03 abril 2007

MÃE

Hoje passa o aniversário de nascimento de minha MÃE que partiu há quase 23 anos.
Sei-o porque se foi no dia de aniversário de minha filha mais velha. Em Maio.

E quero dizê-lo bem alto, para que todos os que por aqui passarem o saibam.
O quanto a amei e amo.
Respeitei e respeito, apesar de saber bem que fui uma adolescente e jovem difícil de gerir segundo ospadrões que lhe haviam incutido.
Nunca lhe facilitei a vida, é facto, mas fez parte do crescimento.

De ambas, porque mais tarde veio a ser capaz de olhar certas normas, regras e princípios, de outra forma.
De uma forma mais aberta. De quem se abre à vida e à mudança.
Tenho pena de não ser capaz de escrever um texto, prosa ou poesia que de tudo isto fale com beleza, mas, curiosamente, ou talvez não, nunca fui capaz, nem tento, porque as palavras me parecem incapazes e insuficientes, de o dizer, quer para ela, quer para as filhas e neta.

Tenho saudades - o egoísmo mascara-se tantas vezes de "amor" - mas amiúde sinto sua presença e seu carinho derramando-se sobre mim como um bálsamo calmante.


Na casa, hoje a vela arde por ela, para ela.
Os bálsamos perfumam o ar convidando sua presença e aqui, convosco, partilho meu amor e deixo as flores e as orquídeas.
Foram-me oferecidas pela neta Carla e sua bisneta - minha neta Inês - no dia da mãe em 2006.
Como se vê florescem bem.
Este ano são para ti, MÃE.


28 março 2007

convite


a todos os que por aqui passarem deixo o convite.

Sem vós esta é uma "missa" que não pode ser oficiada.

A poesia é comunicação aberta e pura entre o poeta - através das palavras que expressam sentires - nós, e os outros.

Estaremos à vossa espera:
sábado, 31 do corrente pelas 21h30,
no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta,
para participarem na apresentação do
1º volume da ANTOLOGIA de poesia, DezSete
iniciativa da EDIUM EDITORES


O nome deriva do facto de a ANTOLOGIA ir colectar poemas de sete poetas de cada uma das 10 freguesias do Concelho de Matosinhos.
Neste volume, para quem anda na blogosfera, participam a Maria Mamede, esta que vos fala e o António Durval.

Acrescem, de fora deste espaço, Maria José Rocha, Teresa Gonçalves e Vitor Carvalhais.


Por último destaco o meu amigo Daniel Gaspar, poeta e auto-didacta, falecido.
Os poetas lerão dois dos poemas constantes da mesma e contamos com a presença de um grande
"diseur" - o Amilcar, bem conhecido dos amantes da poesia.
Intervalando os poetas, o Carlos Andrade encantará com a voz a e viola.
Esperamos por vós.
Estas acções não têm sentido sem a presença dos amigos.
Mesmo daqueles que só conhecemos por estes caminhos e encruzilhadas.
P.S - agradeço divulgação.

20 março 2007

ODE À PRIMAVERA

(Primavera - Botticelli)

A vida anda possessa de Poesia!
Anda prenha de mosto!
Ou é da luz do dia,
Ou é da cor do rosto,
Ou então quer abrir-se, neste gosto
De pão com todo o sal que lhe cabia!

Tem narcisos de amor no coração,
Folhas de acanto nos sentidos!
E carícias na mão
A espreitar dos tendões adormecidos!

Toca-se numa pedra, e ela treme!
Murmura-se uma prece, e a boca grita!
A rabiça do arado é como um leme
Sobre a terra que ondula e ressuscita!
Quem avoluma a sombra, ou quem a teme?
Cada presença é um hino que palpita!
E se na estrada alguém discorda e geme,
Ninguém que vai no sonho o acredita!

Serás tu, Primavera?
Tu, com frutos na rama do futuro,
Com sementes nos pés
E flores inúteis sobre cada muro,
Contentes só da graça que tu és!



Miguel Torga

17 março 2007

convite

a todos os que por aqui passaram e quiserem deixo o convite a comparecerem,
sábado, 31 do corrente pelas 21h30,
no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta,
para participarem na apresentação do
1º volume da ANTOLOGIA de poesia, DezSete
iniciativa da EDIUM EDITORES

Aqui imagem da capa aberta.

O nome deriva do facto de a ANTOLOGIA ir colectar poemas de sete poetas de cada uma das 10 freguesias do Concelho de Matosinhos.

Neste volume, para quem anda na blogosfera, participam a Maria Mamede, esta que vos fala e o António Durval. acrescem, de fora deste espaço, Maria José Rocha, Teresa Gonçalves e Vitor Carvalhais.

Por último destaco o meu amigo Daniel Gaspar, poeta e auto-didacta, falecido.

Os poetas lerão dois dos poemas constantes da mesma e contamos com a presença de um grande

"dizeur" - o Amilcar, bem conhecido dos amanes da poesia.

Intervalando os poetas, o Carlos Andrade encantará com a voz a e viola.

Esperamos por vós.

Estas acções não têm sentido sem a presença dos amigos.

Mesmo daqueles que só conhecemos por estes caminhos e encruzilhadas.

P.S - agradeço divulgação.


16 março 2007

Lendo Natália Correia



Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.



Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote1999

12 março 2007

Resposta ao desafio feito por

Tozé com as palavras abaixo indicadas.
Podem ver no blog, Ministério da Soltura

Da dócil boca, vagos murmúrios, fragmentos da luta no auge da preeminência da paixão, atropelam a torrente de risos que caem no chão.

Breves fragmentos desta prosa de Inverno, que se esmagam na frieza do gesto, enquanto pelas coxas, poderoso íman, a torrente de sangue desenha traços de vida

11 março 2007

Foi só um som


foi só um som.

penetrou minha
consciência, do
corpo ausente,
e de volta a trouxe.

não foi um som
enorme
assustador.
mas foi um ...BUMMMM
como que amortecido
vindo das entranhas
da vida
e a consciência soube
que era
um som de muita dor.

de longe vindo
por isso amortecido
e não assustador
mas a consciência
soube.

soube que era
um som
cheio de dor
e foi tanta a dor
que a consciência
sentiu
que se propagou
a todo o corpo,
nervo a nervo,
e o corpo gritou
a dor de tantas vozes
que se tornou esmagadora.




A todos os 11 de Março e outros.
A todos os dias em que os homens se matam uns aos outros

09 março 2007

e porque ontem foi o dito DIA MUNDIAL DA MULHER...

...mas hoje já não é
aqui deixo alguns modelos ....
Nada mais necessita ser dito.
A imaginação de cada uma/um sabe fazer o resto.



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22 fevereiro 2007

em busca das minhas máscaras


Não sei porquê ou talvez sim,.

Aproveitei os feriados de Carnaval para procurar as minhas "máscaras" com o objectivo final de as conhecer e saber afinal de que ando, ou não, mascarada.
Sendo um percurso interno, as fotos, ao longo dos tempos, ajudaram-me a olhar e tentar perceber qual a estranha - elas ou eu?
Não estruturei um trabalho de análise com metodologias nem períodos temporais delimitados.

Limitei-me a uma escolha aleatória pegando em mini-albuns de períodos diferentes e aproveitando o que surgisse. Assim. Sem mais.
Já que o acaso não existe....

E, enquanto desbravava terrenos internos, olhava as imagens - máscaras de mim ou eu (?) - procurando nelas a expressão mais real da individualidade que perdura para além do tempo da terrena existência.

Cheguei à conclusão de que me sei nas primeiras duas images, respectivamente com quase um ano e dois anos e meio.
Sei-me. Conheço-me bem nelas.
Há uma correspondência entre o meu eu interior e o que as fotos me transmitem.

Assim sendo, a questão residual, ou deverei dizer final(?) - é: o que das primeiras subsiste nas últimas.
A verdade de mim para além de todas as máscaras sociais.
Ao olhar de quem quiser, abaixo, duas colagens com fotos misturadas, desde 1946 a 2006.





























14 fevereiro 2007

nostalgia ou...porque sim!

Pais e irmãos, em Lisboa, passando ao lado do Teatro Nacional. Minha filhot'Ana, aqui com 2meses e meio, e eu
Minhas filhas Ana e Carla (na cadeirinha, com 7 meses) e eu, nas traseiras da casa dos pais, em Lxª.


Da drtª para a esqd,ª minhas filhas: Ana; carla e Alexandra. à esqdª minha sobrinha Helena no pátio da casa onde ainda vivo.


As filhas e eu. Salamanca 1992

Eu, 1993.

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11 fevereiro 2007

11 de Fevereiro


o dia amanheceu coberto de espessa neblina.
Não se ouvem sons.


O mundo parece deserto como se todos os humanos houvessem adormecido ou....desaparecido.
Mas estou aqui e, como eu, milhões de pessoas estarão em suas casas.

Outras nos serviços e muitas nas ruas k as escondem na cortina de névoa onde cintila uma luz interior, própria à água, apesar de embaciada pela espessura da cortina.

Só me resta esperar que o dia termine cheio de luz.

Daquela que irradia da dignidade e do respeito de um povo por si mesmo.

02 fevereiro 2007

em longínquas madrugadas


Em longínquas madrugadas amei o teu corpo. Ou devo dizer: os nossos corpos amaram-se?

No leve despertar do último sono o toque da pele nua.
A vibração rutila do sangue percorrendo-nos até à alma.
Invocando, convocando o acto físico de amar em que nos transcendíamos fundindo corpos e almas num só, numa só.

Nós, um só, iluminando a vida e assim a saudando.

30 janeiro 2007

chamemos-lhes...curiosidades



1. Em 24 se Setembro passado, rapaz de 4 anos matou 443 frangos, em povoado de Jiangsu (província no Leste da China), usando a voz.

O rapaz que acompanhava o pai na distribuição de gás assustou-se – pelos vistos muito – com o ladrar dos cães. De tal forma foi o susto que a criança gritou e gritou a plenos pulmões.

Resultado: em pânico os frangos corriam doidos e esmagaram-se uns aos outros.

O tribunal condenou o pai a indemnizar o criador de aves por considerar não ter acontecido nada de diferente para além dos gritos da criança. (notícia no JN: 30.01.2007:60)


2. Esta é portuguesa. Uma professora, com três décadas de ensino na Escola do 1º Ciclo de Almedina – Coimbra, colocou ao peito de alguns alunos um dístico com os seguintes dizeres:
«Sou agressivo, não tenho direito de brincar. Estou de castigo.»

E assim os alunos tinham que se passear na escola e recreio.

A justificação dada pela coordenadora da escola para este acto anti pedagógico (digo eu) foi:

«Esgotaram-se todas as metodologias possíveis»


Aguardam-se os vossos comentários

26 janeiro 2007

Procuras-me


Procuras-me.

*

Ouço tua voz

chamando meu nome.

*

Observo-te percorrendo

a casa

divisão a divisão,

chamando o nome,

espreitando, em jeito

de brincadeira antiga,

cantos, armários,

atrás dos móveis....

*

percorres a casa

e chamas mais alto.

*

Um gesto de desalento

ou impotência

espelha-se em teu

corpo, teu rosto.

*

Incompreensão...

*

Parado

olhas ao redor

como quem avalia

os espaços já revistos.

E o meu nome continua

a vibrar na casa,

no jardim...

esqueces-te

de levantar os olhos

para o alto.
*

Sentada no crescente

Estou suspensa sobre ti.


(Foto de minha autoria)