08 novembro 2004

DOS SENTIMENTOS E TUDO O MAIS ENCADEADO NAS PALAVRAS

Shy Girl ...e o medo de falar. Ainda mais o de escrever.
E no entanto o gesto suicida
de jogar para o papel os sentimentos
sem rever.
Porque afinal os sentimentos
não se podem rever e ajeitar.

O peso das palavras, do que digo,
que os outros me devolvem como um fardo
e porque o medo surge donde não espero The Thinker
e eu hesito, se mando ou não, se vai doer algures
e eu.... não quero
busco saber como se sente o outro.
E num gesto que é já revolta
meto tudo e mando. Porque se não sei
que estranho mal ando espalhando
se não sei onde firo e sangro
então, melhor é deixar correr a voz que fala
e não sei donde vem,
pois as consequências não alcanço.
Mas porque o medo existe, eu falo.
Agora de mim falando, tentando
que as palavras façam sentido e eu perceba
porque tanto perigo há em falar
dizendo o que sinto, como em calar... Zany
E assim busco
nestes pássaros loucos que voando sussuram
um som estranho
que ninguém entende.


nem eu, que os solto, em bando! Moon Email DoveEmail Origami Moon 2Email Sun 3 Email Origami

(Inédito)








07 novembro 2004

FLORIDOS CAMPOS

FIQUEMOS COM ESTE PENSAMENTO PARA A SEMANA QUE COMEÇA:
Sunny
«Os nossos aniversários são plumas na longa asa do tempo».
(Jean Paul Ricter)





JÁ QUE O MUNDO É UMA BOLA QUE REBOLA (parte 2)

DoofusInicialmente Mércio Silveira cortara, de imediato, com a televisão.
Depois, ou por inércia ou por factores que nos escapam, voltara a ligá-la.
Entendera que a televisão era o veículo dos veículos. O veículo privilegiado para o total controlo da mente. Bastava lembrar-se das mensagens subliminares para se arrepiar, mas, mesmo que "eles" não recorressem a esse expediente, os próprios conteúdos, com as suas mensagens socio-culturais induziam, e conduziam os indivíduos, qual pacífica manada bovina, no sentido desejado, alimentando-lhes o ego, dando-lhes ilusões de auto-determinação, do uso de opções individuais que mais não eram do que uma falácia, face à indução/moldagem cultural a que estavam sujeitos.
Mais tarde, sem livros, sem a televisão, sem amigos - a amizade era, no pensar de Mércio Silveira, um engodo humano e social . Quer dizer: não acreditava!
Em sua opinião o ser humano era um ser egoísta, tudo o que o movia era o interesse, qualquer que fosse, e o lucro, imediato ou, em casos mais racionais ou pragmáticos, mediato.
A tão propalada solidariedade era, em sua opinião, um conceito propagandístico alimentado pelos media com o fito de fazer as pessoas sentirem-se melhor com as suas tão pesadas consciências e as suas mesquinhas vidas.
Assim, a modos que a prestação e amortização de uma parcela no céu. Ora acontecia que ele tão pouco acreditava no céu, nem no inferno.
Para Mércio o inferno era a vida terrena, em si, e cada vez mais infernizada por "eles", pelo controlo condicionante que, de forma subtil, exerciam sobre os humanos, iludidos estes da sua capacidade de decisão e escolha. Alienados afinal até ao extremo do que a alienação pode ser. Sem consciência de tal.
Meros animais irracionais iludidos sobre a sua própria racionalidade.
Depois de reflectir sobre estas questões chegou Mércio à conclusão de que uma outra forma de se alienar seria a de se isolar do mundo após ter chegado à descoberta desta terrível manipulação e engodo.
Assim, considerou ser-lhe vantajoso continuar a assistir aos programas, à propaganda, a tudo o que projectavam induzir, porque sendo ele Mércio da Silveira o único humano capaz de filtrar as mensagens, de as isolar e assim identificar as estratégias do adversário preparando-se previamente para elas era o único que as poderia combater e, pelo menos salvar a pele e, talvez, salvar mais alguns humanos de uma vida dia a dia mais robotizada.

FIM DA 2ª PARTE!






06 novembro 2004

JÁ QUE O MUNDO É UMA BOLA QUE REBOLA (parte 1)

Earth E NÓS COM ELE, dado não termos asas para voar, até contrariando o sentido em que esta bola roda sem parar, só para mostrar que também somos gente, com personalidade, que não temos que andar no sentido que ele quer. Sempre rodando como uns tolinhos e até nos esquecendo que andamos rodando , em risco de sermos projectados espaço fora, caso o mundo tenha, por exemplo, um soluço, ou se engasge...
Assim pensava Mércio Silveira, solteiro, vivendo só, contabilista de profissão e homem acomodado nas suas rotinas. Pois após aquela pérola de alta filosofia sobre o mundo no espaço,( que lhe levara dias, quiçá semanas de elaboração mental e admite-se fundira alguns neurónios, dos poucos que utilizava), sentença com a qual muitas vezes começava ou terminava as conversas, concluíra que o livre arbítrio não passava de uma treta com que "eles" (nunca soubemos a quem se referia, mas percebia-se que a uma espécie ou elite manipuladora da humanidade) nos queriam enganar, para pensarmos que éramos, de facto gente, concluira ele, não valer a pena fazer ondas, remar contra a corrente ou incomodar-se com o que quer que fosse.
Mais, nem sequer valia a pena desejar coisas, por mais elementares que a nós pareçam.
Segundo Mércio Silveira o homem não é mais do que um animal, que nasce, vive e morre e mais nada. Claro que para viver tem que executar algumas funções vitais como comer, beber, dormir, defecar,...e, óbviamente, ter um trabalho que lhe proporcione meios de sustento! Todas as outras actividades são ilusões criadas e projectadas nas nossas mentes para nos manterem enganados e ele, como homem esperto e precavido, percebera o complot pelo que não entrava nelas.
estava ali, no sua poltrona de orelhas, onde antigamente lia, que para isso ela era adequada, mas os livros haviam sido banidos por ter concluído serem um dos meios viciados. Dizia eu, que ali estava, na sua poltrona de orelhas, a comer pipocas e a olhar a televisão.
Confusos? Porque é que baniu os livros, e a televisão continua no seu quotidiano?
Bom essa parte fica para outro dia.




05 novembro 2004

FALAREMOS. NUM MURMÚRIO.

Rainbow Falaremos. Num murmúrio.
Do pó de estrelas que semeámos
ao pentear os cabelos dos amantes.


Falaremos. Dos cometas que largámos. Comet
Dos sóis que retirámos Sun 2
do calor do nosso lume.
Das estrelas que tirámos Stars
do céu e colocámos no mar.


Falaremos. Falaremos das outras.
Das que inventámos
nos sonhos ainda não sonhados Sun 3 Moon 2 Stars Moon
e ancoraremos
em céus por descobrir.

Falaremos sós.
Sorriremos fazendo nascer o sol Sun 2
e partiremos.
Completos e cumpridos.

(Do livro: AS TAREFAS TRANSPARENTES)







04 novembro 2004

I FEEL SO BLUE...!

TODAY I' M FEELING SO BLUE....Crying Into Tissue

É um sentimento que corre por dentro de mim. Em sítios desconhecidos. Como por exemplo um que designamos por alma.

Não se alarmem, não choro! Pelo menos que se veja...!
É mais a sensação de que nada está bem. Um mal estar indefinido, mas constante, um descontentamento - que não é como o do amor num soneto de Camões: "um(des)contentamento...(des)contente" (inverti os termos), um amargor de alma que doi e queima sem sabermos como lhe acudir.
Só vos digo: um disparate pegado!
Corre-me como um vento suão, carregado de febrilidade e de areias corrosivas que provocam abrasão e dor, na passagem.
De ventos assim, que se levantam sem razão aparente - quer dizer que as razões andam dentro de nós, submersas. Propositadamente ignoradas - tudo se pode esperar e neste tudo não há muita coisa boa, esperançosa, previsível.
É antes como um terramoto seguido de uma onda gigantesca que arrasa, devasta, queima,... deixando tudo a nú.
E aqui deve residir o busílis da questão: em tudo ficar a nú!
Nós, completamente nús na nossa alma. Perante ela. Sem racionalizações, logo sem escapatórias, justificativas ou razões.
Ficamos reduzidos à mais pobre espécie de terra queimada.
O trabalho é agora o da reconstrução.
Dói muito quando assim se magoa alguém.
Aceitam estas flores?
Animated Flowers





WARNING - AVISO À NAVEGAÇÃO!

A QUEM POSSA INTERESSAR!
Bubbles Email
Algumas pessoas amigas alertaram-me para a dificuldade de inserirem comentários, pois é-lhes solicitado que se inscrevam, praticamente como futuros bloggers. A alternativa é colocar o comentário e, no final deste deixarem o vosso nome ou nick.


Sunny



POEMA DAS PORTAS FECHADAS

Door Door Door Door Door Door Door
Batia à tua porta e ouvia
(aconchego). Voz doce e companheira.
sentia-te-nos solidários.

Aceite. Não necessariamente justificada.

Discordância - semente - crescimento.

Som cristalino destinado a repor a unidade.

Bati á tua porta e um eco me respondeu.

Fiquei. Docemente embalada

no que o eco me trazia.

Bati à tua porta e só a minha voz

ouvi. E pus-me a bater, como louca.

A bater mais e mais e sempre....

E cada vez que batia andava,

no espaço, um percurso ao contrário.

E louca, batendo àquela porta,

descobri, que desde sempre,

era eu quem respondia.

recuei recuei recuei recuei ...

Não encontrei a tua voz. Só murmúrios.

Não encontrei o teu calor. Só cinzas.

Não encontrei o teu gesto. Só o esboçar.

Bati a uma porta. Bati a todas

as portas que encontrei. Sendo

todas as portas a tua, a mesma,

hermeticamente fechada.

(Do livro: AS TAREFAS TRANSPARENTES)







03 novembro 2004

O INCONSOLÁVEL DIA

Cry
FOI SOL DE POUCA DURA(a esperança!)
Black Cloud Rain Cloud
O DIA CHORA, INCONSOLÁVEL!
As estimativas, quase resultados, dão a vitória a G.W. Bush.
O SENHOR da guerra, dos armamentos e das armas domésticas que tantos mortos provocam e colocam os E.U.A.N. no ranking da violência in-door e out-door.
O homem que rompeu o acordo de Quioto (controlo dos efeitos poluentes para protecção do meio-ambiente. Leia-se MUNDO Earth) e assim pretende manter-se.
Palavras....? Leva-as o vento. Espero que as que aqui deixo cheguem a ouvidos que as ouçam Ear






ENFEITEI_ME.JULGUEI-ME BELA.

Princess Enfeitei-me. Julguei-me bela,desejada.
Amada. Acreditei-me. Enganei-me.
Teci feitiços com o pensamento.
Neles pus tudo. A ternura, a paixão,
a alma, a vontade forte e o querer.
Tudo em vão. A vida é uma janela
numa carruagem de luxo, mas somente
para alguns dos muitos que lá vão.


(Do livro: AS TAREFAS TRANSPARENTES)




QUE MUNDO ENCONTRAREMOS AO ACORDAR?

Cry Mummy???? OU
Rainbow
Earth
Sei que é uma mera pergunta de retórica, ou, pior ainda, de... lana caprina...
Bom, mas as eleições americanas poderão, no curto prazo, fazer inclinar-se o fiel do equilíbrio mundial no sentido da continuação das guerras em nome da democracia e de ...(não invocar o seu nome em vão é um dos mandamentos da religião desses que tanto o fazem!), ou produzir uma reavaliação, no conjunto das nações, no real e efectivo respeito da democracia, tal como ela é/está e na efectivação de uma política ambiental que torne o nosso belo planeta um projecto exequível no longo prazo.!
Mas não! Não pensem que me iludo sobre os factos. Não penso que os E.U.A.N, deixem de repente o seu estilo de vida, mudem tantos dos seus valores e se tornem aquilo que apregoam e de que tão distantes andam: os paladinos da democracia, dos direitos humanos (direitos onde se integram os ambientais) e da paz.
Pequenas mudanças nesse sentido já seriam muito bem vindas. Esperemos que o acordar nos traga essa esperança, pois nas actuais circunstâncias ESPERANÇA, já está de bom tamanho!

Psychedelic






02 novembro 2004

ESTUPIDEZ!


Cold Water

Sabem qual é o cúmulo da estupidez?

?????????????????????????????

Tenham um muito BOM DIA e não façam (muitas) asneiras!








ERA UM TEMPO DA ALMA




Carve A Tree

Era um tempo da alma.

De alma a alma o fogo
se ateou e inscreveu-se
no verde alto das
altaneiras árvores.

E foi no verde que
as almas se incendiaram
brilhando no céu,
como estrelas fugazes
e breves.

Era um tempo da alma.

Foi no verde mais verde
e no mais alto
das altaneiras árvores
que as almas se inscreveram
e incendiaram. Cintilantes
paletas de luz.


(TMara - inédito)











01 novembro 2004

BOM NOVEMBRO PARA TODAS/OS

Pus-me a caminhar
pelo areal
antes dunas

Com as mãos
deitei o corpo ao mar

Pra meu espanto
pôs-se a navegar
feito barco

névoas de espuma.

(Do livro: AS TAREFAS TRANSPARENTES)