19 outubro 2005

Espólio

ESPÓLIO

É nos bolsos que cabe o que nós somos.
Levamos tudo logo pela manhã,
são remorsos junto de laranjas,
são recados tristíssimos, romances.

Lâminas enferrujadas e romãs
longínquas romãs e efemérides,
garras rasgando os rins,
venenos subtis e laços desatados.

É nos bolsos que somos
lembranças, compromissos
e mãos que se arreceiam,
molhadas de experiência.

Maio sob papéis, manchas de tinta,
algum cotão e fósforos,
~um telegrama velho, uma moeda,
um pouco de alegria misturada a tabaco.

Navarro, António Rebordão (2005).LONGÍNQUAS ROMÃS e alguns animais humildes. ANTOLOGIA.Selecção e prefácio de Francisco Duarte Mangas. Porto: ASA (34)

21 comentários:

sonia disse...

linda imagem, e bonito poema. obrigada.
beijinhos

lique disse...

Um poema muito belo. A mistura dos sentimentos com tudo o que fisicamente nos preenche os dias. Gostei muito de ler.
Beijinhos

Lumife disse...

Não conhecia mas gostei.

Bjs

Al disse...

Yjgtfi!
Oi TMara,
Um pouco de alegria misturada a tabaco.
Adorei.
Bjx

Å®t_Øf_£övë disse...

TMara,
Todos nós devemos cuidar o nosso espólio com todo o carinho, porque ele faz parte da nossa vida, do nosso passado.
Bjs.

Mendes Ferreira disse...

bom dia Fofinha....já viste que a Telaabstracta te fez um/dois linKs? ah não sabias...pois é...bjs.

hfm disse...

bela simbiose Texto7imagem

O Micróbio disse...

Afinal de contas os bolsos sempre são úteis... :-)

H. disse...

Prefiro encarar esses «bolsos» como metáfora... :)

bonito poema, embora ñ conheça o autor :\

lazuli disse...

esta imagem é belissima. Recordaste-me um poema que em tempos li..e perdi o rasto do autor. É lindo.

Cakau disse...

Gostei deste poema. Tanta coisa que levamos nos bolsos. Devíamos limpá-los todos os dias, caso contrário ficam demasiado pesados com coisas inúteis. *

Poesia Portuguesa disse...

Uma mistura de sentimentos e sentires, que todos nós tão bem conhecemos. Gostei do Poema.

Um abraço ;)

contadordehistorias disse...

As palavras soltas a caminhar entre todos..

beijo

mfc disse...

É tudo quanto nos resta.... um punhado de recordações e alguns amargores de boca!

André Ferreira disse...

Os bolsos são um mundo defacto, vão-se enchendo enchendo até que um dia ao os esvaziarmos descobrimos pedaços do que fomos e que muitas vezes nos deixa a pensar.

Maria do Céu Costa disse...

"É nos bolsos que cabe o que nós somos.
Levamos tudo logo pela manhã,
são remorsos junto de laranjas,
são recados tristíssimos, romances..." - agradavel esta selecção. Beijinhos.

A.J.Faria disse...

Tmara,
Por vezes, os bolsos são mais do que suficientes para guardar uma vida cheia de inutilidades e superficialidades.
Gostei do poema, cheio de sentimento.

Raquel V. disse...

Arre!

batista filho disse...

Beleza arrancada às coisas do cotidiano, aos sentimentos que nos assaltam o tempo todo.

Zica Cabral disse...

lindo este poema e tão real. É nos bolsos tb que encontramos às vezes bocados da vida que pensavamos perdidos ............
Gostei imenso
bjs Zica

Anónimo disse...

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