rejubila e canta em alegria e gratidão partilho convosco este dia.
(imagem da net)
rejubila e canta em alegria e gratidão partilho convosco este dia.
(imagem da net)
no próximo sábado, dia 28, das 20H30 às 21H30 apaguemos todas as luzes de nossas casas. Deixemos o planeta respirar. Ganhar fôlego.

A sobrevivência de TODA a vida está nas nossa mãos
e apesar de ter alguma resistência aos "dias de.." - todos fazemos cedências - por achar que a poesia, como as restantes artes nos fazem ver e sentir o melhor do mundo e em nós e são portanto portadoras da alegria coloco este belo poema da grande poeta que foi, é e será Cecília Meireles:
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim. 
A amiga Teresa Gonçalves, Tecas/Ísis, lança no próximo sábado,dia 21 de Março, na chegada da Primavera, o seu novo livro (contos) VIDAS EM FRAGMENTOS, pelas 21H30, no edifício da Junta de Freguesia de Vermoím [ Av. D. Manuel, 33, 1573, Maia].~~~~~~" " ~~~~~~
e estes ficaram - não na gaveta, mas no P.C.
Agora ofereço-os a quem os quiser ler
soberania perdida
antes era senhora
soberana de mim.
de minha vida.
um vento estranho
chegou
alterando a situação.
sentira-lhe a batida.
uma leve oscilação
a correr-me por dentro.
agora, perdida
na vasteza daquele oceano,
navio sem rumo,
qualquer sacudidela
me estremecia os alicerces
que rugiam – tigre mortalmente
ferido num deriva
sem norte. cego
morcego sem radar.
só nos sonhos – quando
nos braços de Morfeu –
voltava a sentir o domínio
de meu ser.
acordar era interminável
queda por abismo
de dores.
~~~~~~ " " ~~~~~~
descobertas
lembro-me de meu padrinho sempre ter insistido comigo para o acompanhar a um jogo de futebol numa tentativa de me fazer gostar deste jogo designado por desporto-rei, que ele, com um sorriso de orgulho, denominava como o soberano de todos os jogos. um dia fiz-lhe o gosto. chegámos cedo. fomos dos primeiros a entrar no estádio. a vasteza do mesmo, á medida que enchia e se animava de gente, vozes e cor, foi bonita de ver. as bancadas cheias percorridas por frémito de emoções pareciam varridas por forte vento.
dentro do estádio uma intensa emoção, demonstrada pela constante oscilação dos adeptos fazia as bancadas semelharem engalanado navio navegando alterosas vagas de esfusiante alegria. nunca poderia imaginar uma tal situação se a não observasse.
as equipas fizeram a sua entrada e uma intensa vibração de emoções, expressa numa sacudidela percorreu a mole humana ali disposta enquanto uma onda de entusiasmo corria por todos, até a mim – mero observador – contagiando.
o árbitro deu início ao jogo e Oceano, com uma fortíssima batida pôs o esférico em acção. os jogadores em campo moviam-se a uma velocidade impensável com movimentos felinos semelhando poderosos tigres atrás da presa.
por instantes desviei os olhos do campo e, de pé, observei a multidão. sentei-me sorrindo ao pensamento de que ali Morfeu não tinha sorte. todos pareciam mais acordados, atentos e vigilantes do que alguma vez vira.

cheguei à conclusão de que me sei nas primeiras duas imagens.

-o barulho, a sobreposição de ruídos em todos os lugares, ruas incluídas, é agudo e crónico salsifré;
- a deriva da verdade e da aplicação da lei uma constante. viver ou querer fazê-lo de forma autêntica e límpida, respeitando a singularidade da personalidade, é coisa escaganifobética, ou supremo delírio;
- a primazia do novo sobre o mais velho ou o velho, doentia paixão que leva a continuados e por isso tresloucados actos cirúrgicos procurando um impossível renascer em vez do normal crescer e… envelhecer.
será que criámos um mundo onde não há verdade, por mais poderosa, que inverta este delirante modo de vida?

E AGORA, CUMPRINDO AS REGRAS, PASSO O TESTEMUNHO A:
e semanas, de meses, que ao totalizarem 12 completam um ano.
REIS