
É como uma sombra. Sempre à minha frente.
Não é uma “sombra”, com a natureza reconhecida das sombras.
Esta é transparente.
Invisível mesmo.
Sinto-lhe a presença porque, como predadora, aguarda o meu próximo movimento, o passo seguinte e antecipa-se.
Esbarro em portas fechadas. Que se não (me) abrem.
Nunca! (ou assim o sinto).
Sinto-a então a meu lado. Sem gaúdio nem escárnio. Parece até não retirar qualquer prazer do jogo de gato e rato que comigo joga.
Sinto, ouço-lhe ecos de pensamentos.
Poderei dizer que me parecem algo tristes e até fatalistas quando afinal a sua acção prévia de fechar todas as portas, janelas, clarabóias, alçapões até, só a mim prejudica e transmite, ou poderia transmitir, uma sensação de frustração.
Isto de bater constantemente a portas que recusam abrir-se – nem sequer um olho espreita pelo óculo...nada de nada, nenhuma resposta.
Portas fechadas.
Como muros do mais sólido material que imaginar possamos – causa desgaste, desmotiva. Frustra.
Mas lá volto à análise da acção, do movimento, das possíveis causa e recomeço.
Parto para provável nova batida de cabeça contra invisíveis e insensíveis muros.
Mesmo os de carne e osso onde o sangue corre, vivo e quente.
Mas continuemos o jogo.
Talvez me queira dizer que é outro o caminho...
Veremos até onde vamos e onde chegarei.
*********- Persisto. Sempre persistirei.
************- Não sei ser de outra maneira.
Em tempo: ontem a imagem não entrava.