21 fevereiro 2008

Lua

Lua Cheia, em dia de eclipse total.
A poucas horas...

19 fevereiro 2008

Desmontagem do retrato robot no caso Maddie

Tenho pena de não ter apanhado o programa de início.
O , ou os, retratos robot, divulgados no caso do desaparecimento de Maddie, não foram executados por técnicos da nossa polícia, mas feitos divulgados pelas agências contratadas pelos progenitores.
O painel que aqui deixo comporta as imagens que consegui apanhar.
Segundo os especialistas presentes este exercício destinou-se a mostrar a falta de rigor e no final, a falta de valor ou importância deste tipo de retratos.
A partir do 1º retrato robot divulgado a única coisa que foi feita e cuja parte - quase - final aqui podem ver, foi retirar linhas e traços, nada alterando à estrutura subjacente aos dentes proeminentes, barba e cabelos desgrenhados.
Nada pretenderam provar como afirmaram, só mostar a ineficácia deste tipo de exercícios...
Ao que ouvi este exercício de desmontagem, completo, terá circulado na internet.
Talvez vocês o conheçam...

13 fevereiro 2008

prémio escritores da Liberdade

Já há algum tempo o amigo LUMIFE atibuíu a este blog o prémio "ESCRITORES DA LIBERDADE".

Uma das responsabilidades indirectas que acarreta é o passar o testemunho indicando outros blogues que considere "da liberdade".

Para a indicação usei um conceito lato, integrando blogues de análise sócio-política - e não que todos correspondam à minha óptica de análise, tão só creio importante a abertura de olhares e debate - outros mais virados para as letras e o pensamento, pois considero a cultura um dos bons pontos de partida para a LIBERDADE.

Basta pensar nos presos políticos durante o regime salazarista e em como a cultura foi o seu sustentáculo durante esses tempos de clausura, muitas vezes na solitária, sendo, desde o início, o pilar da rebelião nas mentes.
Não era em vão que Salazar não queria um povo nem muito informado, culto, nem muito...auto-formado.

E como, quer o ser humano quer A LIBERDADE têm várias dimensões, blogs há que navegam em águas outras, mas que nos são vitais para sabermos do que falamos quando falamos em liberdade.

Por andar muito ausente deparei, com tristeza, com o fecho de vários blogues que ia referir.

Assim, indico e passo o testemunho a por os considerar blogues com escrita de liberdade:
  1. ABRUPTO
  2. Absorto
  3. Agreste
  4. Janela do Ocaso + Patologia Social Vejam o perfil e têm boa “ementa”. É só escolher.
  5. ALMA LUSÌADA
  6. As Causas da Júlia
  7. Do Portugal Profundo
  8. Escritores da Liberdade
  9. Amaral Nascimento
  10. LOCAL&BLOGAL
  11. Nau Catrineta
  12. Carlos Galveias e o seu ORGIA POLÍTICA
  13. Pé de Meia
  14. Sete Mares
  15. Chuviscos

09 fevereiro 2008

hoje ganhei o dia com uma imensa

gargalhada que rolou por dentro de mim como enorme onda em capelo, enrolando-se sobre si.
De seguida um tumulto de gargalhadas explodiu de mim e ecoou por todo o café.


Passo a contar o facto que tal provocou:
Fui até ao café tomar o pequeno-almoço e ler um jornal que não costumo comprar e está lá, disponível para as/os clientes.
No final necessitei ir aos sanitários.
A porta não tem trinco. Fica só fechada.
Como assim se apresentasse dei uma batinha com os nós dos dedos.

De dentro ouvi uma voz:


- «Quem é?»




E foi só isto. O inédito de alguém que se encontra nos sanitários não dizer algo como "está ocupado" ou similar, fazendo antes aquela louca pergunta.

03 fevereiro 2008

O Carnaval do Rio de Janeiro e o Holocausto - informação

Recebi de amiga, o email que surge no final.
Como lhe disse em email já enviado, sei que por muito louco, por agitado, frenético, parecendo por vezes excessivo a quem de fora o olha, como a tudo o que de fora é visto, no Carnaval carioca cada escola tem como que um guião segundo o qual constrói toda a encenação, fatos, letras e músicas. Também sei que muitas vezes factos e ou problemas sócio-políticos, históricos ou actuais, são abordados, mas são-no sempre numa lógica de análise-crítica e pedagógica.
Por deter esta informação que me parecia correcta resolvi perguntar a amigos do Brasil e o Manoel Carlos, homem culto, e humanista de todos os costados que conseguirmos imaginar, teve a gentileza de me enviar de imediato o esclarecimento que deixo abaixo para evitar que vocês caiam no logro de abaixos assinados ou votações em matérias sobre as quais estamos mal informados ou...desinformados.

«Os desfiles de escolas de samba do Rio são verdadeiras óperas. A escravidão, por exemplo, é tema recorrente, em muitos carnavais o sofrimento dos escravos negros foi representado em carros alegóricos.A escola que apresentaria o carro alegórico sobre o holocausto tem como temacentral o "arrepio". No Brasil, a expressão arrepiante é definida em dicionárioscomo "que arrepia, provoca arrepios; assustador, terrível, pavoroso, arrepiador".Portanto, no contexto, o holocausto seria apresentado como algo terrível.A Federação Israelita tentou um acordo com o carnavalesco para que o carrosaísse com uma faixa com dizeres propostos pela federação, mas o carnavalesco (responsável pelo desfile, que tem papel equivalente aos papéis desempenhados por diretor, produtor e cenógrafo de uma ópera) recusou, pois considerou ingerência indevida em seu trabalho. E disse que "carnaval não é feito apenas de bundas à mostra e rebolados, se fosse uma ópera, uma peça de teatro, ou um filme, a federação não impediria a apresentação de imagens do holocausto".Em momento algum o carnavalesco pretendeu debochar, mas mostrar o holocausto como algo terrível, pavoroso, arrepiante. Como eu disse antes, o tema do desfile da escola é o arrepio.É isto.»
XXXXXXXXXXXX
Entretanto recebi do meu mui "crido amigo Francisco", o outro brasileiro a quem pedi esclarecimento, homem de cultura, bom senso e verticalidade, um email do qual aqui coloco um excerto por acrescentar informação:
«(...) uma juíza proibiu a apresentação do enredo dessa escola de samba. Pelo que senti, o que chocou mais os judeus daqui foi a presença de Hitler no desfile. Não concordo nem com o protesto, nem com a sentença. Isso vai contra a liberdade de expressão. Mas é uma atitude que já nem devia nos surpreender, principalmente em pessoas da nossa faixa etária, habituada com a presença sempre atenta da censura. Mesmo em governos ditos democráticos. Não me esqueço que aqui no Brasil, pouco depois da saída dos militares do poder, o filme de Godard, “Je Vous Salue, Marie”, foi probido. Aí a grita foi da Igreja Católica.(...)»

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«Por favor, amados amigos - isto aí NÃO É liberdade de expressão - vc gostaria que se fizessem um carro alegórico com a morte de seus pais???Vão dançar samba sobre a desgraça de um povo inteiro??? Por favor VOTEM NÃO!!! O jornal carioca O Dia está fazendo pesquisa na internet para saber seo carro do holocausto deveria participar do desfile da escola de sambaou não. O sim está ganhando. Vamos votar não.
Mande para os amigos...urgente antes que tirem a pesquisa do ar endereço…»

16 janeiro 2008

continuação do post "oferta e desafio"


Continuação do excerto do 1º texto da 2ª parte do livro Salvador o Homem e Textos Inconsequentes à venda através da edium editores quem não leu ou quiser reler, p.f. clique aqui e vai lá ter.


«(...) E ela a mulher, a falar e eu sem a ouvir. A julgar que sim.

Ouvi o motor do carro e avistei-o lá longe na estrada velha. Uma longa cauda de pó esbranquiçada brilhando pelos reflexos e refracções da intensa luz tal a cauda do vestido de casamento da mulher quando a esperei no altar.
Ela a chegar ao altar e a cauda branca a brilhar miríades de estrelas tapando a passadeira carmim arrastando-se em sussurros de vozes que já não sei, mas sussurrando, e ela, a mulher, já quase no altar a pouco mais de um metro de mim que a esperava mas fitava a longa cauda qual via láctea estrelando ainda a porta da catedral. Assim a cauda de pó levantada pelo carro.

A noite caiu e nada e ainda assim eu a julgar que sim.
Passou a hora de jantar de cear e eu a julgar que sim esperava a mulher. (…)»

13 janeiro 2008

imperdíveis - assumo opinião e termo

Ontem, 12 de Janeiro de 2008, no Café Guarany, Av. Dos Aliados, pelas 18H00 decorreu a apresentação:


1. do livro "Dibaxu " de Juan Gelman, poeta galardoado com o Prémio Cervantes 2007 e o Prémio Reina Sofia de Poesia 2006.
A obra agora editada em Portugal foi dada à estampa pela
edium editores ( http://ediumeditores.blogspot.com/ ) é um poemário escrito entre 1983 e 1985, enquanto Juan Gelman se encontrava no exílio e uma das mais intensas obras deste poeta argentino.
Escrito originalmente em sefardita, apresenta-se aos leitores portugueses traduzido para língua portuguesa pelo poeta e ensaísta brasileiro Andityas Soares de Moura e inclui um apêndice vertido ao castelhano pelo próprio Juan Gelman .
Deixo-vos uma amostra da poesia que aqui podem encontrar e talvez vos "abra o apetite" se assim for basta irem ao site do editor e encomendar:
XXVI


O desejo é um animal
todo vestido de fogo/
tem partas tão longas
que chagam ao olvido/


agora penso
que um passarinho em tua voz
arrasta
a casa do Outono/

(P: 71)

XVI

quando estiver morto
ouvirei ainda
o tremular
de tua saia no vento/

alguém que leu estes versos
perguntou: “como assim?/
o que ouvirás? Que tremular?/
que saia?/que vento?”

disse-lhe que se calasse/
que se sentasse à mesa comigo/
que bebesse do meu vinho/
que escrevesse estes versos:


“quando estiver morto
ouvirei ainda
o tremular
de tua saia no vento”/

(P: 51)

GELMAN, Juan (2007). “dibaxu”. S. Mamede de Infesta: edium editores(1ª ed.)


2. Paralelamente, com a presença do referido tradutor, Andityas Soares de Moura, nome emergente da nova poética brasileira, foi apresentada a primeira antologia deste, intitulada "Algo indecifravelmente veloz" , igualmente editada pala edium editores. Esta antologia reúne o essencial da sua produção poética dos últimos dez anos.
É prefaciada por Xavier Zarco.
Aqui ficam, a título de aperitivo:
CANÇÃO DO MANCEBO



branca bela
senhora

a imagem s’evola

branca bela
senhora

teus peitos de ardósia

branca bela
senhora

que mal tu deploras?

branca bela
senhora

a solidão, mancebo, chora.
descora, apavora
e o padre só me diz: ora, ora, ora

branca bela
senhora

esquece o linho, as cousas claras

branca bela
senhora

vem em segredo, com ânimo de amásia

branca bela
senhora

mulher te farei ao largo da orla

branca bela
senhora

(pp: 56-57)


LÍNGUA DE FOGO DO NÃO




Não se pode escrever o poema.

Os tempos são duros, inflexíveis.
Taciturnos até. Dão “bons dias”
Por obrigação e recato.

Não se pode sequer ler o poema.



As pessoas andam cabisbaixas,
riem à toa – como patetas – e morrem.
Morrem como quem nunca quis nada.

Não se pode nem mesmo pensar o poema.

É proibido.
É indecente o poema.

O poema não produz dividendos. Não distribui lucros. Não faz dormir melhor. O poema não sorri nas campanhas eleitorais.
O poema não gosta de telenovela e nem está preocupado em como estacionar no shopping-center.
O poema não quer ter filhos, se casar e planejar férias anuais. Não tem e nem faz economias.
P poema não deixa e não anota recados.
O poema não investe em acções, não paga imposto de renda, (…)»
~~~~~~~~~~~~
(excerto do poema P: 154) ~

SOARES DE MOURA, Andityas(2007). ALGO INDECIFRAVELMENTE VELOZ. S. Mamede de Infesta: edium editores (1ªed.)
3.
A apresentação das obras esteve a cargo da Dra. Cristina Melo e do Prof. André Veríssimo

4. Segunda-feira, dia 14, em Coimbra, pelas 19.00 horas haverá uma segunda sessão pública de lançamento das obras ao público português, na Casa da Cultura de Coimbra, com apresentação da Dra. Graça Capinha da Universidade de Coimbra, no âmbito da Oficina de Poesia da FLUC e do projecto de investigação "Novas Poéticas de Resistência".

08 janeiro 2008

no desmanchar da...tenda Natalícia...

e é como digo acima.
No desmanchar da caseira "tenda Natalícia" fotografei alguns Anjos e alguns Pais Natal
que dedico, os primeiros à minha querida e doce amiga Maria Mamede, porque ambas gostamos e acreditamos que os Anjos existem e estão por todo o lado
e os Pais Natal á "crida" Titas que tem por eles uma paixão assolapada como sabe quem costuma visitar-lhe as casotas.
Prefiro a "ritual fórmula" da infância de ser o menino Jesus quem nos põe os presentes no sapatinho. Apesar de não católica, não religiosa, no sentido de seguir ou aconselhar - respeito-as - qualquer religião, mas para quem nunca o leu reafirmo a minha intensa admiração pela figura de Jesus, que considero o paradigma para o qual a humanidade deve e NECESSITA caminhar.
Compreendo que a recente figura do Pai Natal - dizia a minhas filhas que era como que o avô de todas as crianças do mundo - pode ser personificado e assim alimentar o encantamento e a magia nos seus espíritos.
Em nossa casa eramos sempre visitados pela Mãe Natal que se justificava pela necessidade de ajudar o marido dado o mundo ter muitas, muitas crinaças e ele, Pai Natal já ser um velhinho que bem agradado ficava com esta ajuda.
Durante anos minha filha mais nova acreditava que a Mãe Natal nos visitara e era delicioso ouvi-la narrar-me, com os olhos brilhantes, faíscando estrelas de encantamento e fascínio, o que eu perdera.
Tudo o que Mãe Natal dissera e fizera no espaço da minha ausência e o que eu havia perdido.
Claro que um dia houve em que percebeu, mas continuou a alinhar porque todos necesstimaos acreditar na magia da vida.
Por tudo isto e por tudo o vos lembrardes, para vós, amigas, imagens que permanecem latentes no imaginário de todos nós à espera do período do ano em que as podemos libertar e com elas nos encantarmos e reviver a magia das nossas infâncias e alimentarmos a criança que existe em cada adulto.
Que vos acompanhem todo o ano.
Os Anjos;))

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Sobre o post anterior em que utilizo uma frase de Teixeira de pascoaes lembrou-me o amigo Francisco Sobreira que seria bom referir quem é, ou foi, pois pessoas haverá que o desconhecem. Nada mais acertado, mas na altura pensei que bastaria, a qume quisesse saber algo deste escritor português colocar o seu nome nu motor de busca e...zás.


Aqui fica no entanto o básico, pois sei que afinal todos temos limites temporais e actividades várias ao longo do dia que muitas vezes nos não deixam avançar em campos que gostaríamos.



«Teixeira de Pascoaes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Ir para: navegação, pesquisaTeixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, (Amarante, 2 de Novembro de 1877, 17h00 – 14 de Dezembro de 1952), foi um escritor português, poeta principalmente e um dos mais notáveis representantes do saudosismo. Em 1901 licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, mas apenas exerceu durante cerca de dez anos.Com António Sérgio e Raul Proença foi um dos líderes do chamado movimento da “Renascença Portuguesa” e lançou em 1910 no Porto, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, a revista “A Águia”, principal órgão do movimento. Grande parte da sua vida foi passada no solar da sua família na Serra do Marão, onde cultivava a terra e escreveu muita da sua poesia contemplando a paisagem.»

06 janeiro 2008

Feliz Dia de Reis

Teixeira de Pascoaes afirmou que “o erro da sociedade “ era o de “ser um maquinismo em vez de ser um organismo”.
*maquinismo – qualquer peça é descartável e substituída por outra. O próprio maquinismo pode ser rejeitado e substituído por outro mais eficiente, mais produtivo.

* organismo – conjunto em que cada órgão tem igual valor para o todo, que cada órgão – parte do todo - é cuidado para o seu bom funcionamento e durabilidade do organismo. Nenhum órgão é descartável.

Se à época, Pascoaes emitiu esta avaliação-análise-crítica o que diria ele num período em que o neo-liberalismo, quase (?) capitalismo selvagem, com a sua face desumanizada e dominadora orienta as grandes linhas políticas ao invés de estas o orientarem, exercerem sobre ele o exercício regulador do mercado?
Num período em que o homem é, cada vez mais “o lobo do homem” em nome do lucro puro e duro, cujo deus maior é o “bezerro de ouro” em nome do qual tudo vale para que os “iluminados/os eleitos” pelo seu adorado “deus” dourado - não o dourado do nascer ou pôr-do-sol, o dourado da ternura, do respeito e do amor - acumulem fortunas cujos pilares assentam sobre a fome, a miséria, a morte sob múltiplas formas, uma das quais a guerra, ou as guerras pois a tipologia de armamento e o desequilíbrio de poderio de guerra de uns e de outros é cada vez mais desigual. A exploração de modos refinados em que a escravatura volta a ganhar forma sob novos modelos adequados à produção e ao lucro imediato.
Em suma toda a produção de riqueza tende a assentar sob uma amálgama de carne sangue e osso, de outros seres tão únicos e valiosos quanto eles, quanto qualquer um de nós.

A sociedade só será fraterna e justa quando funcionar como um organismo e como tal for respeitada. Onde cada parte, segmento do organismo – cada ser humano – seja igualmente
valorizado, cuidado e respeitado.
Vós e eu, não podemos descurar nenhuma parte do nosso organismo sob risco de falência. De morte. Do desaparecimento.
Assim a sociedade.
Enquanto mecanismo mata-se e mata tudo e todos.
Até os que acreditam, nos seus luxuosos apartamentos, moradias, coberturas, quintas, ilhas, etc, de tudo estarem protegidos por se julgarem próximos dos deuses num qualquer Olimpo
(os gregos antigos que me perdoem).
Os organismos, para além das partes que compõem o corpo material, físico, são uma unidade com algo invisível e indivisível que podemos designar como alma.
Ou será que corpos há que são meros mecanismos e esses não possuem alma porque não são nem aspiram a ser humanos?Meras máquinas que dominam o mundo revestidos da formas dos humanos.
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TENHAM UM FELIZ DIA DE REIS E QUE ESTES TRAGAM Incenso, Mirra e AMOR para vossas vidas.

30 dezembro 2007

“Confesso que vivi”

(Acrílico sobre tela - minha autoria)

Neruda que me desculpe o plágio, mas a frase surge tão natural como o acto de viver e dele decorre, não podendo, neste momento, dizê-lo de outra forma. Usar outra expressão.


Porque VIVI. Vivi intensamente até aqui, o que não significa que deixar de o fazer.
Contrariamente à larga maioria de pessoas, VIVI!
Não me limitei a sobreviver.
Ainda que, para muitas pessoas este “sobreviver” implique dinheiro, estatuto social e férias em estâncias de moda. Mas tudo cheira a mofo, a cópia, ou rascunho de modelos socialmente aceites e significativos símbolos de sucesso que funcionam como moeda de aceitação em determinados meios, ou PARA…

Vivi! Vivi intensamente.
Tudo o que fiz foi com paixão, intensidade e verdade pessoal intransmissível. Não cópia, não modelo de/para aceitação, reconhecimento ou proveito próprio.

Como diz o velho ditado - qual foi o escritor que o disse?
Plantei árvores.
Fiz filhas – assim saíram – Mulheres. E delas me orgulho. Muito.
Escrevi livros; intervim social e politicamente – quando acreditei na mudança do modo de fazer política – do paradigma de intervenção política. Quando me apercebi que o novo era o velho, travestido, afastei-me.
Desisti de exercer o meu direito de interventora política enquanto tal – agente política – mas não todos os de cidadania interventora e passiva (afinal votar é passivo q.b) e o exercício à indignação e à acção.

Fui amada e amei intensa e inteira de uma forma por poucos vivenciada.

E porque faço hoje este acto de contrição, esta confissão, coisa a que tão avessa sou?
Por causa da palavra “balanço” de fim de ano.
De balanço reprojectando intenções e projectos não cumpridos para o novo ano que aparece em revistas e jornais cada vez que um ano chega ao fim.

Não costumo fazer balanços nesta época. Faço-os quando deles sinto necessidade.
Faço-os no dia em que nasci, em que o mundo físico se tornou real e esta minha caminhada se iniciou. Aí sim, simultaneamente, acabo e começo um ano.

E faço-o também porque hoje a última das duas filhas que não via há um exacto ano, voltou a partir.

E aí, a mãe, animal e fera que sou, contra o contrário da pacifista activa do dia-a-dia - de todas as provocações e até agressões - quando fareja ameaça, desconforto, dor causada ou sente o perigo, sob qualquer forma rondar as crias (neta incluída), mantêm-se acordada, atenta e em vigília. Pronta a atacar e defendê-las, mas simultaneamente peada pelas próprias e o seu inalienável direito à autonomia e autodeterminação e ao respeito que por elas nutro.
Ao direito de exercerem as suas opções no exacto momento que escolherem, independentemente do sofrimento que acumularem ao longo do processo e pelo meio.

E quando esta impotência – que o é. Porque deixa de ser um puro acto de amor, deixa também de ser um acto racional antes puro instinto de animal – me assola, muitas coisas me vêm à cabeça, se projectam e correm nela, velozes, síncronas e assíncronas.

E hoje expressaram-se nestas palavras que vos deixo e na certeza de que enquanto continuar a respirar continuarei a…VIVER e que, como os chaparros do meu amado Alentejo, resistirei. Resistiremos. Por isso reafirmo: CONFESSO QUE VIVI!
Porque só assim poderei um dia morrer. Poderei morrer porque VIVI!

20 dezembro 2007

evolução do ser

NATAL é nascimento, logo, VIDA.
Mas falar, pensar: VIDA, implica pensar em condições de dignidade e respeito para todos os seres humanos na face desta “bola que rebola” pelo espaço…

Porque VIDA sem condições dignas, sem respeito, sem o necessário à sua sobrevivência em (repito) dignas condições, sem “mínimos”, é uma indignidade que nos envergonha e quando se chega a nós, esmolando, nos embaraça e aumenta a vergonha que já sentimos.

As guerras, sob todas as formas que revista, são a maior de todas as vergonhas, a que mais nos afasta da condição de seres humanos, porque humanidade implica: alteridade, respeito pelas diferenças, amor, partilha, solidariedade…
As guerras em nome do bem-estar, da preservação do modo de vida da denominada sociedade ocidental…ignomínia pura.

Deixo esta reflexão porque os actos praticados por este mundo fora (alguns por nós, por cansaço e por vezes por indiferença ou desalento) nunca poderão ser símbolos de que na Terra se vive o espírito de NATAL, que é o mais simples, puro e forte espírito de fraternidade que se poderá vivenciar e foi a mensagem mais forte dessa figura que foi a de Jesus e a de tantos outros profetas e avatares de outras religiões.

Porque o que é verdadeiro, genuíno e essencial ao SER humano é igual no pensamento, mensagem, de todos os seres que se constituíram pilares de diversas religiões.

A cada uma das companheiras e companheiros desta caminhada, pelas letras e imagens, deixo este meu sentir em que a mais forte emoção é a vergonha pela actual condição do mundo.
Das guerras, da fome, da descriminação, do ódio, da mentira, do engano, do primado do dinheiro sobre o SER.
Continuo a acreditar que um dia saberemos mais e melhor.
Faremos mais e melhor do que agora porque o que se vê de nossos actos, globalmente falando, é menor, redutor da humana essência.

Apesar de tudo isto desejo para todas e todos vós um período de paz, harmonia, serenidade e saúde e que de nós sempre alguma luz, pacifismo e fraterno Amor irradie e se espalhe pelo mundo.

A todos vós um grato abraço pela ofertas-partilhas.

Que a luz esteja connosco e sempre brilhe forte irradiando.

09 dezembro 2007

Oferta e desafio

«E eu a dizer que sim…


E eu a dizer que sim eu a julgar que sim e afinal não. E enquanto eu dizia e pensava que sim a mulher falava e sem lhe ouvir as palavras nem mesmo a olhar sabia que tudo nela dizia que não.
A vida a correr louca e nós cavalos com freios cada um a julgar para seu lado a julgar que julgávamos pensávamos e queríamos o mesmo, mas não.
Porque o real é uma coisa e o que cada um julga acha pensa, e disso se convence, outra.
E cada um a julgar que sim só que o sim de cada um era coisa diversa. Eu a julgar que a nossa diminuta conversa, comunicação, se devia ao facto de nos entendermos até no silêncio às escuras, vendados os olhos nos encontrarmos nos reconhecermos para além da pele. Mas não. Eu a julgar que sim mas não e ela, a mulher, a julgar diferente do que eu julgava. A julgar-me e a raiva insidiosa a crescer nela como o filho que nunca parimos.
E ela a falar e eu a julgar que sim sem a ouvir porque não era preciso ouvi-la. Sabia-a. Conhecia-a. Reconhecê-la-ia. Às escuras vendado cego sem tacto. Reconhecê-la-ia para além da pele. Eu a julgar que sim.
Mas ela mulher, já não égua nem cavaleira, mulher-centauro, abalara à desfilada a inventar novos caminhos a criar mundos que eu desconhecia, nem julgava possíveis, enquanto continuava estirado na cadeira da varanda a julgar que sim a ler o jornal os livros a fazer palavras cruzadas a desvendar charadas porque para mim tudo era manso lago antigo e seguro reconhecido e único território inamovível e inalterável em rotinas de bem-estar harmonia compreensão. Para lá das palavras.(...)»


Excerto de um dos Textos InConSequentes que constituem a 2ª parte do livro


P.S - No lado drtº têm a foto do livro e o email da EdiumEditores

29 novembro 2007

amizade convido-te e espero-te

(Para leres o convite clica sobre ele, que amplia.)
Todas e todos os amigos do GRANDE PORTO, ou os que por aqui andarem, venham até cá.
Escrevemos para comunicar.
Quando se publica reforça-se esse empenho, desejo, necessidade.
Tudo isso.
Expomo-nos.
Aqui e agora me exponho a vós apelando.

Nesse dia, por muito que apeteça ficar na mornidão da casa, venham criar uma onda de genuíno suporte e calor humano .
Para comunicar necessitamos dos outros.
Comunicadores, ouvidores, potenciais leitores. ...Interlocutores de várias formas.

Outra forma de suporte que me podem dar é divulgar pelos vossos contactos.
Grata por isso.
P.S - quem não conseguir vir e quiser adquirir p.f envie email com dados: nome e morada, nº exemplares pretendidos para ediumeditores@gmail.com. Será enviado à cobrança.