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16 janeiro 2008

continuação do post "oferta e desafio"


Continuação do excerto do 1º texto da 2ª parte do livro Salvador o Homem e Textos Inconsequentes à venda através da edium editores quem não leu ou quiser reler, p.f. clique aqui e vai lá ter.


«(...) E ela a mulher, a falar e eu sem a ouvir. A julgar que sim.

Ouvi o motor do carro e avistei-o lá longe na estrada velha. Uma longa cauda de pó esbranquiçada brilhando pelos reflexos e refracções da intensa luz tal a cauda do vestido de casamento da mulher quando a esperei no altar.
Ela a chegar ao altar e a cauda branca a brilhar miríades de estrelas tapando a passadeira carmim arrastando-se em sussurros de vozes que já não sei, mas sussurrando, e ela, a mulher, já quase no altar a pouco mais de um metro de mim que a esperava mas fitava a longa cauda qual via láctea estrelando ainda a porta da catedral. Assim a cauda de pó levantada pelo carro.

A noite caiu e nada e ainda assim eu a julgar que sim.
Passou a hora de jantar de cear e eu a julgar que sim esperava a mulher. (…)»

09 dezembro 2007

Oferta e desafio

«E eu a dizer que sim…


E eu a dizer que sim eu a julgar que sim e afinal não. E enquanto eu dizia e pensava que sim a mulher falava e sem lhe ouvir as palavras nem mesmo a olhar sabia que tudo nela dizia que não.
A vida a correr louca e nós cavalos com freios cada um a julgar para seu lado a julgar que julgávamos pensávamos e queríamos o mesmo, mas não.
Porque o real é uma coisa e o que cada um julga acha pensa, e disso se convence, outra.
E cada um a julgar que sim só que o sim de cada um era coisa diversa. Eu a julgar que a nossa diminuta conversa, comunicação, se devia ao facto de nos entendermos até no silêncio às escuras, vendados os olhos nos encontrarmos nos reconhecermos para além da pele. Mas não. Eu a julgar que sim mas não e ela, a mulher, a julgar diferente do que eu julgava. A julgar-me e a raiva insidiosa a crescer nela como o filho que nunca parimos.
E ela a falar e eu a julgar que sim sem a ouvir porque não era preciso ouvi-la. Sabia-a. Conhecia-a. Reconhecê-la-ia. Às escuras vendado cego sem tacto. Reconhecê-la-ia para além da pele. Eu a julgar que sim.
Mas ela mulher, já não égua nem cavaleira, mulher-centauro, abalara à desfilada a inventar novos caminhos a criar mundos que eu desconhecia, nem julgava possíveis, enquanto continuava estirado na cadeira da varanda a julgar que sim a ler o jornal os livros a fazer palavras cruzadas a desvendar charadas porque para mim tudo era manso lago antigo e seguro reconhecido e único território inamovível e inalterável em rotinas de bem-estar harmonia compreensão. Para lá das palavras.(...)»


Excerto de um dos Textos InConSequentes que constituem a 2ª parte do livro


P.S - No lado drtº têm a foto do livro e o email da EdiumEditores