E tu, caminhante que por aqui passas, que dizes?
O que vês?
E tu, caminhante que por aqui passas, que dizes?
O que vês?
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Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
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Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha n'outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
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Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p'ra aqui chegar
Eu vou p'ra longe
P'ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p'ra nos dar
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E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
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Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p'ra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
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Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p'ra esta força que apontou
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Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p'ra aqui chegar
Eu vou p'ra longe
P'ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p'ra nos dar
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José Mário Branco (in "Ser Solidário", 1982; reed. EMI-VC, 1996)
Queria encontrar uma gravação de Grãndola Vila Morena por Zeca Afonso, mas não consegui. De qualquer das formas, porque o 25 de Abril de 1974 sempre existiu na voz e canções de Zeca , memso antes de ter eclodido,deixo estes vídeos.
Para aceder clicas no nome dele, atrás.
Depois sugiro-te que cliques na 4ª imagem para o ouvires (excerto do concerto ao vivo no Coliseu de Lxª) bem como na última .
Ontem, estava eu a pensar com os meus botões (mentais) que devia sair a aproveitar o sol que tem andado tão errático, quando a campaínha tocou, suave.
Um quase não toque, de tão suave e tímido que foi o sonido provocado.
Fiquei na dúvida. Se campaínha sim ou não...Na dúvida resolvi atender.
A vossa imaginação não ia lá.
Da mesma forma tudo em mim gritava: erro, engano!
Os sentidos ludibriam-te e a razão também...
Aí, o chapéu já estava na mão de dedos finos e ele falou: "Bom dia! Creio que me conhece..., Alberto Caeiro. Um seu criado."
Concluí: durmo e sonho.
Pois sonhemos os dois.
E, palavra dele palavra minha, depois de o convidar a entrar disse-me: «Vim convidá-la para sair e apanhar sol. Sei que o quer fazer e acaba sempre protelando....Não me negará tal privilégio
(PRI-VI-LÉ-GI-O????
Céus. Inchei como um sapo. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, na minha sala, a convidar-me para irmos apanhar sol e conversar).
Sei que gosta de ar lvre,.... de esplanadas...
Já me informei e está tudo acertado. Vamos?»
E dizendo isto ofereceu-me o braço.
Aceitei-o e saímos. Calmo ele, excitadíssima eu.
E assim, há dois dias que temos andado na companhia um do outro, ainda que não entenda que graça pode ele achar na minha...
Porque afinal não sonhava. Estava mesmo acordada.
E no meio destas horas e de muita divaçação minha que ele escutou atenta e polidamente, sem mostrar tédio, mostrei-lhe uma adaptação livre que fizera num poema dele (receosa - mas achou piada. riu-se. Um riso - como direi? - casquinado, contido mas genuíno...? e terminou com uma palavra suavemente murmurada: "criança" - quase não dita. Como se um pensamento se lhe houvesse escapado e eu o captasse.
Sinceramete, como compreenderão, este encontro e convívio deixou-me fora de mim e a razão e inspiração, que já de si fracas, andam agora baralhadas com a emoção.
Deixo-vos com o original dele (vejam só! Até já digo: "dele".
Assim. Como se tivéssemos sido colegas de escola...
Ai, ai, receio estar a perder o tino..)
«Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada..»
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.(...)»
E agora o meu acrescento que lhe li:
Eu não tinha que ter, ou ser, ambição, competências
Específicas, diferenciadas. Nem saberes sempre
Actualizados. Nem competição e desumana
E desenfreada concorrência.
retorno a Alberto Caeiro....
«Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.»
Alberto Caeiro
territórios;

Ou seja: Ganãncia, inveja, poder e medo! 
Cheguei pois à conclusão que a história diariamente se repete.
E nós ignoramos.
Estamos cansados, acomodamo-nos, calamo-nos....
Martin Luther King disse e hoje atrevo-me a repeti-lo: "O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons."
Sei que haverá sempre por aí, pelo menos uma voz que gritará: "HEREGE! Compara Jesus Cristo a qualquer homem ou mulher!"(mas não somos, infelizmente, já e só, seres de luz como ele seria/foi).
Pois Ele o disse.!
E as igrejas o afirmam: SOMOS TODOS FILHOS DE DEUS.
Então, nesta sexta-feira, 6 de Abril de 2007, denominada de Sexta-feira Santa, começando em Cristo (modelo para que todos devemos tender), continuando com todos os homens, mulheres e crianças, meus irmãos e irmãs, que morrem noutras "cruzes" e "cruzadas" vos digo:
hoje choro e estou de luto.
Por todos os que diariamnete são "crucificados" em nome de interesses materiais e pura cobiça.
A cupidez e a estupidez são tantas que até ao planeta, nosso suporte e sustentáculo de vida a todos os níveis, materiais e outros que nem apercebemos, fazemos guerrra.


Aqui imagem da capa aberta.
O nome deriva do facto de a ANTOLOGIA ir colectar poemas de sete poetas de cada uma das 10 freguesias do Concelho de Matosinhos.
Neste volume, para quem anda na blogosfera, participam a Maria Mamede, esta que vos fala e o António Durval. acrescem, de fora deste espaço, Maria José Rocha, Teresa Gonçalves e Vitor Carvalhais.
Por último destaco o meu amigo Daniel Gaspar, poeta e auto-didacta, falecido.
Os poetas lerão dois dos poemas constantes da mesma e contamos com a presença de um grande
"dizeur" - o Amilcar, bem conhecido dos amanes da poesia.
Intervalando os poetas, o Carlos Andrade encantará com a voz a e viola.
Esperamos por vós.
Estas acções não têm sentido sem a presença dos amigos.
Mesmo daqueles que só conhecemos por estes caminhos e encruzilhadas.
P.S - agradeço divulgação.