Mostrar mensagens com a etiqueta ficção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ficção. Mostrar todas as mensagens

15 julho 2007

Ocorrência

Caminhava pelo meio da rua, deserta de veículos, para sentir o calor do sol, quando o sino bateu as doze badaladas.
Parei um pouco a olhar o azul lá longe, claro, cristalino, vibrante….
Segui.
Desaguei, toda eu água ou luz, na praça central da cidade, ponto de encontro, por norma povoada por grupos de homens estáticos como pombos na calçada, pela qual circulavam velozes raios luminosos tecendo linhas radiais no meio da imensa mole parada, descontraidamente vozeando e aguardando.

Deserta.
Para além de mim, deserta!
Nem gente, nem lojas abertas. As casas com portas e persianas cerradas.
Parei e respirei fundo.
Durmo e sonho,…,troquei as horas…
….às tantas o sino deu as doze badaladas da meia-noite….

Ergui a cabeça, toda ela, não só os olhos, para o alto.
Impossível. O céu continuava de um azul translúcido e vivo, claro e luminoso. O sol brilhava num céu imaculado.
Confusa percorri ruas e ruas na cidade. Todas desertas. Todas adormecidas.

Peguei no telemóvel e liguei à Ana João. O telefonou retiniu até quase à exaustão da minha paciência antes que ela, com voz ensonada e irada, atendesse despejando de rajada: “Oh mulher, mas o que é que queres a uma hora destas? Não sabes que me levanto às 06H00?”
Sobrepondo a minha voz à dela disse-lhe para ir até à janela, abri-la e
olhar para o céu….
Despejou um chorrilho de palavrões que lhe desconhecia, que não posso nem sei repetir, e ordenou-me, já aos gritos: “ vai mas é dormir que o teu mal é sono!”
E trás! Desligou-me na cara.
Não obedeci à intempestiva ordem e aqui permaneço.

Os cafés da praça deixavam sempre as mesas e as cadeiras montadas
a não ser que o mau tempo fosse de tal monta que tornasse impeditivo tal costume.
Mas não. Havia muitas mesas.
Todas vagas!
E inúmeras cadeiras que pareciam flutuar, boiar à deriva, na agora imensa praça deserta.

Sentei-me numa, à espera que a cidade acordasse e eu entendesse a ocorrência.

Ainda aqui aguardo.

02 fevereiro 2007

em longínquas madrugadas


Em longínquas madrugadas amei o teu corpo. Ou devo dizer: os nossos corpos amaram-se?

No leve despertar do último sono o toque da pele nua.
A vibração rutila do sangue percorrendo-nos até à alma.
Invocando, convocando o acto físico de amar em que nos transcendíamos fundindo corpos e almas num só, numa só.

Nós, um só, iluminando a vida e assim a saudando.