16 outubro 2009

Maitê Proença, Rede Globo e portugalidade - I

Resposta da Rede Globo; minha resposta à Rede Globo-assunto vídeo de Maitê Proença, ontem,15 de Outubro de 2009:
«degloboeuropa@redeglobo.com.br

paraTostimara@gmail.com
data15 de Outubro de 2009 21:11
assunto re: [TVGI - Portugal] Fale Conosco
Prezada Conceição,

Estamos cientes do ocorrido, e em nome da TV Globo Internacional pedimos desculpas.
A seguir está o link em que a própria atriz explica e se desculpa com a nação portuguesa.

http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/post.asp?t=maite-proenca-pede-desculpas-me-considero-uma-portuguesa&cod_Post=231581&a

Atenciosamente,

Paloma Bachi
EQUIPE TV GLOBO INTERNACIONAL
http://www.tvglobointernacional.com.br/»
Minha resposta enviada para os órgãos de soberania Portuguesa  (P.R.; Embaixada de Portugal no Brasil) bem como embaixada do Brasil em Portugal e para a SIC (esta não respondeu ao 1º e-mail,ao invés da Rede Globo)
«deTMara

para"globoeuropa@redeglobo.com.br"
data15 de Outubro de 2009 22:07
assuntoRe: [TVGI - Portugal] Fale Conosco
enviado porgmail.com
ocultar detalhes 22:07 (Há 11 horas)

Exmos Senhores

   Grata pela vossa resposta.
Acontece que já conhecia o vídeo feito pela actriz há vários dias antes de vir a público nos media em Portugal.
Ia escrever à Rede Globo na mesma dado que foi por essa via, num programa que eu respeitava ( e que, contrariamente ao que esta afirma NÃO é um programa de humor) que a actriz "gozou, esculhambou, desrespeitou" Portugal e os portugueses - os actuais e os já mortos. E a nossa hstória.

A responsabildade é tanto dela como vossa. A ignorância e falta de cultura de que a actriz dá mostras é confrangedora.
De um analfabetismo cultural e de uma montanha de preconceitos lamentáveis que desabonam totalmente quem fez o vídeo e quem autorizou a sua passagem bem como todas as participantes na sessão daquele dia do vosso programa "Saia Justa".
O e-mail que vos enviei é posterior às falsas desculpas que a actriz aresentou.

Caros senhores não é só ela quem tem de pedir desculpas, e as desculpas que a senhora Maitê Proença apresentou são tão falsas que não têm sustentabilidade.
Basta estar atento ao vídeo, ao ridículo de tudo o que ela mostra - forma e conteúdo.
A senhora Maitê relata, como ela própria frisa, a ocorrência do não funcionamento da internet no hotel, "agora que não tenho a equipa portuguesa atrás" . Quem assim fala, para além de tudo o mais, mostra, à saciedade que está esculhambando despudoradamente de Portugal e dos portugueses. E não há como dar volta a tais factos a não ser assumindo que foi infeliz, falaciosa e preconceituosa e brincou, sem nível, connosco e com a portugalidade e a nossa história.

Quem passou, deixou passar este vídeo, é parte responsável e activa.
Ou seja, a Rede Globo, a vossa jornalista e as restantes participantes.

Maitê Proença desconhece que:
1 - o nº3, invertido ém símbolo esotérico e cabalístico fortemente associado à Vila de Sintra, Património Mundial da Unesco;
2 - que chamamos Mar da Ppalha ao Tejo e ao seu estuário por razões que deveria ter aprofundado. Suponho que os brasileiros chamam Pão de Acúcar a um penedo e sabem que é só isso, um penedo não comestível;
3- Que o claustro dos Jerónimos é um..claustro, coisa bem diversa de um pátio;
4 - que os cipreste, que denomina pinheiros, nem são da família destes últimos;
5- A brincadeira de muito mau gosto sobre os túmulos dos nossos antepassados no Mosteiro é inclassificável;
6 - Que Salazar dominou este país por 43 anos, muito mais do que os mais de vinte que refere e meter-se a fazer conjecturas como as que fez sobre a eleição em curso denomina-se ingerencia, para terminar reafirmando "achamos os portugueses estranhos....etc,etc" -o que,segundo ela, fica provado com o que descreve;
7- O acto de "cuspir" na fonte de um monumento Nacional com as referências que aquele tem ultrapassa o mero acto de falta de cidadania (mostra um baixíssimo nível de cidadania) e tem um peso acrescido ao desrespeito e ofensa que tal acto implica em qualquer local do mundo eem qualquer fonte de qualquer país,
8- pedir desculpas apelando aos seus antepassados portugueses nada significa a não ser a hipocrisia da senhora;
9- Reafirmar que o que fez era humor para pessoas "inteligentes", para lá de falso é lamentável pelo facto de continuar a pensar que os portugueses são, como dizem na vossa pátria "manés". Claro que para a actriz Maitê somos tão pouco inteligentes=burros que não compreendemos.

Não quero continuar a maçar-vos.

Só ha uma forma correcta de apresentar desculpas: é a Rede Globo fazê-lo, pelas vias institucionais e diplomáticas pois,em última instância, a responsabilidade é também vossa e já que a actriz não assume a asneirada e tenta deitar-nos poeira para os olhos cabe-vos apresentar desculpas formais e insticucionais e apurar responsabilidades levantando os autos e definindo as penalizações para todos os responsáveis pela emissão daquele lamentavelmente pobre, triste e ofensivo documentário para uma Nação inteira.

Com os melhores cumprimentos

Conceição Paulino

14 outubro 2009

Maitê Proença, Rede Globo e SIC

Para:

Rede Globo
Mónica Waldvogel
Maitê Proença

    Anos atrás via o programa Saia Justa. No tempo em que a cantora Rita Lee, fazia parte do painel.
   Agora a Rede Globo que autorizou este programa e a passagem do vídeo de Maitê Proença enfiou-se numa saia justa demais.
Como portuguesa digo-vos, não sou, não somos “manés”. Como o não foi o nosso rei D. Manuel.
          A actriz Maitê afinal é melhor actora do que a considerava através dos trabalhos que dela tenho visto dado que conseguiu passar uma imagem de ser humano preocupado com a espiritualidade e culto, convencendo-nos quase todos.
Caiu a máscara e mostrou a sua face. Inculta e arrogante como só os néscios podem ser.
         Em reacção às primeiras reacções de portugueses e brasileiros que aqui vivem e trabalham – em Portugal, claro – veio apresentar uma justificação afirmando ser aquilo que fez, humor e citando o guru sobre o auto-humor.

          Mais grave do que a incapacidade, desinformação e incultura da senhora (que afinal é mesmo “loira”) é o facto de a Rede Globo ter permitido que fosse para o ar, que a moderadora Mónica Waldvogel – cara da Globo neste programa – o tenha repassado baixando a fasquia em que a tinha desde os idos em que via o programa e que todo o painel de mulheres, alegadamente inteligentes, tenha acabado por partilhar, cumplicemente, com a burrice e a arrogância dessa actriz e só lhe chamo isto para não acirrar ânimos.

           Por mim vos digo. Essa actriz é, a partir do conhecimento deste vídeo e programa, personna não grata. Ninguém lhe pode impedir a entrada livre em Portugal, mas apelo aos portugueses, brasileiros e todos os emigrantes que aqui vivem que não a prestigiem indo vaiá-la onde quer que esteja. Como disse um famoso escritor britânico: falem de mim, falem mal mas falem. Toda a acção de repulsa e vaias, todo o ajuntamento de pessoas em rejeição à actriz só servirá para lhe dar notoriedade, e ser falada e é disso que pessoas assim se alimentam e vivem.

           Quanto à sua evolução espiritual bem pode a senhora marchar – de preferência mesmo marchar - a pé – para a Índia e ficar por lá a ver se aprende algo porque até agora, coitada, nem com cuspo (aquilo que ela deitou na fonte)=saliva, colou qualquer aprendizagem.
                E a Rede Globo, parceira da SIC em que pé está ou fica?
           Há programas que são para gente inteligente... A actriz, até ao fingir pedir desculpas, ofende quem viu o programa e/ou o vídeo.
A baixa mediocridade imperou, dominou e foi rainha de um triste Carnaval travestido de informação e cultura. Lamentável.

Quanto a mim só há três coisas inteligentes e sensatas a fazer:

1. não ver os trabalhos em que esta actriz entre;
2. ignorar a sua presença – nem sequer para a vaiar – a ausência de público será a rejeição mais verdadeira e poderosa;
3. as diferentes estações de televisão portuguesas nunca mais a deverão convidar . Antes ignorá-la. Todas as diligências e/ou pressões que visem o seu aparecimento público devem ser recusadas não lhe dando qualquer espaço, única forma demonstrarem o repúdio palas acções desta e se solidarizarem com o país português.


Conceição Paulino

Post scriptum - este email foi também enviado para a SIC.

08 outubro 2009

queres editar um livro?

Escreves. Toda a vida escreveste. A escrita é-te necessária.
 É uma forma de comunicação de parcelas de ti, do teu olhar e sentir o mundo em busca de interlocutores. Escreves e sentes que falta algo. Falta a comunicação com os outros. Falta a interlocução, não contigo directamente, mas com o que passaste ao papel, ou ao computador. Falta-te editar. Não sabes como, tens receios e dúvidas... O 1º passo que deves ponderar é o de mandar fazer uma boa e cuidada revisão e correcção  - lembra-te que uma editora pode devolver o teu livro-a-ser por excesso de gralhas ou eventuais erros que dificultem a leitura e não permitam uma avaliação correcta do mesmo - para contigo passarmos ao 2º: encontrar a tua  futura editora. Consulta-nos. És estudante, ou tens trabalhos académicos que necessitam revisão e correcção: pós graduações, dissertações e teses. Vê os nossos curriculum's e endereços electrónicos aqui. Consulta-nos. Nós tratamos do 1º passo e apoiamos-te ao longo do processo no  2º

05 outubro 2009

a alguém que tanto nos deu. Gracias Mercedes Sosa


CLICA NO LINK E ASSISTE AO VÍDEO
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I

MERCEDES SOSA





Morreu
E se foi o corpo.
Restará a voz
Connosco
E
Depois o
Encanto do canto
Sempre perdurará
              *
Sós nunca estaremos.
Olhos bem abertos
Sóís e luzeiros no pensamento
Assim, mais humanos nos deixa.

02 setembro 2009

3 livros meus - inéditos - como e-books

Pois é amizades.
Vive-se e escreve-se, escreve-se...

Muito vai fora, outro tanto fica sob a forma de livro, agora não na gaveta mas no computador, na pen e/no CD ou DVD.

Tanto que está por aqui parado porque não corro atrás de editores. Fi-lo, quando mais nova, e depois deixei-me disso. E há as novas tecnologias...

Pessoalmente adoro o livro em papel, manuseá-lo, cheirar a tinta, o papel e, nos mais antigos aquele cheiro indefenível de idade, do passar tempo, e o suave amarelecimento que o papel apresenta.
Mas como sou uma mulher do tempo em que vivo - não compreendo aquela frase dita por tantas e tantos: no meu tempo....
Nunca a usei.
Quando necessário sai-me naturalmente; no meu tempo de criança ou, quando era criança, ou: no meu tempo de adolescente ou jovem. Porque estou viva e este tempo é tão meu como qualquer outro já vivido - o computador é um instrumento indispensável para mim. Tudo escrevo nele, excepto quando ando na rua. E leio no computador. Muitas coisas aqui leio. Os mais jovens então nascem quase agarrados a eles. Portanto, neste meu tempo, há mais formas - os blogues são outra - de escrever e disponibilizar para leitura.

Publiquei pois 3 e-books inéditos na Bubok:

Aqui, podem encontrar o de Poesia "Haikais e Variações"





E aqui, os 2 de prosa.


1 - "As histórias são como os chapéus"





2 - O Regresso, (novela)

Conto com o vosso interesse, quer na leitura quer na divulgação.
Todo o apoio e solidariedade são e serão bem-vindos.
Bem hajam :))

24 abril 2009

35 anos do 25 de Abril de 1974


FESTEJAR É IMPORTANTE
apesar de tantos sonhos se terem desvirtuado a data continua a ser a mais importante da história recente de Portugal. a LIBERDADE floriu e continua a florir na liberdade de expressão.
_____________
Este blog hibernou, migrando, mas não podia deixar de acordar para sinalizar A data da liberdade.

20 abril 2009

Convido-vos a frequentar a minha nova casa. Ao fim de CINCO anos aqui mudei

É só escolher e navegar comigo e com todas as amizades. Ontem 100 amizades passaram pela festa e esta foi de tal monta que pouco sobrou para se ver, ou comer...

19 abril 2009

hibernei, mas também migrei. Podem encontrar-me aqui

Depois de cinco (5) anos de vida nesta achei que era chegada a hora de mudar.
Mas voltarei, de quando em vez, a matar saudades dela.
Não de vós pois lá vos espero.

12 abril 2009

a todos os caminhantes desejo

que procurem, encontrem e alimentem o melhor em si.
E sejam felizes.

03 abril 2009

No comboio descendente


No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada

No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
Os outros a dar-lhes trela

No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada

No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não

No comboio descendente
De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa

30 março 2009

hoje a Inês faz 13 anos

e como meu coração e de toda a família rejubila e canta em alegria e gratidão partilho convosco este dia.
A Inês tem um blog - apesar de parado há umas semanas.
Se quiserem passar por lá cliquem no nome dela, ou aqui e vão lá ter.

(imagem da net)

27 março 2009

vamos deixar o planeta respirar - apaguemos as luzes por 1 hora

no próximo sábado, dia 28, das 20H30 às 21H30 apaguemos todas as luzes de nossas casas. Deixemos o planeta respirar. Ganhar fôlego.

A sobrevivência de TODA a vida está nas nossa mãos

26 março 2009

Textos do 12º Jogo das 12 Palavras


Aqui deixo o texto que enviei para o 12º Jogo das 12 Palavras no Eremitério, "eu, benjamim" e um outro, inédito intitulado: "amuletos".

Lembro que uma visita ao Eremitério vos proporcionará uma leitura diversificada e vastamente rica.

O Jogo das 12 Palavras está a fazer um ano de edição. Considerando ser um projecto colectivo, não competitivo, meramente lúdico e de amor á escrita não é coisa pouca. Lembremos ainda que, pelo meio, nasceu um livro "22 OLHARES SOBRE 12 PALAVRAS" que podem adquirir solicitando-o à editora pelo email: ediumeditores@gmail.com.

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eu, benjamim

sou benjamim, filho mais novo de Jacob _ mais tarde baptizado por Deus, como Israel. dos seus doze filhos nasceram as doze tribos de Israel - ao que dizem seu filho dilecto, mas em verdade, José o era. minha mãe, Raquel, morreu ao dar-me à luz e suas últimas palavras foram o nome que queria dar-me: Ben-Oni. meu pai mudou-o para este por que respondo. nossa vida é regida pela simplicidade. o amor expressa-se em todos os nossos gestos. de uns para com os outros e para com a natureza e Deus que tudo nos dá. a verdade é um valor instilado desde o berço apreendido pelo exemplo dos mais velhos _ só pelo amor, pela verdade e pela partilha nos tornamos dignos da humanidade que o sopro divino em nós instilou. claro que o aprendizado da partilha também é uma necessidade para a sobrevivência da tribo e do clã. assim como a coragem. mas somos pacíficos. vivemos do pastoreio. eu sou pastor e tocador de flauta. alimentamo-nos de legumes e cereais, de leguminosas e do leite das cabras. com eles fazemos os queijos que duram mais tempo e colhemos os frutos que as árvores dão no tempo certo.
com estas vitualhas vivemos saudáveis e longas vidas. por vezes a dieta é enriquecida com peixes. muitos são fumados ou secos criando uma reserva para dias de carência. só em ocasiões festivas comemos carne sacrificando um ou mais animais, mas para tal lhes pedindo permissão e perdão. as nossas mulheres cuidam dos filhos _ de todos, pois todos somos uma unidade _ e confeccionam os alimentos. desde crianças aprendem a tecer os fios do linho, do cânhamo e a lã com que fazem as nossas vestes, mantos, mantas e demais panos necessários à protecção dos corpos face as intempéries. aprendemos o valor da poesia e construímos odes ao amor terreno e ao amor divino que nos criou e de tudo nos provê. o amor de uma mulher tem a leveza do beija-flor e faz florescer nossos dias quando nos enriquece com filhos. uma maldição se abateu sobre nós quando, por vinte moedas de prata, vendemos José aos ismaelitas tendo-o estes, mais tarde, vendido no Egipto, a Potifar, eunuco do faraó e chefe dos guardas. desde essa altura os cereais não medraram, os pastos secaram, assim como os poços.

~~~~~~ " " ~~~~~~

amuletos

na primeira hora, após o nascimento de Benjamim, almas perversas teceram uma maldição e preconizaram que o feitiço só se quebraria quando um amor de verdade florisse num coração coragem onde a simplicidade fosse apanágio do ser em partilha de humanidade e, reunidas fossem ainda as seguintes condições: deveria a pessoa, detentora de tal coração encontrar Benjamim quando Pan, na sua flauta, tocasse uma ode ao amor; a leveza do toque de seus lábios semelhasse a do beija-flor ao recolher, nas flores, as vitualhas que lhe são alimento.
quando tais lábios tocassem os de Benjamim a maldição desfar-se-ia. seria nada.

21 março 2009

porque hoje é o dia MUNDIAL da poesia

e apesar de ter alguma resistência aos "dias de.." - todos fazemos cedências - por achar que a poesia, como as restantes artes nos fazem ver e sentir o melhor do mundo e em nós e são portanto portadoras da alegria coloco este belo poema da grande poeta que foi, é e será Cecília Meireles:

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

16 março 2009

CONVITE

A amiga Teresa Gonçalves, Tecas/Ísis, lança no próximo sábado,dia 21 de Março, na chegada da Primavera, o seu novo livro (contos) VIDAS EM FRAGMENTOS, pelas 21H30, no edifício da Junta de Freguesia de Vermoím [ Av. D. Manuel, 33, 1573, Maia].
Apresentação a cargo do escritor Fernando Campos Castro.
Acompanhamento musical pelo cant'autor Carlos Andrade.