Há quem não saiba viver com e no silêncio.
Pessoalmente gosto do silêncio, de alguns silêncios.Necessito do silêncio como do ar, da água....
Mais, necessito do silêncio para me sentir, me ouvir, me reconstruir.
Ouvir o próprio silêncio é das coisas mais agradáveis que a natureza tem para nos oferecer
Sou das pessoas que se sentem profundamente incomodadas com as “músicas” ambiente por todo o lado. O resultado final é uma cacofonia insuportável, irritante e desgastante.
O tempo de espera ao telefone tornou-se numa epopeia capaz de, na maioria das situações, rebentar os tímpanos a qualquer mortal, para além de as músicas seleccionadas serem, por norma, inadequadas para o efeito pretendido: manter-nos em espera, serenos e bem dispostos!
Alguém decidiu que para estarmos BEM DISPOSTOS temos que estar mergulhados numa balbúrdia de ruídos, sem sentido, mas que, teoricamente, nos dispõem bem e serão sinónimo de alegria.
O facto é que, penso, temos medo de nós mesmos, da nossa humanidade, da mesma forma que, cada vez mais, temos medo da morte. O barulho, tal como está, afasta-nos do centro de nós mesmos. Faz-nos perder de vista as coisas essenciais e a essência das coisas e de nós.Em síntese recorro a uma citação: «Sabemos que o mundo está a construir-se sobre abismos. Enchemo-lo de ruídos para esquecer onde estamos.» (Frei Bento Domingues, OP, “Luz acesa na noite de mistério”. In: jornal PÚBLICO, 2003.06.01:6)
12 janeiro 2005
11 janeiro 2005
CONVITE: porta aberta e...boca livre
Está a decorrer desde as 00H00, uma festa em casa do Eduardo. A morada é:
Encontramo-nos por lá. Até já então....
«http://edynet.blogspot.com/»
Todos são bem-vindos (fui convidada também). E é uma festa linda porque hoje, na net, circula ums seiva viva de solidariedade, sem compromissos ou favores. Só pelo prazer de dar. Apareçam e deixem um comentário ao Eduardo. Ele não está mas deixou a casa aberta para todos nós. E deixou bilhetes, palavras soltas. Partiu, por um tempo, à boleia procurando novas inquietações e interrogações.
Encontramo-nos por lá. Até já então....
Estado de graça
Hoje peço a voz aos pequeninos e aqui deixo parcelas de encanto:
O amor
é um pássaro verde
num campo azul
no alto
da madrugada.
Víctor Barroca Moreira -9 anos
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
O amor veste-se da cor do sol
O amor é uma paisagem de reflexo na alma.
O amor é verde como a esperança.
O amor é o carinho, a alegria, a verdade.
O amor da Pátria é lutar contra a Pátria dos outros.
O amor é alga pintada de espuma no mar profundo.
O amor veste-se de cores do sol.
O amor da mulher é a paisagem do homem.
Vítor Figueiredo - 10 anos
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
O que é um anjo?
É um homem que tem o sol pendurado atrás da cabeça.
Fernando Brás - 6 anos
É um pássaro cantador.
Pedro Naia- 5 anos
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Os meus passos são de flores.
Eu, uma vez, pisei o sol,
mas não o magoei porque
os meus pés saõ pequeninos.
Víctor Pinho - 8 anos
XXXXXXXXXXXXXXXXX
Do livro: "A criança e a vida". Recolha de Maria Rosa Colaço
09 janeiro 2005
Floridos campos (O índio e as canções)
" (...) Um etnólogo que tinha passado uma grande quantidade de tempo com um grupo de índios, navajos, se não me engano, para estudar as suas canções.Gravou centenas delas, e aprendeu a decifrar-lhes todas as sílabas. E aquilo era tão conspícuo que teve mesmo que perguntar. Ouve lá, disse ele a um amigo navajo. Isto não deixa de ser curioso. Todas as vossas canções falam da água. Pois, respondeu o navajo. Nós, como todos os povos do mundo, fazemos das nossas canções hinos às coisas mais preciosas que não temos. Ao dizer isto o navajo franziu as sobrancelhas e fez uma pausa, surpreendido por um pensamento que ainda não lhe tinha ocorrido. Tem piada, disse, porfim, ao estudioso. As vossas canções... são todas sobre o amor, não são?"
(Fonte desconhecida)
(Fonte desconhecida)
08 janeiro 2005
Adoro o despertar dos dias
É uma coisa mágica o despertar dos dias. O azul da noite, às vezes quase preto de tão escuro, começa a clarear, vai viajando por diversos azuis até que num, mais esmaecido, começam a surgir os rosas, os alaranjados e os anilados.
Nessas alturas a minha rua é uma imensa fita estendida, calma, espreguiçando-se, mas dormindo ainda. Hoje, quando levantei os estores e abria as janelas, surgiu-me no céu, à direita, um minguante perfeito e dourado-róseo, como que se a Lua se espreguiçasse sentada numa chaminé.
Estava iluminada, resplandecente, apesar de não passar de um muito fino e perfeito gume em forma de foice.
O acordar dos dias é um espectáculo sempre renovado e de grande beleza. Só necessitamos olhá-lo e ver a magia desdobrar-se perante nós.
Nessas alturas a minha rua é uma imensa fita estendida, calma, espreguiçando-se, mas dormindo ainda. Hoje, quando levantei os estores e abria as janelas, surgiu-me no céu, à direita, um minguante perfeito e dourado-róseo, como que se a Lua se espreguiçasse sentada numa chaminé.
Estava iluminada, resplandecente, apesar de não passar de um muito fino e perfeito gume em forma de foice.
O acordar dos dias é um espectáculo sempre renovado e de grande beleza. Só necessitamos olhá-lo e ver a magia desdobrar-se perante nós.
07 janeiro 2005
É com o silêncio
É com o silêncio que as mulheres tecem
As roupas do mundo.
o fuso e a roca eram só instrumentos
(uma quase justiifcação)
As vestes são tecidas com o silêncio
com o sangue dos olhos
com as lágrimas dos dedos.
Com o silêncio e no silêncio as mulheres tecem
longas vestes
enormes tapetes e carpetes
belas e luxuriantes cortinas.
Com tudo o que tece, silenciosamente,
a mulher do mundo tenta tapar
os buracos
tenta estancar o sangue
que corre copiosamente.
«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
Hoje dedico este meu poema a todas as vítimas das catástrofes. As naturais e as causadas pelo homem, em guerras.
(Do livro:AS TAREFAS TRANSPARENTES: 52)
As roupas do mundo.
o fuso e a roca eram só instrumentos
(uma quase justiifcação)
As vestes são tecidas com o silêncio
com o sangue dos olhos
com as lágrimas dos dedos.
Com o silêncio e no silêncio as mulheres tecem
longas vestes
enormes tapetes e carpetes
belas e luxuriantes cortinas.
Com tudo o que tece, silenciosamente,
a mulher do mundo tenta tapar
os buracos
tenta estancar o sangue
que corre copiosamente.
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Hoje dedico este meu poema a todas as vítimas das catástrofes. As naturais e as causadas pelo homem, em guerras.
(Do livro:AS TAREFAS TRANSPARENTES: 52)
06 janeiro 2005
«Só todo o branco é meu irmão?»
Deixo-vos hoje uma das belíssimas (pela sua capacidade de análise crítica, solidariedade e engajamento social) crónicas do jornalista Sérgio de Andrade, publicada no Jornal de Notícias de Terça-feira 04 de Janeiro de 2005:14 (opinião), com o título acima.
«Não foram os orgãos de Comunicação Social que inventaram que a emoção varia com a latitude. Isto é, que nos emocionamos mais com um desastre fatal em Espanha do que com uma tragédia na Ucrânia ou do que com uma hecatombe na China.
Mas a emoção varia também com a nacionalidade. Por isso, muitos países atingidos pela catástrofe no Sudeste asiático mandaram para lá jornalistas, cada qual preocupado, acima de tudo, com a sorte dos seus compatriotas.
Nada mais natural. Só que é por demais evidente que, após a nacionalidade, as televisões do Mundo ocidental passam á categoria seguinte do interesse noticioso. E informam-nos do que aconteceu com aqueles a quem, eufemísticamente, os ingleses chamavam "europeus" e os americanos ainda hoje chamam "caucasianos". Por outras palavras - brancos.
Estamos, nós, europeus, ocidentais, brancos, em estado de choque porque muitos dos "nossos" morreram lá longe. Ouço as televisões apontar números: uma dezena de belgas, uma centena de finlandeses, um milhar de suecos. E, pergunto-me: por uns tantos alemães, quantos milhares de indianos ou tailandeses? Por uns tantos italianos, quantas dezenas de milhar de indonésios ou cingaleses? Largos minutos dedicados à odisseia de um menino nórdico, louro e de olhos azuis. E os milhares de meninos asiáticos, morenos e de olhos escuros?
Antes de mais, os turistas, os brancos. E os "indígenas", os "nativos"?
Há, para os media ocidentais, uma quota de condolência e horror variável com a cor da pele das vítimas?
Nessa não vou! Para mim, mais de cem mil seres humanos morreram, iguais na desgraça, embora diferentes na tez. Porque, para mim, todo o homem - e não só o homem branco - é meu irmão».
Sérgio de Andrade escreve no JN, semanalmente às terças-feiras.
«Não foram os orgãos de Comunicação Social que inventaram que a emoção varia com a latitude. Isto é, que nos emocionamos mais com um desastre fatal em Espanha do que com uma tragédia na Ucrânia ou do que com uma hecatombe na China.
Mas a emoção varia também com a nacionalidade. Por isso, muitos países atingidos pela catástrofe no Sudeste asiático mandaram para lá jornalistas, cada qual preocupado, acima de tudo, com a sorte dos seus compatriotas.
Nada mais natural. Só que é por demais evidente que, após a nacionalidade, as televisões do Mundo ocidental passam á categoria seguinte do interesse noticioso. E informam-nos do que aconteceu com aqueles a quem, eufemísticamente, os ingleses chamavam "europeus" e os americanos ainda hoje chamam "caucasianos". Por outras palavras - brancos.
Estamos, nós, europeus, ocidentais, brancos, em estado de choque porque muitos dos "nossos" morreram lá longe. Ouço as televisões apontar números: uma dezena de belgas, uma centena de finlandeses, um milhar de suecos. E, pergunto-me: por uns tantos alemães, quantos milhares de indianos ou tailandeses? Por uns tantos italianos, quantas dezenas de milhar de indonésios ou cingaleses? Largos minutos dedicados à odisseia de um menino nórdico, louro e de olhos azuis. E os milhares de meninos asiáticos, morenos e de olhos escuros?
Antes de mais, os turistas, os brancos. E os "indígenas", os "nativos"?
Há, para os media ocidentais, uma quota de condolência e horror variável com a cor da pele das vítimas?
Nessa não vou! Para mim, mais de cem mil seres humanos morreram, iguais na desgraça, embora diferentes na tez. Porque, para mim, todo o homem - e não só o homem branco - é meu irmão».
Sérgio de Andrade escreve no JN, semanalmente às terças-feiras.
05 janeiro 2005
Correm os dias
“Os dias correm iguais
aos dias que vão distantes!”
Veio-lhe esta frase à ideia. Não lembra quem a disse, ou escreveu: É memória antiga, de mais de noventa anos. Lembra-se de sempre a ter tido!
Agora, nos seus noventa e nove anos, olha as imagens do noticiário, na televisão, sobre o terramoto e maremoto na Ásia e a frase assalta-lhe o pensamento.
É bem verdade que os dias correm iguais quando não há perdas, mortes, desgostos arrasadores, tragédias como esta.
Os dias não correm agora iguais para as pessoas em todo o mundo. Principalmente as de lá, mas também muitas de outros pontos do globo que perderam familiares na catástrofe. Tão pouco para os que nada perderam directamente, como ele, mas que olha, observa e sente uma profunda dor por tantas vidas ceifadas, tanta destruição, tanto sofrimento!
Ao seu lado, ou outros internados na instituição, choram. Abertamente as mulheres. Os homens fungam, assoam-se ruidosamente tentando disfarçar a comoção.Ele não. Dói-lhe a alma. Tem uma dor constante no peito, mas não chora lágrimas dos olhos. Chora na alma.
aos dias que vão distantes!”
Veio-lhe esta frase à ideia. Não lembra quem a disse, ou escreveu: É memória antiga, de mais de noventa anos. Lembra-se de sempre a ter tido!
Agora, nos seus noventa e nove anos, olha as imagens do noticiário, na televisão, sobre o terramoto e maremoto na Ásia e a frase assalta-lhe o pensamento.
É bem verdade que os dias correm iguais quando não há perdas, mortes, desgostos arrasadores, tragédias como esta.
Os dias não correm agora iguais para as pessoas em todo o mundo. Principalmente as de lá, mas também muitas de outros pontos do globo que perderam familiares na catástrofe. Tão pouco para os que nada perderam directamente, como ele, mas que olha, observa e sente uma profunda dor por tantas vidas ceifadas, tanta destruição, tanto sofrimento!
Ao seu lado, ou outros internados na instituição, choram. Abertamente as mulheres. Os homens fungam, assoam-se ruidosamente tentando disfarçar a comoção.Ele não. Dói-lhe a alma. Tem uma dor constante no peito, mas não chora lágrimas dos olhos. Chora na alma.
04 janeiro 2005
Solidários na memória e na dor
Coloquemos, hoje à noite, velas acesas nas janelas de nossas casas e amanhã, pelas 11H00, façamos 3 min. de silêncio e meditemos, in memoriam de todas as vítimas do cataclismo na Àsia.
São duas correntes mundiais expressando solidariedade. Para quem pense que estes actos são meramente simbólicos permito-me lembrar que "o pensamento move montanhas" e termino com uma frase que me impressionou, pela força que possui, e retirei do blog da minha filhot'ANA (http:facilitareiki.blogs.sapo.pt/):
São duas correntes mundiais expressando solidariedade. Para quem pense que estes actos são meramente simbólicos permito-me lembrar que "o pensamento move montanhas" e termino com uma frase que me impressionou, pela força que possui, e retirei do blog da minha filhot'ANA (http:facilitareiki.blogs.sapo.pt/):
«Por baixo das tuas palavras está escrito o verbo de Deus».
Indignação
Por razões alheias à minha pessoa, mas em que me vi envolvida tenho visto mais dos nossos serviços de fiscalidade do que gostaria. E temos uma relação conturbada e traumática (com fundamentos), no que me respeita.
Para não variar e alimentar a péssima impressão recebi ontem o aviso de pagamento referente ao IRS de 2003. Duas folhas A4, profundamente escritas, pelo computador, em que as assinaturas dos funcionários são impressas ou fotocopiadas e não manuscritas, sem data de envio em qualquer uma, o envelope sem qualquer registo de data também.
O que lá vem impresso é que deveria efectuar o " pagamento voluntário até :2004.09.15". Por baixo da assinatura do funcionário consta a data de saída: "2004.11.29"
Logo aqui se vê como poderia cumprir o pagamento até à data limite se a notificação, em teoria, saiu das mãos deles (????) 14 dias depois.
Isto é, a data em que TEORICAMENTE, os papeis sairam das mãos do funcionário e das finanças?
Cada vez tenho mais a certeza de que o estado português NÃO é uma "pessoa de bem".
O valor a pagar é, felizmente, irrisório. A minha indignação não é pelo montante. É pela falta de rigor (para não dizer mais), e de critérios.
Todos sabemos das grandes dívidas ao fisco, que dariam para reequilibrar o orçamento e que são sistematicamente adiadas, se não perdoadas. Não quero perdões. Quero justiça, critério, rigor e isenção no tratamento, que é coisa que não tenho recebido e que a maioria dos portugueses/as, trabalhadores/as por conta de outrém não têm, não recebe e parece que não vai passar a ter, a receber.
Irei lavrar o meu protesto, por escrito. Uma vez reclamei, não obtive resposta a não ser (se é que se pode considerar resposta) uns meses depois receber novo aviso, desta vez para pagar quase o dobro da quantia inicial.
E paguei!
Não tendo obtido qualquer outra resposta!
Reafirmo: o estado português não se comporta como uma pessoa de bem para com os seus cidadãos.
Para não variar e alimentar a péssima impressão recebi ontem o aviso de pagamento referente ao IRS de 2003. Duas folhas A4, profundamente escritas, pelo computador, em que as assinaturas dos funcionários são impressas ou fotocopiadas e não manuscritas, sem data de envio em qualquer uma, o envelope sem qualquer registo de data também.
O que lá vem impresso é que deveria efectuar o " pagamento voluntário até :2004.09.15". Por baixo da assinatura do funcionário consta a data de saída: "2004.11.29"
Logo aqui se vê como poderia cumprir o pagamento até à data limite se a notificação, em teoria, saiu das mãos deles (????) 14 dias depois.
Porreiro, so cool...!
Para alé dessa, na folha 2ª, diz que:"Fica citado(a) de que foi (foram) instaurados (...) processo de execução fiscal devendo proceder ao pagamento da dívida exequenda e acrescido no prazo de 30 (trinta) dias a contar da concretização desta citação":
30 dias a contar de quando?,
pois nesta folha não há qualquer data senão a 2ªjá anterirmente referida?
Isto é, a data em que TEORICAMENTE, os papeis sairam das mãos do funcionário e das finanças?
Cada vez tenho mais a certeza de que o estado português NÃO é uma "pessoa de bem".
O valor a pagar é, felizmente, irrisório. A minha indignação não é pelo montante. É pela falta de rigor (para não dizer mais), e de critérios.
Todos sabemos das grandes dívidas ao fisco, que dariam para reequilibrar o orçamento e que são sistematicamente adiadas, se não perdoadas. Não quero perdões. Quero justiça, critério, rigor e isenção no tratamento, que é coisa que não tenho recebido e que a maioria dos portugueses/as, trabalhadores/as por conta de outrém não têm, não recebe e parece que não vai passar a ter, a receber.
Irei lavrar o meu protesto, por escrito. Uma vez reclamei, não obtive resposta a não ser (se é que se pode considerar resposta) uns meses depois receber novo aviso, desta vez para pagar quase o dobro da quantia inicial.
E paguei!
Não tendo obtido qualquer outra resposta!
Reafirmo: o estado português não se comporta como uma pessoa de bem para com os seus cidadãos.
Mais do que uma Rosa Branca...
@-',---
pelos sobreviventes do maremoto, é necessário uma outra cadeia de solidariedade que se expresse em donativos.
Para além de na TV passarem as contas bancárias de ONG's, aqui deixo alguns endereços electrónicos onde se podem informar :
«http://www.medicosdomundo.pt/»
«http://fundacao-ami.org/ami/matriz.asp»
«http://www.unicef.pt/»
Depois do susto, depois do pasmo, é necessário agir e continuar a agir.
Desloquem-se à agência mais perto ou vejam on-line como podem contribuir.
Se cada um de nós fizer um pequenino esforço o sofrimento de muita gente é minimizado.Vale a pena. Vamos lá a começar o ano com actos e não só com intenções.
P.S - desculpem-me os que já agiram. Alguns de nós são mais lentos....
03 janeiro 2005
A magia da vida
Liberta da gravidade
mergulhava em galáxias,
supostamente inexistentes,
que naquela noite
se desvendavam,
se descobriam e a si
descobriam.
No seu invertido vôo
de cometa,ou anjo,
a menina subia,
subia, e do seu peito
um outro fogo explodia
iluminando a noite o dia.
(Inédito, por: TMara)
mergulhava em galáxias,
supostamente inexistentes,
que naquela noite
se desvendavam,
se descobriam e a si
descobriam.
No seu invertido vôo
de cometa,ou anjo,
a menina subia,
subia, e do seu peito
um outro fogo explodia
iluminando a noite o dia.
(Inédito, por: TMara)
02 janeiro 2005
01 janeiro 2005
Ali estava a mulher observando
Ali estava a mulher observando o começar do dia.
Era um Inverno temperado, mas as madrugadas perpassavam sempre um arrepio da pele ao interior do corpo, pela quebra das temperaturas, pela humidade no ar e, parecia-lhe, pela surpresa do acordar que cada dia acarretava, tanto ao mundo quanto aos seres.
Surpresa a mulher procurava as marcas da diferença, quaisquer que elas fossem. Porque sim, tinham que existir. Porque em todo o mundo, em todo o lado, como se as vidas disso dependessem, a maioria das pessoas festejara, ruidosamente, a passagem de mais um ano como coisa rara, quando afinal é cíclico e com dias certos: 365, ou 366 dias em anos bissextos.
Já ao sair do banho se olhara atentamente ao espelho procurando indícios de algo diferente em si. Nada. As diferenças aconteciam independentemente da mudança de ano, que, ao fim e ao resto, não passava de um marco temporal. Mais um.
O conjunto dos anos, mas principalmente as ocorrências da vida, ao longo de múltiplos quotidianos, isso sim, isso é que pesava na balança das mudanças, pensou!
O ano mudara, sem o frenesim, endoidecido do de fim do século a que assistiu espantada. Literalmente espantada com a loucura que se apoderara de quase toda a gente.
Mas o ano mudara, ela mudava lentamente como em todos os outros dias do ano e só daí a algum tempo se perceberiam as mudanças, as físicas e as interiores.
Pelo planeta as guerras, as mil e mal disfarçadas (umas mais do que outras) frentes de guerra continuavam. Israel continuava com o muro da nossa vergonha (já que eles a não têm mais). Parece-lhe que o facto de o povo judeu ter sido vítima do holocausto nazi, legitima agora (para muitos deles), quase todas as atrocidades e barbaridades.
Os palestinianos continuam, arrasados a dar as vidas, colhendo outras, em total desespero de causa....Atrocidades atrás de atrocidades. O Afeganistão, o Iraque..., céus, o terramoto e o maremoto..., de facto nada mudou de 2004 para 2005. A acontecer levará o seu tempo. Será um ano? Parece-lhe pouco o espaço de um ano para tamanha confusão e, e quê? Receia a palavra que lhe surge. Coíbe-se de a dizer. Olha o dia esperando novas e luminosas madrugadas.
Era um Inverno temperado, mas as madrugadas perpassavam sempre um arrepio da pele ao interior do corpo, pela quebra das temperaturas, pela humidade no ar e, parecia-lhe, pela surpresa do acordar que cada dia acarretava, tanto ao mundo quanto aos seres.
Surpresa a mulher procurava as marcas da diferença, quaisquer que elas fossem. Porque sim, tinham que existir. Porque em todo o mundo, em todo o lado, como se as vidas disso dependessem, a maioria das pessoas festejara, ruidosamente, a passagem de mais um ano como coisa rara, quando afinal é cíclico e com dias certos: 365, ou 366 dias em anos bissextos.
Já ao sair do banho se olhara atentamente ao espelho procurando indícios de algo diferente em si. Nada. As diferenças aconteciam independentemente da mudança de ano, que, ao fim e ao resto, não passava de um marco temporal. Mais um.
O conjunto dos anos, mas principalmente as ocorrências da vida, ao longo de múltiplos quotidianos, isso sim, isso é que pesava na balança das mudanças, pensou!
O ano mudara, sem o frenesim, endoidecido do de fim do século a que assistiu espantada. Literalmente espantada com a loucura que se apoderara de quase toda a gente.
Mas o ano mudara, ela mudava lentamente como em todos os outros dias do ano e só daí a algum tempo se perceberiam as mudanças, as físicas e as interiores.
Pelo planeta as guerras, as mil e mal disfarçadas (umas mais do que outras) frentes de guerra continuavam. Israel continuava com o muro da nossa vergonha (já que eles a não têm mais). Parece-lhe que o facto de o povo judeu ter sido vítima do holocausto nazi, legitima agora (para muitos deles), quase todas as atrocidades e barbaridades.
Os palestinianos continuam, arrasados a dar as vidas, colhendo outras, em total desespero de causa....Atrocidades atrás de atrocidades. O Afeganistão, o Iraque..., céus, o terramoto e o maremoto..., de facto nada mudou de 2004 para 2005. A acontecer levará o seu tempo. Será um ano? Parece-lhe pouco o espaço de um ano para tamanha confusão e, e quê? Receia a palavra que lhe surge. Coíbe-se de a dizer. Olha o dia esperando novas e luminosas madrugadas.
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