13 novembro 2005

O Inescrutável é o Prático

Por: Radha Burnier ¹

« Um Mahatma escreveu: “As verdades e mistérios do ocultismo constituem, de fato, um corpo da mais alta importância espiritual, ao mesmo tempo são inescrutáveis e práticas, para o mundo em geral.”

Imaginamos que nossas mentes, que são usadas para pesar os prós e os contras e fazer avaliações, de acordo com experiências prévias condicionantes, são potencialmente ou realmente capazes e práticas.
Todos nós somos inclinados a ver a área chamada de “espiritual” como uma abstracção vaga, sem relação com assuntos práticos.


Assim, mesmo aqueles que são voltados para o espiritual, o conservam num compartimento distante dos assuntos diários domésticos, profissionais, nacionais e outros mais.
Examinemos se esta mente pode servir de base à acção prática e eficaz para proporcionar maior bem-estar, paz e harmonia ao mundo e aos indivíduos que são parte do mundo.


A humanidade, século após século, tem enfrentando, sem qualquer solução, graves problemas que a afligem. Um deste é o antigo problema dos conflitos, quer em grande escala, como as guerras mundiais, quer em escala menor que não obstante devasta vidas de uma população inteira e envenena o meio ambiente natural.
Por exemplo, o programa americano de foliações no Vietname que tornou inabitáveis muitas áreas desse país, onde até hoje nascem crianças deformadas.


Cerca de sessenta Chefes de Estado reuniram-se recentemente em Moscovo, onde as forças nazistas se renderam às aliadas após a Segunda Grande Guerra. Relata-se que durante as comemorações, o Presidente russo, Vladimir Putin, advertiu contra a propagação da violência.
Obviamente seria uma tolice extrema defender a violência numa época de armas de destruição em massa. Dizem que só na Rússia foram exterminados vinte e sete milhões de pessoas. Além disso, a população civil de ambos os lados suportou imensos sofrimentos.


Embora houvesse a satisfação de ter vencido as hordas nazistas, precisamos lembrar que nunca houve qualquer declaração, tratado ou trégua contra a violência ou conversação de paz para realmente por um fim ao conflito e ao sofrimento. Isto porque a hostilidade gera e agrava o ódio, o preconceito e as paixões separatistas, mantendo assim as sementes de outras guerras e sofrimentos.

“A guerra começa nas mentes dos homens” foi uma afirmação que tocou uma corda profunda em todas as pessoas no mundo quando foi dita pela primeira vez, mas nunca foi seriamente levada em consideração para pôr fim definitivamente aos conflitos.
Muitas nações ainda cogitam guerrear “caso precisem”, para estabelecer “a ordem e a paz” a despeito das terríveis misérias que produzam. O contínuo conflito no Iraque nos dá prova de que esta abordagem para um mundo mais pacífico está deformada.


As pessoas perguntam naturalmente: Como se pode evitar a guerra quando um regime monstruoso como o nazista ataca e pratica atrocidades inimagináveis com populações desamparadas? Combatê-lo pelas armas poderia ser a única possibilidade, pois não está certo observar passivamente a opressão e o mal como vimos no Holocausto.
Por outro lado, toda guerra envolve o treinamento em brutalidade sistemática e crueldade com vistas à vitória; isto também parece errado. Por desumanizar grande número de combatentes e possivelmente também de civis, a paz não pode surgir nem uma nova ordem mundial verdadeiramente progressista pode ser estabelecida. Este é um dilema para o qual nenhuma solução ética e duradoura parece possível e o mundo repetidamente enfrenta conflitos catastróficos.


O progresso da ciência e da tecnologia criou outro problema insolúvel. Não podemos retroceder a uma era primitiva. A marcha progressista da ciência não pode parar, embora coloque ao alcance de muitas pessoas que tiveram educação científica o poder de matar, aterrorizar e criar destruição de todo tipo.
Este poder certamente se expandirá e observaremos na sociedade grande insegurança pelas acções causadas por irresponsáveis desajustados, que recorrem a tácticas destrutivas por ficarem frustrados pelas pressões da vida moderna.


Também a ignorância leva à irresponsabilidade. (...). Mas pessoas “engenhosas” que pensam ter soluções – querem envolvam a matança desapiedada de milhões de focas no Canadá, milhares de camelos na Austrália, ou a produção de novas espécies de todo tipo – continuam trabalhando.

Surge a pergunta: a mesma mente que produz os problemas é capaz de eliminá-los? Um ladrão pode agir como um policial? Se não puder, a única solução prática seria efectuar uma profunda mudança na própria natureza da mente.
E isto está no coração de todos os verdadeiros ensinamentos religiosos. Jesus o disse com simples palavras: “Não se conforme com este mundo. Transforme-se ao renovar sua mente”.


A transformação depende de uma mente incondicionada de sua maneira habitual de pensar e reagir, começando com a percepção da ignorância subjacente no que parece ser conhecimento.
O que usualmente é chamado de conhecimento baseia-se numa percepção incompleta, superficial e confusa da vida.


A transformação implica em tocar no fundo dentro da consciência, de onde emerge uma compreensão mais clara e abrangente.

Os seres humanos devem compreender que em vez de rearranjar aquilo que está fora, devem purificar e harmonizar suas próprias consciências.
Uma nova mente é necessária para ver sem esforço á causa-raiz de tudo que aflige o mundo, e estabelecer um relacionamento radicalmente diferente com a vasta vida na qual existimos, como gotas no oceano».

(Extraído da revista The Theosophist, de Julho de 2005.)
Tradução: Izar G. Tauceda, MST
Loja Jehoshua, Porto Alegre, RS

P.S - recebido por email. Achei que valia a pena colocá-lo aqui,como exercício de reflexão. Boa semana.






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