06 maio 2007

minha MÃE. MÃE Ana

MÃE, minha Mãe, não me chegam as palavras.
De nada servem....
Nem a razão...
Como falar de ti, de ti dizer?

Nunca encontro as palavras certas, porque não existem.
Como falar do teu amor incondicional por todos nós?
Um amor que nunca cobrou nada.
Incondicional, total, absoluto e puro.
Da tua dádiva de toda uma vida 24 horas por dia?
Do teu cuidar, atento e constante sem dele darmos conta?
Nunca referiste cansaços....
Já há muto que sei que os sentirias...Eras um ser humano, como todos.
Mas não como todos afinal.
Nunca de tua boca uma palavra sobre cansaços ou indiferença dos filhos - sim porque há sempre uma altura em que as nossas vidas , novas vidas, nos absorvem.
O tempo e a atenção para ti encolheram. Encurtaram.

Claro que entre nós houve palavras duras. De parte a parte.
Mas como não haver se tinhas uma filha que rompia todas as "hipócritas" convenções sociais?
Que rompia os padrões de comportamento de "bom tom" numa sociedade tão fechada como era a da cidade de Beja nos anos 50?

Mas essas palavras duraram um curto espaço de tempo, pois em ti o amor sobrepunha-se e não deixavas essas ervas daninhas, saídas de minha boca, fazerem ninho em tua alma.

Por meu lado, crescia e aprendia que a fonte das palavras que, por vezes, me feriam, derivava do medo que por mim sentias.
Do receio do que de mim pudessem dizer sendo tão diferente e tão diferentemente agindo.

Cedo perderam peso. Mas o teu amor, o orgulho de seres a minha MÃE esses são maiores do que eu e do que tudo o que seja capaz de dizer.

Se as palavras me chegassem, com elas, ao falar de ti, de ti dizer, construiria algo tão belo, intemporal e eterno como esta rosa que aqui te ofereço com todo o meu amor e respeito, Mãe que foste minha e foste uma benção em minha vida.