07 outubro 2005

Dos sentimentos e tudo o mais encadeado nas palavras

DOS SENTIMENTOS E TUDO O MAIS ENCADEADO NAS PALAVRAS

...e o medo de falar.
Ainda mais o de escrever.
E no entanto o gesto suicida
de jogar para o papel os sentimentos
sem rever.
Porque afinal os sentimentos
não se podem rever e ajeitar.
O peso das palavras, do que digo,
que os outros me devolvem como um fardo
e porque o medo surge donde não espero
e eu hesito, se mando ou não,
se vai doer algures
e eu.... não quero
busco saber como se sente o outro.
E num gesto que é já revolta
meto tudo e mando.
Porque se não sei
que estranho mal ando espalhando
se não sei onde firo e sangro
então, melhor é deixar correr a voz que fala
e não sei donde vem,
pois as consequências não alcanço.
Mas porque o medo existe, eu falo.
Agora de mim falando, tentando
que as palavras façam sentido e eu perceba
porque tanto perigo há em falar
dizendo o que sinto, como em calar...
E assim busco
nestes pássaros loucos que voando sussuram
um som estranho
que ninguém entende.

Nem eu, que os solto, em bando!

15 comentários:

JJ disse...

SEM medo, escreve sempre: ficamos todos mais ricos com a entrega e a partilha.

lobices disse...

...mas não esqueças que há sempre alguém, algures, que os entende
...e esse som deixa de ser um som para ser uma palavra dita ou escrita...
:)*

pipetobacco disse...

{ ...

deixo(.te) algo:

recortes sobre a vida #1

comecei por tentar escrever uma frase da qual tinha duas e por fim acabo por falar de mim, acabamos por falar sempre em nós próprios de nos olharmos sempre no mesmo espelho, como somos centro e tormento meu deus. tento enrolar as palavras marginais em caminhos de esforço, chegar a conclusões simples, tento mas não consigo. falo-vos e apresento um lugar de verdade em linhas de mentira em que se fundem em círculos e se expõem ou exponho em resumo, eu. divago sempre em frases impróprias, talvez em revolta e volta, longe de fascínios e vontade própria, divago sempre em sonhos imaculados entre anjos e diabos. desperto soluções pacíficas e naturais por vezes, vigilante e que facilmente se realizam sem combates fixos ou crucifixos. terei a mobilidade de sonhar, ajustar sonhos e meto, mas satisfação não prometo. aparentemente surpreendido em inabdicáveis pensamentos, termino sem nunca dizer nada, a eterna conclusão adiada, eu.

© pipetobacco

... }

batista filho disse...

Disseste bem, mui bem. Bom não teres guardado isso contigo, teres conosco partilhado. Um beijo.

Carmem L Vilanova disse...

Amiga, hoje vim para convidar-te para o 1º aniversário do Eu Sei Que Vou Te Amar... és peça importante nesta história, afinal é também por ti que ele existe!
Deixo-te muitos beijos, flores e sorrisos!

maresia disse...

há instantes que se captam na imagem, este, para mim, foi um deles. confesso que não fui capaz de ler o texto, fiquei presa nas gaivotas da minha imaginação...

maresia disse...

A [demo]cracia tem destas coisas, cada um gos ta do que lhe apetece LOL.

Obrigada por passares lá na Onda!

AS disse...

A palavra e a razão
No meio de muita gente
Só a tem quem for prudente
E em nenhuma ocasião
Podes medir a razão
Pelo tamenho do dente
Ou pela força do pulmão!

Mas nunca deixes de dizer aquilo que sentes...

Um abraço e bom fim de semana

Maria do Céu Costa disse...

Este é o verdadeiro sentir e até receio dos Poetas. Beijinhos.

Micas disse...

As tuas Palavras não são de medo, são Palavras plenas de força. A imagem o complemento perfeito. Grata pela partilha.
Obrigada pelo apoio e carinho, devagarinho tudo vai normalizando ;) Beijo imenso

romero disse...

Habla todo que quieres, tienes tu liberdad :)
que guapo eso que escribiste.
Besito y bueno fin de semana

lique disse...

Nunca sabemos que consequências pode ter o que escrevemos. Nem como é que quem lê, vai reagir.
Importante, parece-me, é sermos fieis a nós próprios e darmos voz aquilo que para nós é uma necessidade: transmitir sentimentos, através das palavras.
Beijinhos, amiga e bom fim de semana.

JPD disse...

Ao escrever há de facto uma enorme tensão. Há essa incontornável incerteza de tratar correctamente as emoções que nos acodem e tanto nos agitam...Depois há o reconhecimento, a correcta interpretação do que é lido...Mas é tudo isso que nos leva incessantemente a retomar a escrita, a nos esgotarmos, a tentar sempre.
Bjs

Adélia Theresa Campos disse...

estes versos fluem em um ritmo admirável. nem sei quantas vezes os li. e cá estou eu. com medo de não conseguir demonstrar todo meu encantamento.
Beijos, carinho.

Anónimo disse...

best regards, nice info
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