20 julho 2007

Planeta líquido


As águas alagaram o mundo
são rios, mares, oceanos…

correm
entre os pontos cardeais

colidem entre si .
enormes massas liquidas
erguem-se. Montanhas
abatem-se, esmagadoras,
sobre a terra
já inexistente e subjugada.

E TODAS AS ÁGUAS IRROMPERAM DOS HUMANOS OLHOS


15 julho 2007

Ocorrência

Caminhava pelo meio da rua, deserta de veículos, para sentir o calor do sol, quando o sino bateu as doze badaladas.
Parei um pouco a olhar o azul lá longe, claro, cristalino, vibrante….
Segui.
Desaguei, toda eu água ou luz, na praça central da cidade, ponto de encontro, por norma povoada por grupos de homens estáticos como pombos na calçada, pela qual circulavam velozes raios luminosos tecendo linhas radiais no meio da imensa mole parada, descontraidamente vozeando e aguardando.

Deserta.
Para além de mim, deserta!
Nem gente, nem lojas abertas. As casas com portas e persianas cerradas.
Parei e respirei fundo.
Durmo e sonho,…,troquei as horas…
….às tantas o sino deu as doze badaladas da meia-noite….

Ergui a cabeça, toda ela, não só os olhos, para o alto.
Impossível. O céu continuava de um azul translúcido e vivo, claro e luminoso. O sol brilhava num céu imaculado.
Confusa percorri ruas e ruas na cidade. Todas desertas. Todas adormecidas.

Peguei no telemóvel e liguei à Ana João. O telefonou retiniu até quase à exaustão da minha paciência antes que ela, com voz ensonada e irada, atendesse despejando de rajada: “Oh mulher, mas o que é que queres a uma hora destas? Não sabes que me levanto às 06H00?”
Sobrepondo a minha voz à dela disse-lhe para ir até à janela, abri-la e
olhar para o céu….
Despejou um chorrilho de palavrões que lhe desconhecia, que não posso nem sei repetir, e ordenou-me, já aos gritos: “ vai mas é dormir que o teu mal é sono!”
E trás! Desligou-me na cara.
Não obedeci à intempestiva ordem e aqui permaneço.

Os cafés da praça deixavam sempre as mesas e as cadeiras montadas
a não ser que o mau tempo fosse de tal monta que tornasse impeditivo tal costume.
Mas não. Havia muitas mesas.
Todas vagas!
E inúmeras cadeiras que pareciam flutuar, boiar à deriva, na agora imensa praça deserta.

Sentei-me numa, à espera que a cidade acordasse e eu entendesse a ocorrência.

Ainda aqui aguardo.

12 julho 2007

ficcional - qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...


Trago novas e penso que, como eu, as acharão boas.

Depois de ler o saberão.

É um outro blog.



"ficcional
qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...



001
os corpos caminham descalços no areal. perto do mar refresca-se. o ar desacelera-nos. quente. sabe a sal. e o vento rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos reencontrar na praia. há inocência na brisa. a respiração serena. os corpos descontraem. e o olhar descansa. por dentro. repousa no horizonte. no instante. há silêncio na rebentação das ondas, no vento a enrolar-se no cabelo, no riso das crianças, nas conversas ao longe. o silêncio desacelera-nos. por dentro. sereno. sabe a paz. e a luz rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos sentir vivos. há inocência. no silêncio. o riso diz tudo.

os corpos caminham despertos pelas ruas. há cor em toda a parte. pinceladas de arco-íris. o ar sussurra-nos carícias. sem pressa. e o vento saúda-nos por entre a multidão. pura alegria de nos reconhecer na cidade. há inocência nos corações. a respiração desacelera. os corpos passeiam. e o olhar encanta-se. por dentro. redescobre a vida. no instante. há paz no ritmo do trânsito, no burburinho, no toque veloz dos corpos em movimento. a vida desacelera-nos. suavemente. e a luz rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos acordar. há paz. o respirar diz tudo. existimos. simplesmente."
Texto: anaeugénio

04 julho 2007

é de fogo seu olhar

(imagem por TMara)
é de fogo seu olhar
brasa viva no lar

toque de alma
explosão de luz
cores e odores
notas musicais
melodia
vibrando o ar.

25 junho 2007

a rosa

Há, no cancioneiro tradicional Portugues - só conheço esta moda cantada no Alentejo, mas creio ser bem possível,

como com muitas outras quadras populares que,

com algumas variantes, ela seja cantada por todo o país.

É uma quadra de que muito gosto e cantarolo muito.

Aqui fica.
Sem voz.

Cada um pode emprestar-lhe a sua, por certo melhor do que a minha.

"A rosa depois de murcha

foi-se queixar ao jardim

o jardineiro lhe disse:

"tudo o que nasce tem fim."



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20 junho 2007

Cai a noite

(Foto por TMara - Jardim da Cordoaria)


Cai a noite.
A noite cai
mas fica suspensa
dos céus. Negro véu
de sombras e breves
clarões de luz
velando
o rosto do mundo
tal rosto de bela mulher
que o olhar desafia.

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13 junho 2007

A corte


Pintei este quadro em 1978, como poderão ver no detalhe ampliado da assinatura na imagem abaixo.
Quando o pintei pensei em todo o envolvimento, movimentos e deslocaçóes no ar, que uma corte assim, provocaria.
Curiosamente um amigo meu, de cada vez que o via, dava uma forte e sonora gargalhada de gaúdio, pois via nele uma representação dos nossos pólíticos a quererem... debicar-se uns aos outros.

E tu, caminhante que por aqui passas, que dizes?

O que vês?

11 junho 2007

memória para o futuro


lembro dois grandes portugueses que se foram: Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.

Á sua maneira cada um expressou e lutou - lutas muito distintas - o mundo que desejava, para si e para nós.

Creio que ambos gostariam de ver esta jovem e ouvir a sua mensagem.
Basta clicar na barra lateral no vídeo - está legendado e vale mesmo a pena dispender uns minutos e reflectir na mensagem que nos é passada e nas práticas com que enchemos o dia a dia.

É caso para dizer, com toda a propriedade, que o FUTURO nos pede contas!

06 maio 2007

minha MÃE. MÃE Ana

MÃE, minha Mãe, não me chegam as palavras.
De nada servem....
Nem a razão...
Como falar de ti, de ti dizer?

Nunca encontro as palavras certas, porque não existem.
Como falar do teu amor incondicional por todos nós?
Um amor que nunca cobrou nada.
Incondicional, total, absoluto e puro.
Da tua dádiva de toda uma vida 24 horas por dia?
Do teu cuidar, atento e constante sem dele darmos conta?
Nunca referiste cansaços....
Já há muto que sei que os sentirias...Eras um ser humano, como todos.
Mas não como todos afinal.
Nunca de tua boca uma palavra sobre cansaços ou indiferença dos filhos - sim porque há sempre uma altura em que as nossas vidas , novas vidas, nos absorvem.
O tempo e a atenção para ti encolheram. Encurtaram.

Claro que entre nós houve palavras duras. De parte a parte.
Mas como não haver se tinhas uma filha que rompia todas as "hipócritas" convenções sociais?
Que rompia os padrões de comportamento de "bom tom" numa sociedade tão fechada como era a da cidade de Beja nos anos 50?

Mas essas palavras duraram um curto espaço de tempo, pois em ti o amor sobrepunha-se e não deixavas essas ervas daninhas, saídas de minha boca, fazerem ninho em tua alma.

Por meu lado, crescia e aprendia que a fonte das palavras que, por vezes, me feriam, derivava do medo que por mim sentias.
Do receio do que de mim pudessem dizer sendo tão diferente e tão diferentemente agindo.

Cedo perderam peso. Mas o teu amor, o orgulho de seres a minha MÃE esses são maiores do que eu e do que tudo o que seja capaz de dizer.

Se as palavras me chegassem, com elas, ao falar de ti, de ti dizer, construiria algo tão belo, intemporal e eterno como esta rosa que aqui te ofereço com todo o meu amor e respeito, Mãe que foste minha e foste uma benção em minha vida.

24 abril 2007

25 de ABRIL SEMPRE (apesar dos pesares...)


Eu Vim de Longe

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Quando o avião aqui chegou

Quando o mês de Maio começou

Eu olhei para ti

Então entendi

Foi um sonho mau que já passou

Foi um mau bocado que acabou

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Tinha esta viola numa mão

Uma flor vermelha n'outra mão

Tinha um grande amor

Marcado pela dor

E quando a fronteira me abraçou

Foi esta bagagem que encontrou

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Eu vim de longe

De muito longe

O que eu andei p'ra aqui chegar

Eu vou p'ra longe

P'ra muito longe

Onde nos vamos encontrar

Com o que temos p'ra nos dar

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E então olhei à minha volta

Vi tanta esperança andar à solta

Que não hesitei

E os hinos cantei

Foram feitos do meu coração

Feitos de alegria e de paixão

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Quando a nossa festa se estragou

E o mês de Novembro se vingou

Eu olhei p'ra ti

E então entendi

Foi um sonho lindo que acabou

Houve aqui alguém que se enganou

:::::::::

Tinha esta viola numa mão

Coisas começadas noutra mão

Tinha um grande amor

Marcado pela dor

E quando a espingarda se virou

Foi p'ra esta força que apontou

:::::::::::

Eu vim de longe

De muito longe

O que eu andei p'ra aqui chegar

Eu vou p'ra longe

P'ra muito longe

Onde nos vamos encontrar

Com o que temos p'ra nos dar

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José Mário Branco (in "Ser Solidário", 1982; reed. EMI-VC, 1996)


Queria encontrar uma gravação de Grãndola Vila Morena por Zeca Afonso, mas não consegui. De qualquer das formas, porque o 25 de Abril de 1974 sempre existiu na voz e canções de Zeca , memso antes de ter eclodido,deixo estes vídeos.

Para aceder clicas no nome dele, atrás.

Depois sugiro-te que cliques na 4ª imagem para o ouvires (excerto do concerto ao vivo no Coliseu de Lxª) bem como na última .




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