08 setembro 2005

"Vemos, ouvimos e lemos...."



O Ciberduvidas da Língua Portuguesa está em risco de encerrar
por falta de apoios.

Um projecto desta natureza e amplitude (com a notoriedade que atingiu (em Portugal, no Brasil e demais países lusófonos), é um verdadeiro serviço público em prol da Língua Portuguesa, como não há outro no espaço da lusofonia[...]

ASSINA

DIVULGA

Diz: NÃO!


«VEMOS, OUVIMOS E LEMOS, NÃO PODEMOS IGNORAR*....»

Muitos de vós (para não dizer todos) terão visto, ouvido e lido ambas as notícias.

O relatório da ONU sobre o combate à pobreza no mundo, e a morte do menino Daniel Carvalho, em Portugal.
E é óbvio que estão ligadas.
Como se ligam, fortemente, com invisíveis mas densos e (por ora, quase) indestrutíveis laços, todas as manifestações das variadas pobrezas, desde a estruturação até à sua manutenção, nas múltiplas formas que assumem no planeta e neste nosso pequeno rectângulo peninsular.

«Conclusões do relatório da ONU são "deprimentes"
Morrem 1200 crianças por hora devido à pobreza
07.09.2005 - 15h19 Lusa, PUBLICO.PT»
Ou seja, se fizermos as contas: 900 mil/mês; 10.800.000 (dez milhões e oitocentos mil ano) -

Por cada dólar gasto em ajuda, os países ricos gastam dez em orçamentos militares, diz a ONU, acrescentando outra comparação: a despesa actual com a sida, uma doença que custa três milhões de vidas por ano, representa o valor de três dias de despesas militares.

"Os sete mil milhões de dólares necessários anualmente, durante a próxima década, para disponibilizar o acesso aágua limpa a 2,6 mil milhões de pessoas, é menos do que os europeus gastam em perfume e menos do que os americanos gastam em cirurgias plásticas". Aquele investimento pouparia cerca de quatro mil vidas por dia.” (O relatório de desenvolvimento humano de 2005 do PNUD)

Mas as diferenças não se reflectem apenas entre países. A ONU acentua que há muitas outras diferenças internas a impedir o desenvolvimento humano.»

E aqui dão o exemplo da escolaridade (ou sua ausência)no México.
Olhemos o nosso país, atentemos nos números nacionais de analfabetismo, real e funcional, insucesso e absentismo (para não ir mais longe).
Atentemos e não esqueçamos os crimes hediondos contra a infãncia que se propagam como os incêndios, de norte a sul.
Estamos ainda no quadro das múltiplas pobrezas, todas englobadas num conceito único de pobreza.
O que havemos de responder aos nossos filhos, netos, sobrinhos, etc, quando nos perguntam sobre tão horríveis acontecimentos?
Como salvaguardar-lhes a pureza e a inocência (inclusivé a nossa, que uma boa dose faz sempre falta para humanos nos mantermos)?

Com que olhos os olhamos, como nos olhamos ao espelho? Individualmente não somos responsáveis DIRECTOS, mas um peso colectivo e nacional abate-se sobre nós, ameaça-nos, se não agirmos, se continuarmos a pensar que só acontece aos outros.

Com que olhos, alma e ânimo, olhamos as crianças com que nos cruzamos na rua, mais desprotegidas do que as nossas (pensamos nós, mas é uma ilusão. Neste mundo que temos vindo a criar, a deixar criar, ninguém está protegido.
Todos podemos, mais tarde ou mais cedo, estar nús, rôtos e famintos - virtual e literalmente.
Todos igualmente desprotegidos como nos dois momentos mais marcantes da vida: nascimento e morte, independentemente do local onde tal ocorre.É assim que todos estamos, somos, nesses momentos.

Portanto, como olhar estas crianças maltratadas (física, moral e psíquicamente) que também são nossas?
Todas as crianças são um compromisso com a vida e com o futuro! Colectivas portanto.

«"Apesar de tudo, nos últimos 15 anos anos registaram-se alguns progressos.

Nos países em desenvolvimento as pessoas estão mais saudáveis, mais instruídas e menos empobrecidas.»

Que pena o estudo não ter incidido largamente sobre a nossa realidade (não sobre os manipulados números dos políticos).
Veríamos se os resultados coincidiam com estes globais.

«" Desde 1990 a esperança de vida nesses países aumentou dois anos, há menos três milhões de óbitos de crianças por ano e há mais 30 milhões de crianças a ir à escola.

No entanto, "no meio de uma economia global cada vez mais próspera, 10,7 milhões de crianças por ano não vivem para celebrar o seu quinto aniversário e mais de mil milhões de pessoas sobrevivem numa pobreza abjecta, com menos de um dólar por dia", lê-se na introdução do relatório.»

Só para ter uma perspectiva mais próxima da dimensão deste problema social lembremos que dez milhões e oitocentas mil crianças correspondem à população TOTAL do país, acrescida de 443.883 pessoas.

N.B - 2º dados definitivos do CENSO de 2001 (INE) a pop. total de portugal é de 10.356.117, e a de crianças [0-14 anos] de 1.656.602.

* Sophia de Melo Breynner-Andresen





07 setembro 2005

Uma COISA BOA e uma coisa má

UMA COISA BOA & UMA coisa MÁ

Começo pela boa!


IMPERDÌVEL uma antologia de poemas do escritor António Rebordão Navarro, sob o título (delicioso título): Longínquas Romãs e Alguns Animais Humildes, compilada e prefaciada pelo escritor Francisco D. Mangas.

Os poemas que constituem o livro, «Os Animais Humildes» teve uma primeira edição de autor em 1956, não tendo sido reeditado pelo que o conjunto destes poemas sobre os animais (humildes, os que ignoramos no dia a dia), dos quais diz a brochura da ASA: «O autor contrapõe o mundo dos bichos ao dos homens, e mostra-nos que essas humildes criaturas encerram dignidade, mais dignidade do que os homens, e uma beleza de que se colhe um exemplo magnífico no poema O Pardal:

“Leva um pouco de nuvens sobre as asas,

com as papoilas ri-se dos espanta-pássaros

e engorda sem suspeitar do visgo

da armadilha, do chumbo.

Irmão se S. Francisco como os outros

baloiça-se nos trigos, nos arames

e, de manhã, penteia-se nos espelhos de chuva.”

A selecção feita por F.D.M. abrange poemas de toda a obra poética deste autor e aconselho-a vivamente a quem gosta de boa poesia.

A má:

Houve um equívoco com a conta de electricidade que me obrigou a deslocar-me à sede da E.D.P, no concelho.

Duvidando da morada procurei na lista. Não achei. Liguei para as informações, solicitando telefone e morada, o que, obviamente, me foi facultado.

Aí vou eu de autocarro para a morada referida. A saída do autocarro ficava a cerca de 2 km do endereço facultado. Como não gosto de estar parada, perdendo tempo e despendendo energia à toa na cidade, para médias distâncias, uso as pernas - já confirmei que os tempos de espera mais os de transporte ultrapassam os da deslocação pedreste...Bora lá, Maria....

Chegada ao local, de papel em punho, procurei no nº e andar referenciado. EDP???? Nááááá!

Desci as escadas e inquiri, a dois indivíduos que cavaqueavam, onde ficava.

Depois de fornecida a resposta constatei que ficava exactamente no ponto do autocarro onde iniciara a minha caminhada e que já para ali mudara há mais de UM ANO!.

MORAL (se é k há alguma)- não é o transtorno.

A outras pessoas, mais velhas ou com dificuldade de locomoção e pequeninas reformas seria tudo transtorno, e mais.

É a ineficácia da Portugal Telecom, até há pouco operadora monopolista.

Se perguntasse pela residência da D. Joaquina das Couves, até dela deviam ter os dados correctos nos computadores de acesso aos chamados serviços informativos, pois que quando alguém muda de casa os informa para a respectiva mudança de telefone. Mas neste caso trata-se de um serviço aberto ao público.

Mal vai esta nossa pequena casa. Cada vez mais pequena, tantos são os disparates e desmandos que a encolhem.


E DUAS outras coisas:1) dêem uma passadinha pelo Balão D'Ensaio
2)Passem na Vera Cymbron o blog faz hoje UM ANO :)
Parabéns Vera:)


06 setembro 2005

Hoje é dia de festa maior

HOJE É DIA DE FESTA MAIOR
(para mim, na minha alma)


Sim, maior, porque todos os dias são de festa quando acordo e respiro, bem como as minhas três filhas e neta e mais um punhadinho de amigas e amigos.


Porque hoje a minha filhot'Alexandra, (re)nasce.

Alguns de vocês já leram alguns textos dela no, até agora abandonado, ou em pousio, blog.
[Estava a acabar o trabalho final de curso, uma monografia (mãe babada diz: teve 18). Daí, comprende-se...]

Portanto faça-se a festa, rejubilem os corações, pois é uma pessoa liiiiinnnndddaaaaaaaaaaa!


Quando tinha dois anos e meio, no campismo, sentadas em almofadões numa bela falésia sobre o mar e com janela (exterior e interior) para o pôr-do-sol, virou o prato da sopa. Antes que eu abrisse a boca argumentou:
«Não te zangues mamã, a almofada tinha fominha!»


Tu sabes o que te desejo minha filha.

04 setembro 2005

CRÓNICAS DATADAS III

CRÓNICAS DATADAS III





NO CINTILAR DOS DIAS (Agosto, 2002)

Há dias estivemos, um velho amigo e eu, a trocar impressões sobre alguns aspectos, com pontos em comum, das nossas vidas, bem como a tecer algumas considerações, sem terem qualquer presunção de serem mais do que isso.
Considerações de duas pessoas que, conhecendo-se e respeitando-se, num momento, não programado de conversa, pensam sobre o correr dos tempos, as mudanças e o impacto destas na vida de todos nós e nas expectativas que o 25 de Abril, ao integrar Portugal nos países com regimes democráticos, permitiu que florescessem na maioria de nós.

Não foi uma conversa saudosista. Longe disso. Foi uma conversa de quem sabe os caminhos por onde andou, os objectivos que o nortearam e o investimento que pôs nesses projectos. Foi um olhar racional sobre o caminho andado e uma reflexão sobre caminhos possíveis, pensando e agindo para que o caminho que formos construindo continue sendo coerente com os nossos valores, princípios e algo muito difuso, por muitos considerado ultrapassado, talvez caduco e outros epîpetos menos gentis que já tenho ouvido serem utilizados para a nomearem. Falo desse algo a que chamamos consciência a qual decorre de princípios e valores sociais e morais.

Curiosamente muitas das pessoas que consideram algumas das posições tomadas e defendidas por outros, em nome desses abstractos, fugidios e porque não dizê-lo, subjectivos princípios e valores, obstruções ou, no mínimo obstáculos de passadistas retrógrados, insistem em afirmar que a maioria dos problemas sociais decorrem do que denominam “ a crise de valores da sociedade”.

Não sei se detectam, como eu, a incongruência de quem toma ambas as posições? Ultrapassados os que defendem ideias, princípios e valores. Os que pensam com as suas próprias cabeças e de acordo com o quadro de referências que a sociedade lhes forneceu ao longo da vida, em curso, e do processo de socialização que vivenciaram/vivenciam e que, em cada dia, os constrói e reconstrói nas suas interacções.
Crise de valores quando a sociedade não responde ou... não corresponde ao que eles querem.
Em nome de quem?


02 setembro 2005

E mansos correram o dias

E mansos correram os dias

na fruição calma da natureza, na leitura de livros, na conversa, nos breves mas gostosos passeios entre o campo e a praia.
Na revisitação de lugares e pessoas amadas.
Uma paz imensa caíndo na alma, como gotas de água que tudo limpam e revigoram.

Assim, transparentes e puras, intocadas como as primeiras águas.

Post scriptum: Passem no
Balão D'Ensaio e descubram uma surpresa doce que tive.


01 setembro 2005

Voltei!

VOLTEI!

Confesso que custou!
Demorei mais dois dias do que o previsto a cortar as amarras e poder velejar (figurativo), para norte, apesar das saudades destas nossas descontínuas, mas, de alguma forma complementares ou, pelo menos, síncronas conversas de alma.

O que queria mesmo era ficar, mais, muito mais.
Lá respiro. Lá, me alimento de ar, sol, mar e das alentejanas (conhecidas e desconhecidas - minhas) gentes.
(Espiritualmente falando).

ERA ASSIM a vista do caminho para a praia, que adoro percorrer a pé. ...
Para ir abrindo e alimentando o espírito.
PICT0493.JPG


PICT0494.JPG



Caminho, no final do qual me esperava um mar como este:

PICT0498.JPG

PICT0500.JPG


PICT0508.JPG

e onde até as pedras falam connosco. Só temos que estar atentas/os. Ora abram bem os ouvidos interiores e...escutem:

PICT0528.JPG

PICT0540.JPG

PICT0543.JPG

E na aridez dos solos reclamando água, das plantas mirradas e queimadas pelo sol, brilhavam duas pequenas flores que colhi e trouxe, para vós, como oferenda.

PICT0552.JPG
UM OBRIGADA, a todas e todos.
Cheguei hoje, tarde.
Tinha mais de 250 e-mails. Vou levar tempo a por tudo em dia, bem como as leituras atrasadas por vossas casas.
Mas por lá irei.
Aguardem-me com água fresca e a vossa companhia.
Tanto me basta e compraz.
Um, até já...