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10 janeiro 2012

Gestos com sentido

Gestos com sentido


caio
mas só
para me
levantar
caio.

esboço o gesto
penso-me
crisálida…

rasgo-me
para me renascer.
Conceição Paulino

09 janeiro 2012

a partir do poema "Esta Lira de mim - poema para Maria de Magdala - ver original no link abaixo



Que manto de silêncio assim te esconde* 
dos ávidos olhares que te buscam?                          
Perdidos os teus passos numa fronde
teu nome, lenda e força  ofuscam      
a memória que de ti roubaram.

O vão aviltamento superaste.                  
Eles, no esquecimento se quedaram                      
mas tu, no firmamento, perduraste.  
A lenda que o sem tempo deslumbrou!*
Maria Madalena, puro amor

d’alma cresceste,  tudo enfrentaste.
Sofreste mas, com ânimo e fervor,                                                                              
entre os astros um lugar ganhaste.
A boa nova, espanto e maravilha*
p’lo mundo, tempos fora, transportaste  

feita fonte, alimento e partilha.
Maria Madalena, ou Maria
de Magdala, ao Olimpo ascendeste.              
Nos céus brilhas, farol e nossa guia.
De Norte a Sul, de Poente a Este.

O turbilhão dos tempos te tragou*
num gesto leve, e à vida te ofertou.

Conceição Paulino
02.01.2012
S. Mamede de Infesta
* 4 versos do poema Esta Lira de Mim – poema para Maria de Magdala, de José-Augusto de Carvalho

02 dezembro 2011

sobrevivência

sobrevivência

confiava |porque
                   não?|
afinal eram
                   todos
humanos   |seriam?|

renasceu

|um
vendaval destroçou-lhe a crença.
 ela,
___________  reconstruiu-se|
                                              
                    fénix.

29 novembro 2011

amálgamas

amálgamas

debaixo do tecido  __________
______________se tece
                                      o corpo.
ossos marfinados
amálgama de carne e
vontade do ser
ou o ser que 
|em vontade|
se tece
constrói move e
anima o corpo
|que o abriga|
movimento que os tecidos
contagia.

suave ondular de tecituras.

26 novembro 2011

era o tempo

era o tempo


era o  tempo das romãs

               as romãzeiras floriam

cobriam-se de flores e frutos
e todo o tempo era o
tempo das romãs

bagos de rubi  floriam as bocas.
eram risos e sorrisos.

guardo em mim o suco
de cada bago que sorvi.

o suco da vida

da vivida
e da que ainda não vivi

porque o tempo das romãs existe

em mim.

05 novembro 2009

parque - poema sobre a palavra do fotodicionário

Esta semana no Fotodicionário a palavra escolhida para representação fotográfica foi esta: PARQUE.
Sobre a palavra escrevi dois poemas.Um que aqui deixo, e outro que podem ler no meu blog "A Cor da Vida".

a propósito da palavra parque



emparco!? emparco? não.
envarco! ai as consoantes
pê vê bê… embarco!
embarco num barco.

baca vaca voi boi
emparco ou embarco?
barco ou varco?
se for varco envarco.
navio ou nabio?
embarco ou envarco?
ou emparco...

se for parque emparco.

à cautela
embarco envarco
e…emparco!


Conceição Paulino
Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Sobre a palavra PARQUE do Fotodicionário de 5 de Novembro
Como representação fotográfica enviei a seguinte montagem:

03 abril 2009

No comboio descendente


No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada

No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
Os outros a dar-lhes trela

No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada

No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não

No comboio descendente
De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa

20 fevereiro 2009

partiste sem aviso


partiste sem aviso.

um papel
uns rabiscos
no móvel da entrada.

tudo se turvou
e em torvelinho
desapareceu.

somente: “perdoa
ficou e sobreviveu.

09 fevereiro 2009

a manhã

No passado sábado, pelas 21H30, com presença marcada no 1º f.s. de cada mês, decorreu,em Vermoim, no edifico da antiga da Junta de Freguesia de Vermoim, um encontro de poetas. Podem ver a reportagem do Zé Gomes aqui.
Infelizmente por várias razões, sendo a mais pertinente a ausência de transporte, não sou assídua. Foi a 2ª vez que pude comparecer. Mas fi-lo com gosto e grato prazer. O mote era: "manhã" e este um dos poemas que escrevi para a ocasião.

a manhã


a manhã sempre representa
um grito de vida e esperança.

grito
contido iniciado
entre o tudo e o nada
entre o alfa e o ómega
a escuridão e a luz

ao nascer a manhã
céu, mar e terra fundidos
dialogam murmurado diálogo
desde o início dos tempos
renovado

os elementos de Gaia
despertos
avaliam o humano
desempenho e…empenho
decidem a continuidade
do mundo
tal como o conhecemos
ou a total renovação
e necessária depuração

mas na manhã a compaixão
de Gaia por seus filhos
prevalece

sempre nos dá…mais um dia
mais uma esperança
mais um momento
uma respiração
um voto de confiança
um alerta expresso
no separar das águas
no respirar do ar
no incendiar do Sol
no lavado perfume
que da terra se evola
nos alimentos que
de seu maternal seio
brotam e nos oferta.

e assim a cada manhã
voto de confiança e esperança
em si contidos terra mar e céu
se separam e renovam
para que a vida aconteça
flua e nós…Acordemos.

08 dezembro 2008

OS CAVALOS DO TEMPO



Os cavalos do tempo são de vento.
Têm músculos de vento,
nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

Perenemente em surda galopada,
passam brancos e puros
por estradas de sonho e esquecimento.

Os cavalos do tempo vão correndo.
Vêm correndo de origens insondáveis,
e a um abismo absoluto vão rumando.

Passam puros e brancos, livres, límpidos,
no indescontínuo imemorial esforço.
Ah! são o eterno atravessando o efémero:
levam sombras divinas sobre o dorso...


TASSO DA SILVEIRA, in Regresso à Origem, 1960

20 março 2008


como um rio que demanda
o alfa e o ómega
turbulentas
correm as águas -

não as contém as margens
pois limites não conhecem

nem aceitam -

toda a busca
é perpétua e sagrada

só o fogo de teus olhos
desvenda
o lugar de todas as respostas
e as aquieta

30 agosto 2007

Devagar (e uma rectificação)

Já publiquei este poema noutro blogue, há muito tempo, e hoje me apeteceu lembrá-lo aqui.
******
***
*
E AQUI, COM UM PEDIDO DE DESCULPAS UMA NECESSÁRIA CORRECÇÃO.
O SEU A SEU DONO!
Há tempos publiquei um poema que me enviaram, como sendo de Victor Hugo.
Hoje recebi um alerta, gentil alerta, de Maria Madalena do BLOG POESIAS E POEMAS QUE NOS TOCAM ALMA e reproduzo o referido poema que se intitula:
“ OS VOTOS ”
***
“ Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
***
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
***
Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezasE que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.
***
Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
***
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor eé preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
***
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
****
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
***
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cãoe ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.Porque assim você se sentirá bem por nada.
***
Desejo também que você plante uma semente,por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
***
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.
****
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.
****
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
***
Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,E que sendo homem, tenha uma boa mulher.E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,E novamente, de agora até o próximo ano acabar,E que quando estiverem exaustos e sorridentes,ainda tenham amor para recomeçar.
****
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. ”
****
cujo autor é Sergio Jockymann - 1978/***

Quem quiser pode conferir aqui e agradeço que divulguem a informação:


«IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.»

20 julho 2007

Planeta líquido


As águas alagaram o mundo
são rios, mares, oceanos…

correm
entre os pontos cardeais

colidem entre si .
enormes massas liquidas
erguem-se. Montanhas
abatem-se, esmagadoras,
sobre a terra
já inexistente e subjugada.

E TODAS AS ÁGUAS IRROMPERAM DOS HUMANOS OLHOS


20 junho 2007

Cai a noite

(Foto por TMara - Jardim da Cordoaria)


Cai a noite.
A noite cai
mas fica suspensa
dos céus. Negro véu
de sombras e breves
clarões de luz
velando
o rosto do mundo
tal rosto de bela mulher
que o olhar desafia.

Posted by Picasa

17 março 2007

convite

a todos os que por aqui passaram e quiserem deixo o convite a comparecerem,
sábado, 31 do corrente pelas 21h30,
no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta,
para participarem na apresentação do
1º volume da ANTOLOGIA de poesia, DezSete
iniciativa da EDIUM EDITORES

Aqui imagem da capa aberta.

O nome deriva do facto de a ANTOLOGIA ir colectar poemas de sete poetas de cada uma das 10 freguesias do Concelho de Matosinhos.

Neste volume, para quem anda na blogosfera, participam a Maria Mamede, esta que vos fala e o António Durval. acrescem, de fora deste espaço, Maria José Rocha, Teresa Gonçalves e Vitor Carvalhais.

Por último destaco o meu amigo Daniel Gaspar, poeta e auto-didacta, falecido.

Os poetas lerão dois dos poemas constantes da mesma e contamos com a presença de um grande

"dizeur" - o Amilcar, bem conhecido dos amanes da poesia.

Intervalando os poetas, o Carlos Andrade encantará com a voz a e viola.

Esperamos por vós.

Estas acções não têm sentido sem a presença dos amigos.

Mesmo daqueles que só conhecemos por estes caminhos e encruzilhadas.

P.S - agradeço divulgação.


11 março 2007

Foi só um som


foi só um som.

penetrou minha
consciência, do
corpo ausente,
e de volta a trouxe.

não foi um som
enorme
assustador.
mas foi um ...BUMMMM
como que amortecido
vindo das entranhas
da vida
e a consciência soube
que era
um som de muita dor.

de longe vindo
por isso amortecido
e não assustador
mas a consciência
soube.

soube que era
um som
cheio de dor
e foi tanta a dor
que a consciência
sentiu
que se propagou
a todo o corpo,
nervo a nervo,
e o corpo gritou
a dor de tantas vozes
que se tornou esmagadora.




A todos os 11 de Março e outros.
A todos os dias em que os homens se matam uns aos outros

26 janeiro 2007

Procuras-me


Procuras-me.

*

Ouço tua voz

chamando meu nome.

*

Observo-te percorrendo

a casa

divisão a divisão,

chamando o nome,

espreitando, em jeito

de brincadeira antiga,

cantos, armários,

atrás dos móveis....

*

percorres a casa

e chamas mais alto.

*

Um gesto de desalento

ou impotência

espelha-se em teu

corpo, teu rosto.

*

Incompreensão...

*

Parado

olhas ao redor

como quem avalia

os espaços já revistos.

E o meu nome continua

a vibrar na casa,

no jardim...

esqueces-te

de levantar os olhos

para o alto.
*

Sentada no crescente

Estou suspensa sobre ti.


(Foto de minha autoria)



07 janeiro 2006

Doía-lhe a alma

Foto de Vera Cymbron

Doía-lhe alma.
Por isso, com cuidado,
pegou nela
como coisa frágil
que é (pelo menos a sua)
e pô-la debaixo da chuva
mansa e fresca
que caía.
*
Por detrás das nuvens
O sol rasgou
um sorriso,
e a alma chorou
amargas lágrimas
pela incompreensão
no mundo, pelas destrutivas
e mesquinhas formas
de olhar o outro,
de o julgar,
mesmo não o conhecendo
sendo que o conhecer
alguém
nos não dá esse direito.
*
E a alma chorou
pela vacuidade das
palavras.

Palavras como:
irmandade, solidariedade,
Respeito, amor...

E tantas, tantas outras...

O sol, passando
por elas, amaciou a dor
e transformou-as
em miríades
de cintilantes arco-íris

iluminando os céus.

P.S - e sábado é dia de fazerem uma passagem no ORGIA
Espero-vos lá :)