10 julho 2005

Balada do país que dói

Balada do país que dói

O barco vai

o barco vem

português vai

português vem

o corpo cai

o corpo dói

português vai

português cai

o barco vai

o barco vem

português vai

português vem

o país cai

o país dói

o tempo vai

o tempo dói

português cai

português vai

português sai

português dói.

Ana Hatherly

In: DE PALAVRA EM PUNHO; ANTOLOGIA POÉTICA DA RESISTÊNCIA, DE FERNANDO PESSOA AO 25 DE ABRIL(Organização e apresentação: José Fanha).Porto: Campo das Letras(195-196)


7 comentários:

Wakewinha disse...

Quanto tempo tem esta balada? Bem que poderia ter sido escrita por estes dias; tão remota, mas tão actual!

Português vai
Português cai

...

E assim continuamos a assistir ao desfalecimento de Portugal!

Daniel Aladiah disse...

Querida TMara
Eu continuo, apesar de tudo, a ser optimista... Portugal para sempre!
Um beijo
Daniel

Carla disse...

Não conhecia. É forte! :) Beijo grande :)

Lana disse...

simples e intenso :)

Rainbow disse...

Ola TMara, Ha muito sentimento nesse poema tao intenso. No entanto, talvez por estar longe e por a dose de saudades ser grandes continuo a preferir o nosso Portugal como minha casa e meu porto de abrigo. Desculpa escrever muito poucas vezes mas infelizmente o meu tempo e demasiado pouco para poder navegar.. obrigada pelo teu comentario no meu blog. Jokinha.

Humbertothewizard disse...

Este poema sintetiza na minha modesta opinião o estado insustentável do existir em Portugal. Um país em ruínas pela incompetência e irresponsabilidade dos politicos que se sucederam uns aos outros, cuja sua única preocupação foi a de cuidar da sua vidinha, e aceitar altos cargos internacionais. Um povo sem esperança que perdeu a chama de outrora, porque é lamentável que um país de heróis mereça viver os dias de hoje em amarga melancolia,e que perdeu a paciência de esperar por el-rei D. Sebastião que como qualquer ser de bom senso, vendo este estado deplorável da vida económica, laboral e politica, decidiu voltar para trás, escudando-se no denso nevoeiro que naquela manhã se fazia sentir. Português dói pela angustia de nada poder fazer para travar este comodismo e passividade que se instalou na vida portuguesa, onde ninguêm é punido pelos crimes que comete, nem responde no banco dos réus pela irresponsabilidade dos erros que fez. TMara é sempre agradável passar por aqui para ler estes fabulosos escritos que tu aqui nos apresentas com tanta pertinência.

Vera Cymbron disse...

Não conhecia também...

Eu gosto ainda de pensar que há uma solução algures...
Jinhos