
24 abril 2009
35 anos do 25 de Abril de 1974

20 abril 2009
Convido-vos a frequentar a minha nova casa. Ao fim de CINCO anos aqui mudei
19 abril 2009
hibernei, mas também migrei. Podem encontrar-me aqui
12 abril 2009
03 abril 2009
No comboio descendente

Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
Os outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
Os outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão
30 março 2009
hoje a Inês faz 13 anos
rejubila e canta em alegria e gratidão partilho convosco este dia.
(imagem da net)
27 março 2009
vamos deixar o planeta respirar - apaguemos as luzes por 1 hora
no próximo sábado, dia 28, das 20H30 às 21H30 apaguemos todas as luzes de nossas casas. Deixemos o planeta respirar. Ganhar fôlego.

A sobrevivência de TODA a vida está nas nossa mãos
26 março 2009
Textos do 12º Jogo das 12 Palavras
com estas vitualhas vivemos saudáveis e longas vidas. por vezes a dieta é enriquecida com peixes. muitos são fumados ou secos criando uma reserva para dias de carência. só em ocasiões festivas comemos carne sacrificando um ou mais animais, mas para tal lhes pedindo permissão e perdão. as nossas mulheres cuidam dos filhos _ de todos, pois todos somos uma unidade _ e confeccionam os alimentos. desde crianças aprendem a tecer os fios do linho, do cânhamo e a lã com que fazem as nossas vestes, mantos, mantas e demais panos necessários à protecção dos corpos face as intempéries. aprendemos o valor da poesia e construímos odes ao amor terreno e ao amor divino que nos criou e de tudo nos provê. o amor de uma mulher tem a leveza do beija-flor e faz florescer nossos dias quando nos enriquece com filhos. uma maldição se abateu sobre nós quando, por vinte moedas de prata, vendemos José aos ismaelitas tendo-o estes, mais tarde, vendido no Egipto, a Potifar, eunuco do faraó e chefe dos guardas. desde essa altura os cereais não medraram, os pastos secaram, assim como os poços.
na primeira hora, após o nascimento de Benjamim, almas perversas teceram uma maldição e preconizaram que o feitiço só se quebraria quando um amor de verdade florisse num coração coragem onde a simplicidade fosse apanágio do ser em partilha de humanidade e, reunidas fossem ainda as seguintes condições: deveria a pessoa, detentora de tal coração encontrar Benjamim quando Pan, na sua flauta, tocasse uma ode ao amor; a leveza do toque de seus lábios semelhasse a do beija-flor ao recolher, nas flores, as vitualhas que lhe são alimento.
quando tais lábios tocassem os de Benjamim a maldição desfar-se-ia. seria nada.
21 março 2009
porque hoje é o dia MUNDIAL da poesia
e apesar de ter alguma resistência aos "dias de.." - todos fazemos cedências - por achar que a poesia, como as restantes artes nos fazem ver e sentir o melhor do mundo e em nós e são portanto portadoras da alegria coloco este belo poema da grande poeta que foi, é e será Cecília Meireles:
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim. 
16 março 2009
CONVITE
A amiga Teresa Gonçalves, Tecas/Ísis, lança no próximo sábado,dia 21 de Março, na chegada da Primavera, o seu novo livro (contos) VIDAS EM FRAGMENTOS, pelas 21H30, no edifício da Junta de Freguesia de Vermoím [ Av. D. Manuel, 33, 1573, Maia].26 fevereiro 2009
surpreendentes palavras
a que propósito, se o fado é coisa de país de brandos costumes e onde este felino não existe desde tempos imemoriais? isto presumindo que na evolução do planeta e das espécies, quando havia um só continente, por aqui pudesse andar. ou os seus antepassados… se o fadista for mau o melhor é recolher a penates, ou seja, a casa, e aos amorosos braço de Morfeu.
vão por mim…
~~~~~~" " ~~~~~~
e estes ficaram - não na gaveta, mas no P.C.
Agora ofereço-os a quem os quiser ler
soberania perdida
antes era senhora
soberana de mim.
de minha vida.
um vento estranho
chegou
alterando a situação.
sentira-lhe a batida.
uma leve oscilação
a correr-me por dentro.
agora, perdida
na vasteza daquele oceano,
navio sem rumo,
qualquer sacudidela
me estremecia os alicerces
que rugiam – tigre mortalmente
ferido num deriva
sem norte. cego
morcego sem radar.
só nos sonhos – quando
nos braços de Morfeu –
voltava a sentir o domínio
de meu ser.
acordar era interminável
queda por abismo
de dores.
~~~~~~ " " ~~~~~~
descobertas
lembro-me de meu padrinho sempre ter insistido comigo para o acompanhar a um jogo de futebol numa tentativa de me fazer gostar deste jogo designado por desporto-rei, que ele, com um sorriso de orgulho, denominava como o soberano de todos os jogos. um dia fiz-lhe o gosto. chegámos cedo. fomos dos primeiros a entrar no estádio. a vasteza do mesmo, á medida que enchia e se animava de gente, vozes e cor, foi bonita de ver. as bancadas cheias percorridas por frémito de emoções pareciam varridas por forte vento.
dentro do estádio uma intensa emoção, demonstrada pela constante oscilação dos adeptos fazia as bancadas semelharem engalanado navio navegando alterosas vagas de esfusiante alegria. nunca poderia imaginar uma tal situação se a não observasse.
as equipas fizeram a sua entrada e uma intensa vibração de emoções, expressa numa sacudidela percorreu a mole humana ali disposta enquanto uma onda de entusiasmo corria por todos, até a mim – mero observador – contagiando.
o árbitro deu início ao jogo e Oceano, com uma fortíssima batida pôs o esférico em acção. os jogadores em campo moviam-se a uma velocidade impensável com movimentos felinos semelhando poderosos tigres atrás da presa.
por instantes desviei os olhos do campo e, de pé, observei a multidão. sentei-me sorrindo ao pensamento de que ali Morfeu não tinha sorte. todos pareciam mais acordados, atentos e vigilantes do que alguma vez vira.
24 fevereiro 2009
máscaras?

cheguei à conclusão de que me sei nas primeiras duas imagens.sei-me. conheço-me bem nelas.
há uma correspondência entre o meu eu interior e o que as fotos me transmitem.
assim sendo, a questão residual, ou deverei dizer final (?) - é: o que das primeiras subsiste nas últimas.
a verdade de mim para além de todas as máscaras sociais?
ao olhar de quem quiser, abaixo, duas colagens com fotos misturadas.

20 fevereiro 2009
partiste sem aviso

um papel
uns rabiscos
no móvel da entrada.
tudo se turvou
e em torvelinho
desapareceu.
somente: “perdoa”
ficou e sobreviveu.
09 fevereiro 2009
a manhã
a manhã
a manhã sempre representa
um grito de vida e esperança.
grito
contido iniciado
entre o tudo e o nada
entre o alfa e o ómega
a escuridão e a luz
ao nascer a manhã
céu, mar e terra fundidos
dialogam murmurado diálogo
desde o início dos tempos
renovado
os elementos de Gaia
despertos
avaliam o humano
desempenho e…empenho
decidem a continuidade
do mundo
tal como o conhecemos
ou a total renovação
e necessária depuração
mas na manhã a compaixão
de Gaia por seus filhos
prevalece
sempre nos dá…mais um dia
mais uma esperança
mais um momento
uma respiração
um voto de confiança
um alerta expresso
no separar das águas
no respirar do ar
no incendiar do Sol
no lavado perfume
que da terra se evola
nos alimentos que
de seu maternal seio
brotam e nos oferta.
e assim a cada manhã
voto de confiança e esperança
em si contidos terra mar e céu
se separam e renovam
para que a vida aconteça
flua e nós…Acordemos.
01 fevereiro 2009
e porque brinquei muito com as 12 palavras aqui deixo + um texto
a rapariga quedou-se. atenta e alerta. de novo o barulho se fez ouvir cada vez mais forte e límpido. aumentou de intensidade. acentuou-se até anular todos os sons da casa. transformou-se num autêntico salsifré, uma cacofonia de sons emergindo do espelho de parede. riscos e cortes apareceram neste, até que estalou, caindo aos bocados.
dele saiu uma criatura escaganifobética. nem humana, nem animal. estupefacta a rapariga nem se mexeu.
a bizarra figura sacudiu-se, endireitou-se e um longo tufo de pelo dourado, aparentemente macio, no equivalente ao dorso ergueu-se em ondulante movimento.
a estranha figura viu então a estática rapariga e dirigiu-se-lhe com uma serena voz de contralto:
- assustei-te? desculpa. foi sem querer. compreendo que te pareço muito estranho. Sou uma figura mítica criada pelos gregos numa fábula de Ésopo. conheces? não? adiante…
tenho andado perdido. à deriva em mundos alternativos, mas a vida neste mundo é um bem supremo de que nunca quis abdicar pelo que, há séculos que, com paixão, procuro o caminho que me permita renascer como humano.
Eduarda, assim se chamava a rapariga, abriu a boca para falar mas só ininteligíveis sons se ouviram.
A escaganifobética figura fez-lhe uma gentil vénia, reiterou o pedido de desculpas, acrescendo:
- lamento ter-te partido o espelho, mas abençoado este seja e tu, por terem permitido libertar-me. saúdo-te e me vou. adeus e que os deuses te protejam.
por fim, num inaudível murmúrio, Eduarda conseguiu pronunciar:
- adeus. boa sorte.
com nova casa e roupagem nova .