades, do desenvolvimento...
Desenvolvimento que não sentimos e que estudos nos vêm agora dizer que só em 2050 e...(?) lá chegaremos...
Antes, na minha infância e juventude nada havia de segurança social e saúde.
Os estudos eram... para alguns...
As pessoas tinham que amealhar para viver na velhice.
As roupas, mesmo nas famílias "com posses" (terminologia da época), era refeita e trifeita, passando de pais para filhos, dos irmãos maiores para os mais pequenos.
Iam costureiras a casa, aos dias, fazer esses trabalhos de "arqitectura nos trapos". Não ha mal nenhum em poupar, antes pelo contrário. O mal é quando é a única saída. E o horizonte mais curto do que a ponta do nariz.
As famílias pobres comiam,
muitas vezes, pão com cebola (tenho testemunhos que aqui, no norte era corrente). E faziam "caldo" com água quente, côdeas de pão e...vinagre Porque o vinagre enganava a fome - mais testemunhos directo de quem o viveu.

E agora, para onde deixamos caminhar o país?
E deixamos que nos arrastem?
e

os nosso sonhos, e os sonhos de nossos filhos e netos?

«Minha "crida" menina-grande-mulher. Li-te na altura e chorei. Chorei convulsivamete pq te entendi muito bem, bem demais, pq senti e sinto o mesmo e sou da geração dos k lutaram e fizeram/tornaram possível o 25 de Abril.
Data a NUNC
A ser perdida, nem admitir k a esqueçam.
Quem quiser entender veja os documentários da época, ouça e leia os testemunhos de milhares de estrangeiros k migraram para o "milagre da revolução" dos cravos.
O povo, feio cansado e bruto k parecíamos, floresceu.
Os sorrisos habitaram o nosso mundo e não só.
O mundo ficou + rico e essa riqueza tinha um nome: liberdade.
Liberdade conquistada e expressa com uma tal segurança e confiança no porvir k o grande capital mundial tremeu.
E os nosss políticos foram indo na onda.
Aos poucos...
Uns + rápido do k outros.
Vi, estive, lutei, vivi.
Vi as pessoas a serem corrompidas.
Vi as almas a enegrecerem.
E chorei.
E tive k me afastar e durante anos, qnd ouvia
A Grândola ou a Internacional, dos meus olhos saíam mares (era a dor convulsionada pelo k fora sonho e virava pesadelo. light, ilusoriamente light. MA
S pesadelo). Hoje vim aqui, já mais calma, "roubar-te o texto e a imagem e vou colocá-lo no http://estranhosdias.blogspot.com/ porque temos k olhar de frente os nossos actos, as nossas omissões os nossos silêncios e não deixar só esta pesada herança. beijos de luz e paz, e de força e luta também. TMara»

Segue o texto da Raquel:

«Hoje
Não desejo recordar o que não vivi, disso nada sei.

E o que me contam encaixa unicamente nos livros da História de Portugal, nas épocas da inquisição, nos tempos da ignorância.
Não me contem sobre o ontem,
digam-me o que vão fazer amanhã porque é disso que eu quero saber.
Expliquem-me porque sou velho aos trinta, não me digam mentiras, digam-me a verdade.

Expliquem-me porque me pagam parte do ordenado "por fora", não me digam que fui eu que aceitei, porque eu tinha uma casa para pagar.

Expliquem-me porque "vi" assinar falsos contratos, não me digam que o "não" se impunha, porque perante ameaça quase todos sucumbem.

Não digam que não denunciei....

.... porque muitos tinham filhos para alimentar, casas para pagar, vidas a começar!
Digam-me se apenas querem recordar, o que estamos a festejar. O escrever sem medo?

Pois vos digo que tenho medo!»

P.S - a imagem é a original do post da Raquel.


05 maio 2006

Corre-se. Pela vida.


Corre-se. Pela vida.

Corre-se. Sem bandarilheiros

Nem orquestra. Corre-se

contra o vento. Contra a vida.

Para a ganhar. Merecida.

******

Corre-se. Pela vida.

Corre-se. Contra tudo.

Contra a vida. Queixo erguido.

Pisada forte e segura

para a levar de vencida.

******

Pela vida, corre-se.

Sem bandarilheiros. Sem

Orquestra. Corre-se contra

a sorte. Contra o vento.

Contra tudo. Se necessário

contra a vida. Para a levar

bem vivida. Sempre.

Cabeça erguida.


Dedico este poema à minha amiga Blue Shell.

03 maio 2006

No ar fluiu, leve, um perfume amado


No ar fluiu, leve, um perfume amado

do nada surgindo e toda me envolvendo.

Uma onda de pensamento libertado

o vento, o mundo – partiu – me dizendo.
****

Parada, bem fundo o inspirei.

A fome, imobilidade disfarçada.

Animal, nos cheiros me banqueteei.

Cresceu o cio, como presente o ser amado

****

o qual só o é, no pensamento meu.

Digo: amo-te, e logo me retraio

porque a alma vibra e o corpo chama

num fogaréu que só a um queima em vão.
****

Vai. Meu corpo é repouso, não amarra.

Minha alma, luz e laço, não cadeias.

São janelas os olhos, mas sem barras.

O pensamento, é só um vento que ondeia
****

E neste ir e vir em que surgiste breve,

te encontro, mas sempre perco teu rasto.

Não se cruzam os caminhos. Teus anseios

aos meus não se acrescentam. Parte. Parte leve.

01 maio 2006

25 de Abril de 74/ 1º, 1º de Maio



e na casota da Inês, minha neta, podes ver como o testemunho do sonho da liberdade e da fraternidade universal, já brilha, através das palavras da própria.

P.S - clica na imagem para ampliares.
E já passate pelo ORGIA?
Imperdível! Digo eu que sou suspeita.