04 setembro 2005

CRÓNICAS DATADAS III

CRÓNICAS DATADAS III





NO CINTILAR DOS DIAS (Agosto, 2002)

Há dias estivemos, um velho amigo e eu, a trocar impressões sobre alguns aspectos, com pontos em comum, das nossas vidas, bem como a tecer algumas considerações, sem terem qualquer presunção de serem mais do que isso.
Considerações de duas pessoas que, conhecendo-se e respeitando-se, num momento, não programado de conversa, pensam sobre o correr dos tempos, as mudanças e o impacto destas na vida de todos nós e nas expectativas que o 25 de Abril, ao integrar Portugal nos países com regimes democráticos, permitiu que florescessem na maioria de nós.

Não foi uma conversa saudosista. Longe disso. Foi uma conversa de quem sabe os caminhos por onde andou, os objectivos que o nortearam e o investimento que pôs nesses projectos. Foi um olhar racional sobre o caminho andado e uma reflexão sobre caminhos possíveis, pensando e agindo para que o caminho que formos construindo continue sendo coerente com os nossos valores, princípios e algo muito difuso, por muitos considerado ultrapassado, talvez caduco e outros epîpetos menos gentis que já tenho ouvido serem utilizados para a nomearem. Falo desse algo a que chamamos consciência a qual decorre de princípios e valores sociais e morais.

Curiosamente muitas das pessoas que consideram algumas das posições tomadas e defendidas por outros, em nome desses abstractos, fugidios e porque não dizê-lo, subjectivos princípios e valores, obstruções ou, no mínimo obstáculos de passadistas retrógrados, insistem em afirmar que a maioria dos problemas sociais decorrem do que denominam “ a crise de valores da sociedade”.

Não sei se detectam, como eu, a incongruência de quem toma ambas as posições? Ultrapassados os que defendem ideias, princípios e valores. Os que pensam com as suas próprias cabeças e de acordo com o quadro de referências que a sociedade lhes forneceu ao longo da vida, em curso, e do processo de socialização que vivenciaram/vivenciam e que, em cada dia, os constrói e reconstrói nas suas interacções.
Crise de valores quando a sociedade não responde ou... não corresponde ao que eles querem.
Em nome de quem?


16 comentários:

Mendes Ferreira disse...

em nome Deles os que tudo ganham quando todos os outros tudo perdem...somos uma "história" escrita com os pés e em lugar de mãos temos tesouras...olá...é bom estar de volta. Aqui. abraço. forte. solidário.

Francisco Sobreira disse...

Sua volta não poderia ser melhor. Texto bom e belas fotos. Abraços e uma excelente semana. Sobreira

Å®t_Øf_£övë disse...

TMara,
O problema é muita da nossa juventude não viveu antes de 1974, e por isso o termo de comparação não é nenhum.
Muitos até desconhecem o que na realidade significou essa revolução.
Boa semana.
Bjs.

Daniel Aladiah disse...

Querida TMara
Cada época tem os seus valores, embora alguns sejam sempre os mesmos... não acredito no fim das sociedades, mas na sua perene evolução.
Um beijo
Daniel

A.J.Faria disse...

Olá, Tmara!
Por vezes, há uma preocupação da sociedade em que estamos inseridos,em impor determinados padrões pré-determinados, mesmo que esses padrões sejam por vezes uma verdadeira aberração do que devem ser os valores por que nos devemos orientar.
Gostei de receber a tua visita, e de passar por cá.
Espero vir mais vezes. Vou colocar o teu link nos meus favoritos!
Beijinho grande, e volta sempre.
António

JPD disse...

Olá TMara

30 anos depois do 25 de Abril, a distância entre o sonhado e o realizado e a preocupante maneira como a actividade política é olhada só pode ser reflexo de uma evolução tremenda. Na minha perspectiav, não é só a geração de políticos que estará esgotada, o desinteresse e a fraca exigência que a sociedade impõe, aparentemente para se salvar do fraco empenho, também é problemático.
Bjs

batista filho disse...

Também nós, brasileiros, vivenciamos um período ditatorial, onde a tortura, a corrupção, o medo, os silêncios forçados fizeram parte de nossas vidas. Vivenciamos a luta por mudanças. Vibramos com cada pequena vitória. Choramos nossos mortos - seres humanos e sonhos abortados. Plantamos sementes de Esperanças em cada jardim que víamos, em cada coração e mente de boa vontade. Quando por fim a tão ansiada democracia foi reinstaurada, os de sempre reassumiram os seus postos. E continuamos a lutar. Nunca perdemos a Esperança! Por fim aquele que parecia ser o povo no poder: um governo democraticamente eleito, com as bandeiras tecidas com os sonhos, lágrimas e sangue de uma legião dos que fizeram o bom combate... nada foi como deveria ser: os representantes populares se deixaram (?) corromper, traíram todos os ideais que diziam professar... O que fazer? Certamente não incorrer no erro que os de sempre sempre apregoaram - não há saída além da lógica perversa da exploração do homem pelo homem. É seguir replantando as mesmas sementes, quem sabe, até quando?... não importa até quando, replantar, cuidar com desvelo - sempre sempre!

Vênus disse...

Passei para agradecer a visita e deixar um beijo!
Bye

Vênus disse...

Passei para agradecer a visita e deixar um beijo!
Bye

Vênus disse...

Passei para agradecer
a visita e deixar
um beijo!
Bye

Micas disse...

Também concordo com o JPD. Beijinho grande e boa semana

Mendes Ferreira disse...

bom dia neste sim. Olimpo. o outro é de fingir e fugir.beijo.

romero disse...

Nosotros vivimos en democracia hay 25 años ( depues de la muerte de Franscisco Franco ).La democracia no puede vivir sin la oposición, pero una oposición ciega puede destruirla.:)

meialua disse...

Lendo os teus comentários, concordo com as palavras de JPD.

Beijos e uma boa semana*

Espectro #999 disse...

Só passei para dizer que as férias estão a decorrer na sua normalidade e para deixar um olá.

Beijocas e inté

Carlos Barros disse...

em nome da nossa existencia...em nosso nome e nunca em vão...