12 julho 2007

ficcional - qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...


Trago novas e penso que, como eu, as acharão boas.

Depois de ler o saberão.

É um outro blog.



"ficcional
qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...



001
os corpos caminham descalços no areal. perto do mar refresca-se. o ar desacelera-nos. quente. sabe a sal. e o vento rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos reencontrar na praia. há inocência na brisa. a respiração serena. os corpos descontraem. e o olhar descansa. por dentro. repousa no horizonte. no instante. há silêncio na rebentação das ondas, no vento a enrolar-se no cabelo, no riso das crianças, nas conversas ao longe. o silêncio desacelera-nos. por dentro. sereno. sabe a paz. e a luz rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos sentir vivos. há inocência. no silêncio. o riso diz tudo.

os corpos caminham despertos pelas ruas. há cor em toda a parte. pinceladas de arco-íris. o ar sussurra-nos carícias. sem pressa. e o vento saúda-nos por entre a multidão. pura alegria de nos reconhecer na cidade. há inocência nos corações. a respiração desacelera. os corpos passeiam. e o olhar encanta-se. por dentro. redescobre a vida. no instante. há paz no ritmo do trânsito, no burburinho, no toque veloz dos corpos em movimento. a vida desacelera-nos. suavemente. e a luz rodeia-nos num abraço. pura alegria de nos acordar. há paz. o respirar diz tudo. existimos. simplesmente."
Texto: anaeugénio

04 julho 2007

é de fogo seu olhar

(imagem por TMara)
é de fogo seu olhar
brasa viva no lar

toque de alma
explosão de luz
cores e odores
notas musicais
melodia
vibrando o ar.

25 junho 2007

a rosa

Há, no cancioneiro tradicional Portugues - só conheço esta moda cantada no Alentejo, mas creio ser bem possível,

como com muitas outras quadras populares que,

com algumas variantes, ela seja cantada por todo o país.

É uma quadra de que muito gosto e cantarolo muito.

Aqui fica.
Sem voz.

Cada um pode emprestar-lhe a sua, por certo melhor do que a minha.

"A rosa depois de murcha

foi-se queixar ao jardim

o jardineiro lhe disse:

"tudo o que nasce tem fim."



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20 junho 2007

Cai a noite

(Foto por TMara - Jardim da Cordoaria)


Cai a noite.
A noite cai
mas fica suspensa
dos céus. Negro véu
de sombras e breves
clarões de luz
velando
o rosto do mundo
tal rosto de bela mulher
que o olhar desafia.

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13 junho 2007

A corte


Pintei este quadro em 1978, como poderão ver no detalhe ampliado da assinatura na imagem abaixo.
Quando o pintei pensei em todo o envolvimento, movimentos e deslocaçóes no ar, que uma corte assim, provocaria.
Curiosamente um amigo meu, de cada vez que o via, dava uma forte e sonora gargalhada de gaúdio, pois via nele uma representação dos nossos pólíticos a quererem... debicar-se uns aos outros.

E tu, caminhante que por aqui passas, que dizes?

O que vês?

11 junho 2007

memória para o futuro


lembro dois grandes portugueses que se foram: Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.

Á sua maneira cada um expressou e lutou - lutas muito distintas - o mundo que desejava, para si e para nós.

Creio que ambos gostariam de ver esta jovem e ouvir a sua mensagem.
Basta clicar na barra lateral no vídeo - está legendado e vale mesmo a pena dispender uns minutos e reflectir na mensagem que nos é passada e nas práticas com que enchemos o dia a dia.

É caso para dizer, com toda a propriedade, que o FUTURO nos pede contas!

06 maio 2007

minha MÃE. MÃE Ana

MÃE, minha Mãe, não me chegam as palavras.
De nada servem....
Nem a razão...
Como falar de ti, de ti dizer?

Nunca encontro as palavras certas, porque não existem.
Como falar do teu amor incondicional por todos nós?
Um amor que nunca cobrou nada.
Incondicional, total, absoluto e puro.
Da tua dádiva de toda uma vida 24 horas por dia?
Do teu cuidar, atento e constante sem dele darmos conta?
Nunca referiste cansaços....
Já há muto que sei que os sentirias...Eras um ser humano, como todos.
Mas não como todos afinal.
Nunca de tua boca uma palavra sobre cansaços ou indiferença dos filhos - sim porque há sempre uma altura em que as nossas vidas , novas vidas, nos absorvem.
O tempo e a atenção para ti encolheram. Encurtaram.

Claro que entre nós houve palavras duras. De parte a parte.
Mas como não haver se tinhas uma filha que rompia todas as "hipócritas" convenções sociais?
Que rompia os padrões de comportamento de "bom tom" numa sociedade tão fechada como era a da cidade de Beja nos anos 50?

Mas essas palavras duraram um curto espaço de tempo, pois em ti o amor sobrepunha-se e não deixavas essas ervas daninhas, saídas de minha boca, fazerem ninho em tua alma.

Por meu lado, crescia e aprendia que a fonte das palavras que, por vezes, me feriam, derivava do medo que por mim sentias.
Do receio do que de mim pudessem dizer sendo tão diferente e tão diferentemente agindo.

Cedo perderam peso. Mas o teu amor, o orgulho de seres a minha MÃE esses são maiores do que eu e do que tudo o que seja capaz de dizer.

Se as palavras me chegassem, com elas, ao falar de ti, de ti dizer, construiria algo tão belo, intemporal e eterno como esta rosa que aqui te ofereço com todo o meu amor e respeito, Mãe que foste minha e foste uma benção em minha vida.

24 abril 2007

25 de ABRIL SEMPRE (apesar dos pesares...)


Eu Vim de Longe

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Quando o avião aqui chegou

Quando o mês de Maio começou

Eu olhei para ti

Então entendi

Foi um sonho mau que já passou

Foi um mau bocado que acabou

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Tinha esta viola numa mão

Uma flor vermelha n'outra mão

Tinha um grande amor

Marcado pela dor

E quando a fronteira me abraçou

Foi esta bagagem que encontrou

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Eu vim de longe

De muito longe

O que eu andei p'ra aqui chegar

Eu vou p'ra longe

P'ra muito longe

Onde nos vamos encontrar

Com o que temos p'ra nos dar

:::::::::::

E então olhei à minha volta

Vi tanta esperança andar à solta

Que não hesitei

E os hinos cantei

Foram feitos do meu coração

Feitos de alegria e de paixão

:::::::::::

Quando a nossa festa se estragou

E o mês de Novembro se vingou

Eu olhei p'ra ti

E então entendi

Foi um sonho lindo que acabou

Houve aqui alguém que se enganou

:::::::::

Tinha esta viola numa mão

Coisas começadas noutra mão

Tinha um grande amor

Marcado pela dor

E quando a espingarda se virou

Foi p'ra esta força que apontou

:::::::::::

Eu vim de longe

De muito longe

O que eu andei p'ra aqui chegar

Eu vou p'ra longe

P'ra muito longe

Onde nos vamos encontrar

Com o que temos p'ra nos dar

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José Mário Branco (in "Ser Solidário", 1982; reed. EMI-VC, 1996)


Queria encontrar uma gravação de Grãndola Vila Morena por Zeca Afonso, mas não consegui. De qualquer das formas, porque o 25 de Abril de 1974 sempre existiu na voz e canções de Zeca , memso antes de ter eclodido,deixo estes vídeos.

Para aceder clicas no nome dele, atrás.

Depois sugiro-te que cliques na 4ª imagem para o ouvires (excerto do concerto ao vivo no Coliseu de Lxª) bem como na última .




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13 abril 2007

divagando e vadiando em raio de sol

Ontem, estava eu a pensar com os meus botões (mentais) que devia sair a aproveitar o sol que tem andado tão errático, quando a campaínha tocou, suave.

Um quase não toque, de tão suave e tímido que foi o sonido provocado.

Fiquei na dúvida. Se campaínha sim ou não...Na dúvida resolvi atender.

A vossa imaginação não ia lá.

Da mesma forma tudo em mim gritava: erro, engano!

Os sentidos ludibriam-te e a razão também...

Aí, o chapéu já estava na mão de dedos finos e ele falou: "Bom dia! Creio que me conhece..., Alberto Caeiro. Um seu criado."

Concluí: durmo e sonho.

Pois sonhemos os dois.

E, palavra dele palavra minha, depois de o convidar a entrar disse-me: «Vim convidá-la para sair e apanhar sol. Sei que o quer fazer e acaba sempre protelando....Não me negará tal privilégio

(PRI-VI-LÉ-GI-O????

Céus. Inchei como um sapo. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, na minha sala, a convidar-me para irmos apanhar sol e conversar).

Sei que gosta de ar lvre,.... de esplanadas...

Já me informei e está tudo acertado. Vamos?»

E dizendo isto ofereceu-me o braço.

Aceitei-o e saímos. Calmo ele, excitadíssima eu.

E assim, há dois dias que temos andado na companhia um do outro, ainda que não entenda que graça pode ele achar na minha...


Porque afinal não sonhava. Estava mesmo acordada.



E no meio destas horas e de muita divaçação minha que ele escutou atenta e polidamente, sem mostrar tédio, mostrei-lhe uma adaptação livre que fizera num poema dele (receosa - mas achou piada. riu-se. Um riso - como direi? - casquinado, contido mas genuíno...? e terminou com uma palavra suavemente murmurada: "criança" - quase não dita. Como se um pensamento se lhe houvesse escapado e eu o captasse.

Sinceramete, como compreenderão, este encontro e convívio deixou-me fora de mim e a razão e inspiração, que já de si fracas, andam agora baralhadas com a emoção.

Deixo-vos com o original dele (vejam só! Até já digo: "dele".

Assim. Como se tivéssemos sido colegas de escola...

Ai, ai, receio estar a perder o tino..)


«Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois

Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada..»

E que para de onde veio volta depois

Quase à noitinha pela mesma estrada.(...)»


E agora o meu acrescento que lhe li:


Eu não tinha que ter, ou ser, ambição, competências

Específicas, diferenciadas. Nem saberes sempre

Actualizados. Nem competição e desumana

E desenfreada concorrência.


retorno a Alberto Caeiro....



«Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...

A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...

Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.»



Alberto Caeiro



06 abril 2007

minha reflexão Pascal

Considero necessário dizer que não sou católica nem seguidora de qualquer religião.

Considero as religiões ORGANIZADAS mais um dos males que têm atormentado a humanidade.
Creio-as totalmente desnecessárias e até inibidoras (muitas vezes) do assumir pleno das responsabilidades individuais enquanto seres também espirituais.

Há, nas várias religiões, seres, profetas, avatares, que me são muito queridos pelo paradigma que representam relativamanete ao nosso potencial e desenvolvimento, não tecnológico, mas verdadeiramente espiritual/Humano.
Cristo é um desses seres
. A leitura que faço da sua existência não é coincidente com a da Igreja Católica, mas não
duvido que esse Ser existiu.

Ontem, reflectindo, mais do que meditando, pensei em como a morte de Cristo continua a acontecer diariamente por todo o mundo, em cada ser humano que morre, vítima de guerras que existem em cada canto do globo, e, afinal, vendo bem, pelos mesmos motivos:

  1. 1 . não quererem (0s) perder certo modo de vida e regeitarem o diferente;
  2. 2 .receio da força ou riqueza de outros países e eventual predomínio destes em sectores produtores de riqueza - o bezerro de ouro está na moda:
  3. inveja dos bens que outros têm nos seus territórios;
  4. 4 . medo da mudança. Toda e qualquer mudança da ordem dominante em "tribos"(refiro-me ao conceito sociológico) e países que ponha em causa o Seu bemestar e statu quo;
  5. 5 . etc, etc, etc..........Ou seja: Ganãncia, inveja, poder e medo!

Cheguei pois à conclusão que a história diariamente se repete.

E nós ignoramos.

Estamos cansados, acomodamo-nos, calamo-nos....

Martin Luther King disse e hoje atrevo-me a repeti-lo: "O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons."
Sei que haverá sempre por aí, pelo menos uma voz que gritará: "HEREGE! Compara Jesus Cristo a qualquer homem ou mulher!"(mas não somos, infelizmente, já e só, seres de luz como ele seria/foi).

Pois Ele o disse.!

E as igrejas o afirmam: SOMOS TODOS FILHOS DE DEUS.

Então, nesta sexta-feira, 6 de Abril de 2007, denominada de Sexta-feira Santa, começando em Cristo (modelo para que todos devemos tender), continuando com todos os homens, mulheres e crianças, meus irmãos e irmãs, que morrem noutras "cruzes" e "cruzadas" vos digo:

hoje choro e estou de luto.

Por todos os que diariamnete são "crucificados" em nome de interesses materiais e pura cobiça.

A cupidez e a estupidez são tantas que até ao planeta, nosso suporte e sustentáculo de vida a todos os níveis, materiais e outros que nem apercebemos, fazemos guerrra.