07 abril 2005

Estereótipos e preconceitos




“Para uma alteração da situação das mulheres
Será necessária uma fundamental mudança
no discurso do saber- Ciência, Arte., Literatura –
que constitua este num universo realmente humano,
em substituição do actual universo falsamente neutro ““.
In, BARRENO, M. Isabel, 1985, INSTITUTO DE
ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO,(contracapa)

Uma elementar conta de subtrair mostra-nos o nº de anos que medeia entre o estudo supracitado e o momento actual. Nada mais, nada menos, do que 20 anos e....
A pesquisa a que recorro na citação, à laia de introdução, centrou-se num estudo
”...a partir da observação da vida escolar....e da análise de orientações pedagógicas e curriculares....,sobre as práticas e as atitudes mentais que obstam à consideração da diferença na igualdade entre sexos.(...) Fugindo,...,à explicitação das discriminações interiorizadas, quer nos indivíduos quer nos sistemas, ....sustentada pela hierarquização de papeis e funções sociais,...o sistema educativo não deixa de alimentar ...resistências à mudança (...)”.
Hoje vou continuar , por enquanto, a fazer citações. A fonte é agora:o SuplementoTerra do NUNCA, ano 3,Nº 202,ANEDOTAS,(p,9):
1. “
Como se pode divertir uma loira* durante horas?Escreve “ vire por favor” nos dois lados de uma folha de papel e dá-lho”.
2. “ Um alentejano foi a um concurso na televisão e o apresentador diz-lhe:
- De certeza que você sabe esta! Como se chamam os habitantes de Évora?
Após alguns momentos de reflexão, o alentejano responde:
- Todos, todos, nã sei...."
O conteúdo fala por si. A fortíssima carga de preconceitos e estereótipos é tão primária e clara que não vou debruçar-me a explicitá-la porque seria uma ofensa aos que me lerem.
Tratando-se de duas instâncias diferentes,no caso da pesquisa levada a cabo por BARRENO, a instância educativa /escola com todo o peso das
“...orientações pedagógicas e curriculares emanadas dos órgãos politicamente responsáveis pela educação(...)” Lembremos tão somente que na nossa sociedade a escola, ( o sistema educativo) é considerada/o a 2ª instância socializadora, logo após a família e, mais, juntamente com esta.
A outra instância, que me levou hoje, com mágoa, a estas reflexões, não faz parte do sistema educativo, é uma instância privada – a comunicação social . Qual será a influência e a importância pedagógica da informação veiculada?
Informa? Forma? Que modelos reproduz? Que mentalidades ajuda a formar? Qual é ou deve ser a sua responsabilidade, no geral, e, mais especificamente, no caso concreto de um suplemento destinado ao público infanto-juvenil?
Apregoamos o respeito pelo outro, quaisquer que sejam as suas diferenças... Lembro-me de ler, no J.N., artigos, e alguns bem interessantes, sobre esta temática.
Mas serão os artigos que vão formar, ou quem os lê já tem, no mínimo, uma sensibilidade, apetência e conhecimento que o/a leva a fazer a ruptura com estes estereótipos e preconceitos que, de tão comuns, se infiltram nas práticas quotidianas, estruturando-se em padrões de leitura ao nível do senso comum, tantas vazes tido como “ bom senso, porque... sempre foi assim” e mantém, na sociedade, discriminações, marginalidades e exclusões que, em nome de uma sociedade democrática ( com tudo o que o conceito de democracia deve implicar), estou segura, a larga maioria de nós gostaria de ver eliminadas ?!
Não teremos que repensar a hierarquia das várias instâncias socializadoras e obviamente exigir-lhes,, com frontalidade e sem cedências, a assumpção pedagógica, à luz do respeito pelos outros e da ética, (sendo que os media estão presentes ao longo de toda a nossa existência), que ultrapassem o imediatismo do “ politicamente correcto” demarcado no tempo e na acção ?

NOTA.: O* E O SUBLINHADO SÃO DE MINHA RESPONSABILIDADE

8 comentários:

BlueShell disse...

Mais do que importante...é fundamental. Obrigada pelas tuas palavras.

Parece que adivinhas quando estou a precisar de ouvir assim algo...
Aceita um beiho, BShell

Manuel disse...

Ola TMara!:)
tou um cadinho triste contigo..então eu ja tenho um link po teu blog no meu e tu nao puseste o meu no teu?! ohhh..:( lolol
beijinhos;)

agua_quente disse...

Levantas aqui questões muito pertinentes. Necessário é, se calhar, mudar mentalidades. Esse é um processo moroso. Continuaaremos, portanto, a negar a desigualdade e a praticá-la todos os dias. Beijos

Daniel Aladiah disse...

Querida TMara
Valerá a pena juntar uma quarta instância: a internet. Hoje, faz parte da formação da maior parte dos jovens urbanos e da informação dos menos jovens. mais uma fonte de preocupação ou mais um meio de democratizar o conhecimento?
Um beijo
Daniel

TMara disse...

blueshell :) b'dia! Lol* Há + quem diga isso. quem sabe descendo de uma lnhagem de feiticeiros e bruxas celtas.....Bom f.s

TMara disse...

manuel :) b'dia . Deixei resposta no teu blog. Bjs e ;) e bom f.s

TMara disse...

agua_quente - pois, pelomenos tento ser coerente. As mentalidades TÊm kmudar. Penso k anosa pp sobrevivência enqt espécie vai depender disso. Bjs e;) ebom f.s

TMara disse...

Daniel :) valerá, valerá, só k este é um meio k elas s/ caracterísiticas têm k ser controlado parentalmente pq de resto é livre, tudo etods (eu inclsa) escreve nela...E N7 sei se integra emsmo o conceito de mídia!!1Bom f.s. Bs e ;)