15 setembro 2007
Palavra "ferrugem" no FOTODICIONÁRIO
tanta beleza que os olhares descobriram na "ferrugem", a palavra desta semana no FOTODICIONÁRIO em PALAVRA PUXA PALAVRA que não resisti a fazer este slide-show de beleza.
11 setembro 2007
Seu nome

Nasce da fresca bruma
Ou a fresca bruma dela emerge?
Do coração da pedra emana
volátil e bela
e sobre ela o mundo
se alicerça e sustenta.
Das marinhas águas
se constrói e todos os mares
são as águas de seu corpo
e de seus olhos.
As doces e perfumadas brisas
que percorrem o mundo
levando
calma e doçura aos corações,
são seu hálito
correndo o mundo.
Recreando Vida.
Seu nome: MULHER.
06 setembro 2007
apetece-me a lua (dedicado a minha filhot'Alexandra)

apetece-me a lua.porque ela e eu
somos feitas
da mesma matéria
e vogamos nos mesmos
espaços.
somos feitas
da matéria que
constrói e alimenta
os sonhos
e vogamos tanto
no ar
como na água.
e porque o comum
dos mortais
olha para o chão
e eu olho para cima
para os astros
para o além
sem limites
nem barreiras

não se cansa
de correr pelos espaços
atrás do sol
sem sabermos quem é
perseguido ou perseguidor.
chego à janela mais alta
e estendo o braço
a tocá-la.
teu rosto.

04 setembro 2007
surpresa indicação para "CANETA DE OURO" - 2007
Agora compete-me a mim indicar mais cinco. Abaixo vou listar os blogues e transcrever 4 dos poemas. O quinto não permite a cópia - mas vcou pedi-la ao nomeado e colocar posteriormente. Vejam abaixo. p.f.

as agressões.
pedras, espinhos,
terra seca queimada
que queima a pele…
obstáculos todos eles
que desincentivam.
com o olhar,
expressão do ser,
mudas
o mundo, o caminho e
o caminhar.
recrias a estrada.
azul, luminosa
infinita.
ao fundo, o mar.
ventre materno onde
podes repousar
e o caminho
sempre retomar.
De entre os blogues que conheço e cuja poesia leio, alguns já foram indicados o que me deixa feliz e daqui envio um abraço solidário atodas/os os nomeados.
Aqui ficam as minhas cinco indicações ( a ordem de 1 a 5 não corresponde a nenhuma hierarquização de minha parte):
DEIXA-ME
Deixa-me sentar ao teu colo a ver passar
O rio...
Deixa-me assim estar sem pensar
No vazio...
Abraça-me apenas
E eu não sentirei mais frio...
Deixa-me sonhar que é amor
Aquilo que te vejo no olhar...
E deixa-me assim estar
[tão longe de casa e dos mimos e da esperança...]
No aconchego do abraço
Que tens para me dar.
( Blueshell Terça-feira, Março 27, 2007 )
2 - Daniel Aladiah
Poema: «Há dias»
de 05 de Agosto de 2007
Vou guardar silêncio.
Vou guardar silêncio
Vou sentar-me a meu lado
muitas vezes
no silêncio.
Vou fazê-lo todos os dias
a cada hora
se possível.
Vou parar
interromper qualquer tarefa
até mesmo um pensamento.
Vou oferecer-me uma hora
todos os dias
ao amanhecer.
Vou reunir-me comigo
nesse momento sagrado.
E depois
vou viver o meu dia.
Serei então
uma pessoa diferente.
Nunca sei de que lado vem o tempo
dias há que está no ar
outros que vem cá de dentro
e eu por ele a passar
e ele por mim
violento
quanto mais quero esperar
mais ele me deixa
sem tempo
nada se ganha em ficar
à espera
((Agosto/09)
Dúvida
O brilho ameaçador das tuas pupilas trespassa-me.
Os meus olhos não interferem com a tua violência.
Sou a criança que observa o mundo que desconhece.
(Saturday, May 12, 2007)
30 agosto 2007
Devagar (e uma rectificação)
***
“ Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
***
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
***
Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezasE que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.
***
Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
***
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor eé preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
***
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
****
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
***
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cãoe ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.Porque assim você se sentirá bem por nada.
***
Desejo também que você plante uma semente,por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
***
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.
****
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.
****
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
***
Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,E que sendo homem, tenha uma boa mulher.E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,E novamente, de agora até o próximo ano acabar,E que quando estiverem exaustos e sorridentes,ainda tenham amor para recomeçar.
****
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. ”
****
cujo autor é Sergio Jockymann - 1978/***
Quem quiser pode conferir aqui e agradeço que divulguem a informação:
«IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.»
25 agosto 2007
In memoriam E.P.C

Eduardo Prado Coelho, homem de cultura, escritor, ensaísta, cronista e professor universitário faleceu.
Muitas vezes polémico, muitas vezes com inflexões no(s) percuros políticos nem sempre compreensíveis, deixa uma lacuna no nosso espaço cultural e da
expressão da portugalidade no mundo.
Para quem quiser saber mais deixo dois links:
- 1 - Wikipédia
- 2 - Semanário EXPRESSO
- ONDE SE PODERÃO DOCUMENTAR VASTAMENTE, sobre este homem inegávelmente culto, mas não menos contraditório (nas opções políticas) - em minha opinião.
19 agosto 2007
a vida é ...


15 agosto 2007
Maddie versus Joana – Joana versus Maddie (quando uma vida parece valer + do que outra)

Desde sempre uma angústia a apertar o coração, E, no peito, uma dor.
Por ela e por todas as outras crianças que desaparecem vítimas de vários tipos de violências.
Sempre também, o cérebro - que é um órgão estranho e consegue fazer-pensar-elaborar sobre “n” coisas em simultâneo sem que para tal tenhamos que nos esforçar - a comparar toda a actuação das polícias neste caso com o caso Joana, ainda tão recente.
Por respeito pela criança Maddie, e pela P.J tenho evitado escrever sobre o tema e, também, porque o que sei é pouco, ou nada, espremendo bem.
No entanto, das leituras policiais, desde criança, dos filmes e das séries policiais, sempre vi que TODAS as pistas devem ser filtradas e que desde o início se deve trabalhar numa linha de eliminação dos possíveis suspeitos mais próximos: no caso vertente, pais e amigos com acesso ao apartamento e à Maddie, para se poder focar a atenção noutras hipóteses.
Ao que sabemos não aconteceu assim neste caso, dando-se de barato a inocência dos referidos elementos – familiares e amigos – e digo, ao que se sabe, pois admito que o que sabemos não corresponda ao que a polícia sabe, nem à forma como decide, para bem da investigação, tratá-los de uma determinada forma e não de outra.
Dando-lhes ou não visibilidade pública, mesmo que só no campo das hipóteses.
A eliminação sistemática de hipóteses permite focar a atenção noutras, com maior eficácia. Assim me parece que as investigações progridem.
Mas o que me incomoda é a forma diferenciada como o caso Maddie e Joana foram tratados.
Portanto uns continuam a ser gente, pessoas…. Outros (Joana e família)…
qualquer…coisa. ....
Quem quiser que encontre um nome apropriado. Não o faço para não ficar nauseada.
E se a polícia inglesa tem estes cães, um especialista em detectar vestígios de sangue muito tempo após, muitas lavagens depois e um outro (outros?) que detectam o odor de cadáveres; se há uma tão boa articulação entre a nossa P.J e a polícia britânica porque não foi, no caso de Joana, pedida a cedência dos ditos caninos?
Ou, porque não ofereceu a própria polícia britânica os animais?
Ou, caso tenham sido pedidos e não cedidos, porque nunca tal foi referido?
Ou será que a nossa polícia desconhecia a existência dos ditos especialistas caninos?
Em memória da Joana e face ao folclore mediático criado em volta do desaparecimento da Maddie, com tão importantes - porquê importantes? - pessoas - desde quando uma vida humana, para mais vida de criança, vale mais do que outra?
E AINDA – se os cães podem rastrear odores, tanto tempo após, porque não foram aproveitados para tentar rastrear odores residuais no caso Joana quando cá estiveram?
A mãe e o tio foram considerados culpados, mas a Joana continua desaparecida, nem sabemos se morta ou viva. O seu corpo não apreceu. Écerto que o tribunal deu o homicídio como provado, mas.....
Não mereceria ela melhor atenção e preocupação?
Merecia e…merece.
Quando entender esta lógica da “importância saberei que estou mental e espiritualmente doente.
13 agosto 2007
1 dia depois do centenário do nascimento de Miguel Torga
**
Foram então as ânsias e os pinhais
Transformados em frágeis caravelas
Que partiam guiadas por sinais
Duma agulha inquieta como elas...
**
Foram então abraços repetidos
À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
Na areia fria aos gritos e aos gemidos
Pela morte dos filhos que beijava.
**
Foram então as velas enfunadas
Por um sopro viril de reacção
Às palavras cansadas
Que se ouviam no cais dessa ilusão.
**
Foram então as horas no convés
Do grande sonho que mandava ser
Cada homem tão firme nos seus pés
Que a nau tremesse sem ninguém tremer.
******
Aos Poetas
***
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga-
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
****
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
*****
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
*****
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestréis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
*****
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!
***********
***
Brasil
*********
Brasil
onde vivi,
Brasil onde penei,
Brasil dos meus assombros de menino:
Há quanto tempo já que te deixei,
Cais do lado de lá do meu destino!
****
Que milhas de angústia no mar da saudade!
Que salgado pranto no convés da ausência!
Chegar.
Perder-te mais.
Outra orfandade,
Agora sem o amparo da inocência.
*****
Dois pólos de atracção no pensamento!
Duas ânsias opostas nos sentidos!
Um purgatório em que o sofrimento
Nunca avista um dos céus apetecidos.
****
Ah, desterro do rosto em cada face,
Tristeza dum regaço repartido!
Antes o desespero naufragasse
Ente o chão encontrado e o chão perdido.
*****
Claridade
****
Clareou.
*
Vieram pombas e sol,
E de mistura com o sonho
Posou tudo num telhado...
Eu destas grades a ver
Desconfiado
***
Depois
Uma rapariga loura
(era loura)
num mirante
estendeu roupa num cordel:
roupa branca, remendada
que se via
que era de gente lavada,
e só por isso aquecia...
***
E não foi preciso mais:
Logo a alma
Clareou por sua vez.
Logo o coração parado
Bateu a grande pancada
Da vida com sol e pombas
E roupa branca, lavada.
**
****
Miguel Torga/
(1907 -1995)
10 agosto 2007
3 poemas de Mário Cesariny
Passou ontem por isso só hoje publico.O dia depois da dor é já dia de renascimento.
Três poemas de Cesariny:
Mário Cesariny
08 agosto 2007
com o olhar teces o caminho

o caminho
elaboras o caminhar.
pés descalços sentem
as agressões.
pedras, espinhos,
terra seca queimada
que queima a pele…
obstáculos todos eles
que desincentivam.
com o olhar, expressão
o mundo, o caminho e
o caminhar.
recrias a estrada.
azul, luminosa
infinita.
ao fundo, o mar.
ventre materno onde
podes repousar
sempre retomar.
31 julho 2007
responderam ao desafio das leituras de eleição
Lumife, de Alvito Baixo-Alentejo, já de partida para umas merecidas férias, e deixou nos comentários as suas preferências que abaixo transcrevo:
«Leituras do meu agrado...?
De fugida porque vou de férias:
. Florbela Espanca
. Sophia de Mello Andersen
. Eugénio de Andrade
. Raúl de Carvalho
. Fialho de Almeida
. Eça de Queiroz
. Fernando Namora»
O Amaral, de laramablog, também respondeu à chamada e deixou-nos as suas preferências:
«7 leituras da minha eleição?
Dar-te-ei 7 autores de eleição, como o fizeste também, porque será mais abrangente.
Então:
na poesia, tenho um fraquinho por:
. Agostinho da Silva
. Florbela Espanca
. Sophia de Mello Breyner Andresen
Os outros quatro vou buscá-los aqui:
. Neale Donald Walsch
. Deepak Chopra
. Eckhart Tollee...
deixando meia dúzia de fora, ponho também
. Dan Brown »
Um outro amigo informou não poder responder de momento.
Aguardemos as respostas dos restantes que o queiram e possam fazer.Porque nesta época muitos amigos andam noutras paragens e com os olhos em algo mais colorido e vivo do que o ecrã do computador.
E aqui ficam mais algumas boas sugestões de leituras, não "para férias", mas para a vida. BOAS LEITURAS SEMPRE!
Boas férias para quem nelas navega por mares, terras ou serras....
27 julho 2007
Desafio e aceitação

- Jacques Prévert (todo e qualquer livro)
- Raúl de Carvalho (todo e qualquer livro)
- Alexandre O'Neill - Poesia Completa
- Anaïs Nim - Debaixo de uma redoma (mas podia ser qualquer um dos seus outros títulos)
- A Morte de Virgílio - Bloch
- António Lobo Antunes - qualquer um da última década
- Shakespeare - qualquer uma das suas peças de teatro é um prazer total e uma lição igualmente total
E agora passo a continuidade das leituras de eleição a:
. meu amigo-quiçá-parente: http://alvito-baixoalentejo.blogspot.com/
. Amaral, de: http://amaralnascimento.blogspot.com/
. J.P.D de: http://melnofrasco.blogspot.com/
.Vera Cymbron de: http://sentidosocultos.blogspot.com/
. Joaquim António Godinho de: http://cronicadoplanalto.blogspot.com/
. Rúbens da Cunha de: http://www.casadeparagens.blogspot.com/
. LMF de: http://desculpeqqc.blogspot.com/
Pronto. Mais uma tarefa cumprida. E o dia chega ao fim.
Agora não me desiludam.
P.f. respondam.
20 julho 2007
Planeta líquido
15 julho 2007
Ocorrência
Caminhava pelo meio da rua, deserta de veículos, para sentir o calor do sol, quando o sino bateu as doze badaladas.Parei um pouco a olhar o azul lá longe, claro, cristalino, vibrante….
Segui.
Desaguei, toda eu água ou luz, na praça central da cidade, ponto de encontro, por norma povoada por grupos de homens estáticos como pombos na calçada, pela qual circulavam velozes raios luminosos tecendo linhas radiais no meio da imensa mole parada, descontraidamente vozeando e aguardando.
Deserta.
Para além de mim, deserta!
Nem gente, nem lojas abertas. As casas com portas e persianas cerradas.
Parei e respirei fundo.
Durmo e sonho,…,troquei as horas…
….às tantas o sino deu as doze badaladas da meia-noite….
Ergui a cabeça, toda ela, não só os olhos, para o alto.
Impossível. O céu continuava de um azul translúcido e vivo, claro e luminoso. O sol brilhava num céu imaculado.
Confusa percorri ruas e ruas na cidade. Todas desertas. Todas adormecidas.
Peguei no telemóvel e liguei à Ana João. O telefonou retiniu até quase à exaustão da minha paciência antes que ela, com voz ensonada e irada, atendesse despejando de rajada: “Oh mulher, mas o que é que queres a uma hora destas? Não sabes que me levanto às 06H00?”
Sobrepondo a minha voz à dela disse-lhe para ir até à janela, abri-la e
olhar para o céu….
Despejou um chorrilho de palavrões que lhe desconhecia, que não posso nem sei repetir, e ordenou-me, já aos gritos: “ vai mas é dormir que o teu mal é sono!”
E trás! Desligou-me na cara.
Não obedeci à intempestiva ordem e aqui permaneço.
Os cafés da praça deixavam sempre as mesas e as cadeiras montadas
a não ser que o mau tempo fosse de tal monta que tornasse impeditivo tal costume.
Mas não. Havia muitas mesas.
Todas vagas!
E inúmeras cadeiras que pareciam flutuar, boiar à deriva, na agora imensa praça deserta.
Sentei-me numa, à espera que a cidade acordasse e eu entendesse a ocorrência.
Ainda aqui aguardo.





