06 novembro 2005

Hei, quem foi...


o malandreco ou a malandreca que trouxe uma GA-LI-NHA para a festa???????
Já cá tínhamos cães e gatos em fartura, bem como toda a bicharada devida, mas uma ga-li-nha.????...Perversa mente!!!!
O que vale é que não passou de um sobressalto...Continuemos com a nossa festa, pois a ZICA estava alerta e expulsou a ave...rara!

Textos recuperados II

TEXTOS RECUPERADOS _II

AH, O PODER DE DECRETAR FERIADOS!

Hoje decreto feriado.
Porque não é sábado, nem domingo, nem feriado marcado no calendário...,
mas, para mim, hoje é feriado.
Por algumas muito simples, mas válidas razões.
Primeiro: porque sim!
Porque quero, depois....porque está SOL e um esplendoroso céu azul, porque nasci há pouco e devo aproveitar este sublime dia antes que o Inverno se instale e a chuva nos obrigue ao recolhimento dentro de portas, mais insistentemente do que desejamos.
Estas as razões que partilho convosco.
As outras são muito íntimas.
Mas estas são quatro razões muito fortes.
Todos temos o poder de decretar feriados, de nos deixarmos levar pelo vento, ou pelo ar, para sítios novos e belos, soltos no dia e no prazer de estar vivos.
Claro está que temos que ser responsáveis para com as tarefas que nos aguardam e para com terceiros.
Acautelados esses aspectos podemos soltarmo-nos e usar todo nosso poder.
HOJE DECRETO QUE É FERIADO!

Se se cruzarem com alguém que sorrindo vos diga: "BOM-DIA", saberão que, muito provavelmente, passaram por mim, ou outrem que usou o seu poder de decretar feriados.
Se ouvirem risos soltos e cristalinos, por razões aparentemente comezinhas, sou eu que rio da mais pura alegria.
Se se cruzarem com alguém que trauteia canções, sem medo do ridículo, sou eu também.
E porque hoje é feriado, desejo-vos o melhor dia possível onde quer que se encontrem!
Deixem as almas voar, pois elas têm a natureza dos pássaros e a pureza das crianças.
Nasci!
E agora juntem-se à festa. A mesa está posta: sirvam-se... BEM HAJAM POR TEREM VINDO! OBRIGADA :)

04 novembro 2005

Hoje estou aqui!

B'dia :-)

Hoje, estou aqui!
Como sabem, sair é uma tarefa hercúlea...
[Estou fazendo força....enquanto reflicto. Porque isto de nascer
é obra apesar de o mundo ser muito belo. As pessoas complicam tudo, não
acham? Será erro meu de análise ?
Mas, ainda assim parece-me uma boa aposta e um belo desafio.
Nos entretantos por aqui estou. Fazendo força...]
Assim, abraços e até depois de amanhã :)
Deixo-vos este belo botão de nenúfar

POST SCRIPTUM (20h23) _ Agora sinto-me mal! Como é que o texto criou tal equívoco? Leio e volto a ler e. ..não sei, mas peço que desculpem a falta de clareza.

Não vou ser mãe. Já fui! Por três vezes. E avó uma.

Ser mãe está agora, biológicamente (por vias normais), fora do meu alcance.

Sou eu que vou (re)nascer. Domingo começo a viver um novo ano

e quis partilhá-lo convosco.

Como diz um amigo: entro na idade "sexy"...

OBRIGADA POR TODA A TERNURA, POR VÓS, AQUI OFERTADA.

03 novembro 2005

Descobri este teste e...esta "casa" nova

Eis o resultado:
prince.
You are the little prince.

Saint Exupery's 'The Little Prince' Quiz.
brought to you by
MAIS SOLIDARIEDADE NA BLOGOSFERA:
"Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.”

PROXIMIZADE


01 novembro 2005

Mistérios da mente



O que vocês vão ler agora é um trecho retirado da revista Super Interessante de Julho 2002 ...

«A mente humana grava e executa tudo que lhe é enviado, seja através de palavras, pensamentos ou actos, seus ou de terceiros, sejam positivos ou negativos, basta que você os aceite. Essa acção sempre acontecerá, independente se traga ou não resultados positivos para você.

Um cientista de Phoenix - Arizona - queria provar essa teoria. Precisava de um voluntário que chegasse às últimas conseqüências. Conseguiu um em uma penitenciaria. Era um condenado à morte que seria executado na penitenciária de St Louis no estado de Missouri onde existe pena de morte. Propôs a ele o seguinte: ele participaria de uma experiência científica, na qual seria feito um pequeno corte em seu pulso, o suficiente para gotejar o seu sangue até a ultima gota final. Ele teria uma chance de sobreviver, caso o sangue coagulasse. Se isso acontecesse, ele seria libertado, caso contrário, ele iria falecer pela perda do sangue, porém, teria uma morte sem sofrimento e sem dor.

O condenado aceitou, pois era preferível do que morrer na cadeira eléctrica e ainda teria uma chance de sobreviver. O condenado foi colocado em uma cama alta, dessas de hospitais e amarram o seu corpo para que nao se movesse. Fizeram um pequeno corte em seu pulso. Abaixo do pulso, foi colocado uma pequena vasilha de alumínio. Foi dito a ele que ouviria o gotejar de seu sangue na vasilha. O corte foi superficial e não atingiu nenhuma artéria ou veia, mas foi o suficiente para ele sentisse que seu pulso fora cortado. Sem que ele soubesse, debaixo da cama tinha um frasco de soro com uma pequena válvula. Ao cortarem o pulso,abriram a válvula do frasco para que ele acreditasse que era o sangue dele que está caindo na vasilha de alumínio. Na verdade, era o soro do frasco que gotejava. De 10 em 10 minutos, o cientista, sem que o condenado visse, fechava um pouco a válvula do frasco e o condenado pensava que era seu sangue que estava diminuindo.

Com o passar do tempo, foi perdendo a cor e ficando fraco. Quando os cientistas fecharam por completo a válvula, o condenado teve uma parada cardíaca e faleceu, sem ter perdido sequer uma gota de sangue.

O cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre, ao pé-da-letra, tudo que lhe é enviado e aceito pelo seu hospedeiro, seja positivo ou negativo e que a morte pode ser orgânica ou psíquica. Esta história é um alerta para que filtremos o que enviamos para nossa mente, pois ela não distingue o real da fantasia, o certo do errado, simplesmente grava e cumpre o que lhe é enviado.»


"Quem pensa em fracassar, já fracassou mesmo antes de tentar". Somos o que pensamos e acreditamos ser".

(Autoria desconhecida)




31 outubro 2005

Rubrica: Discos Pedidos

EM TEMPO - recebi, via comentário/ANÓNIMO, a informação de que a autoria deste texto é de Millor Fernandez.
Como não sei, e...coisas anónimas são...estranhas, mas gosto do seu a seu dono aqui deixo a informação. (2007.02.15).
Se alguém poder conferir fico grata.
XXXXXXXXXX
Inicio hoje esta rubrica, a pedido de várias famílias: A, B e C...
Irá tendo continuidade à medida k os pedidos chegarem...ou não!
Boa "audição", tenham um muito bom dia e façam o favor de ser felizes
.
HISTÓRIA DE UM "QUOCIENTE APAIXONADO"

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...

Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua Uma vida Paralela a dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?"
indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.
" E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs - Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos,
equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E se casaram e tiveram uma secante
e três cones Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um
Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer Sociedade.

(Autor desconhecido -circula livremente por aí, na net!)

30 outubro 2005

A mulher continua a habitar a casa



O calendário indica que o ano se está a esgotar.
A mulher continua a habitar
a casa. A circular por ela.
A limpá-la, a abrir as janelas
para que o ar e o sol
a penetrem.


Senta-se, por vezes, ao sol,
nas varandas da casa.


Pega nos livros e lê.
Às vezes perde-se nos pensamentos.
Esquecidos os livros
nas mãos distraídas.


Descobriu, hoje, que o ano está
a chegar ao fim.
Uma certa estranheza invadiu-a.
Não se lembra do passar dos meses...,
não lembra quando foi à rua
pela última vez....Há já muito
tempo que não sai dos limites
da casa.


Lembrou-se ainda que o telefone
nunca toca. Nunca ninguém
telefona,
a saber dela, para falar com ela....
Em verdade também não
se tem lembrado de ligar
a ninguém....


Persiste-lhe a estranheza. Se
o ano se está a esgotar, se
se levanta, come, bebe, dorme
e habita dentro da casa, como é
possível fazê-lo durante tanto tempo
sem nunca sair à rua?
Sem que os amigos estranhem a sua
ausência e telefonem?


Não sabe explicar a estranha
situação.
Serena levanta-se da cadeira
que ocupa à secretária e vai sentar-se
na varanda, ao sol.


Sente frio.
Só se sente bem ao sol.
Habita a casa onde viveu, a mulher.


Desconhece que morreu.


Por TMara, do livro: FALAR MULHER:48-49

28 outubro 2005

IUPIIIII! Hoje é 6ª feira....

.... largo o..fato-de-trabalho,os sapatos de salto, a pasta, a mala, os problemas...

Digo-lhes que durmam todo o fim-de-semana e que nos veremos na segunda-feira e espero que, nos entretantos, no sono descansado se tenham resolvido de uma vez por todas e só apareçam para me dizer: " Olá, já não somos os problemas. somos as soluções!"

Dispo as tensões. Como cobra que muda de pele e renasce.
Largo o relógio logo ao entrar em casa.
Sorrio para o Sol que a habita e sento-me num banco de jardim debaixo de um majestoso cedro que nasceu no meio da sala...

Aspiro o perfume das flores e deixo qua as brisas me despenteiem...
Sorrio feliz e descuidada, alimento-me do ar, do sol e da ternura.

Assim me renovo para as novas batalhas do cansativo quotidiano que se repete inexorável, por onde se arrastam seres unifomes, amorfos, invertebrados e cinzentos, que mostram os dentes num esgar, pensando sorrir e assim enganar alguém que num equívoco os tome por humanos.

Abro as portas e as janelas, deixo entrar as marinhas brisas, as névoas e a luz solar bem como todos os amigos para os quais tenho lugar cativo no coração.

E então é sempre dia e também é sempre noite!
A chuva cai sobre as plantas ao nosso redor, mas evita-nos protegendo-nos.
Um imenso arco-íris cobre toda a sala lá no alto, circundando-a em chispas de luz colorida que nos alumiam.
Os pássaros volteiam delizando por ele como crianças num escorrega.
Cantam melodias de Beethoven e de Grieg e enchem o espaço de melodiosos trinados.
Não temos sono nem fome, pois assim nos alimentamos neste espaço de paz e luz onde a fraternidade e o sonho florescem.

27 outubro 2005

Os seres estranhos que nos habitam



Há seres estranhos que nos habitam.
Moram em nós que os ignoramos. Não deliberadamente, porque nem tomamos consciência da sua presença. Ignoramos-lhes a existência na nossa comum pressa de viver, na avidez de dominar a vida, o mundo, o tempo e, infelizmente, muitos de nós, os outros.

Mas esses estranhos seres que nos habitam encontram forma de comunicação e fazem-no bem na nossa frente, na nossa cara, com um descaramento inimaginável.
E, apesar de nos habitarem, nem sempre nos são leais. Atraiçoam-nos muitas vezes.

Habitam em todos os seres humanos. Possuem-nos. É uma invasão universal.
Talvez os primeiros alienígenas que em nós se instalaram.
Não é parasitismo. É uma simbiose. De tão perfeita esquecemo-la.

Estão bem dentro e diante de nós. Em perfeita simbiose com tudo o que vivemos, somos, sentimos e pensamos.
E, falam, falam...tantas vezes dizendo aos outros o que até de nós queremos esconder.


Abençoados sejam estes estranhos seres que nos habitam e que tantas vezes, de nós falam e dizem, aos outros, o melhor e o pior.

São estranhos seres que nos habitam.



As almas e os seus órgãos de comunicação exterior: os olhos.




26 outubro 2005

Era uma vez....

... um mundo onde havia um muro que dividia uma cidade.

Todos os habitantes desse mundo (menos uns quantos) se sentiam envergonhados e o muro começou a ser chamado "O muro da vergonha" e assim ficou na história.

Um belo ano o muro foi deitado abaixo.
Os cidadãos das duas metades da cidade dividida vieram para a rua ajudar a derrubá-lo e houve pessoas que viajaram de outros países para rejubilarem com tal e participarem activamente na demolição e poderem , um dia, emocionados, dizer aos filhos e aos netos: "eu estive lá".

Foi uma emoção que percorreu o planeta e os sorrisos rasgaram-se nos rostos.

Mas como não há um sem dois, eis que um país que se diz pacifista, não terrorista e democrático, paladino-afilhado dos campeões da democracia, da liberdade e da paz, ficou cheio de pena pela perda de um tal marco da qualidade moral e ética da humanidade e resolveu erguer outro.


Só que agora o silêncio é total, ninguém fala do "Muro da vergonha 2"!

O que nos vai valendo é a capacidade de ainda brincar que muitos dos cidadãos murados, isolados, espoliados, vão tendo.

Porque a liberdade vive enquanto houver um só homem que tenha esse sonho e seja livre no coração e no intelecto.

25 outubro 2005

Crónicas datadas -VIII

CRÓNICAS DATADAS -VIIINO CINTILAR DOS DIAS - 2001-08-01
_
“... os insensatos herdam a ignomínia.”
((Provérbios 3-4)

A partir de algumas notícias que me vão chegando. Do caricato ao doloroso...

1 _Um homem e o seu sonho:
Este homem sempre teve o sonho de voar. Alistou-se na Força Aérea dos E.U.A. mas por razões de visão foi reprovado. Tornou-se camionista mas o sonho não o deixava. Um dia pensou ter encontrado a solução. Para concretizar a sua ideia comprou 45 balões meteorológicos e várias botijas de hélio. Estes balões, quando cheios, têm 1,20 metros de diâmetro.
Chegado a casa iniciou os preparativos para o seu voo. Prendeu os balões à cadeira espreguiçadeira (de praia) e ancorou a cadeira no pára-choques do jipe. Encheu os balões com o hélio, embalou sandes e cervejas, carregou uma espingarda de pressão de ar, com o objectivo de a usar para rebentar os balões para a descida, sentou-se na cadeira, cortou as amarras e ....levantou voo.
Mal cortou as amarras saiu disparado e encontrou-se nos céus a uma altitude de 3.300 metros, o equivalente a 11.000 pés em vez dos 10 ou 20 metros que pretendia subir.
A esta altitude reflectiu que a pressão de ar não lhe tinha utilidade pois corria o risco de se esborrachar na superfície terrestre.
Ficou por lá, pairando mais de 14 horas, sem ter a mínima ideia de como descer.
Os ventos empurraram-no para o corredor de aproximação aérea do aeroporto de Los Angeles.
Um piloto, em aproximação, viu o homem e relatou o que vira. Ninguém na torre acreditou a não ser quando os radares começaram a indicar um objecto voador não identificado nas coordenadas fornecidas pelo piloto.
O salvamento foi muito complicado e, ao pisar terra, foi preso por violação do espaço aéreo restrito.

2 _Nós e a água:
A água, já designada como o “ouro azul”, poderá tornar-se na maior fonte de conflitos no sec. XXI.
Em 1990 a sua falta afectava 300 milhões de seres humanos. Segundo a ONU, em 2025 (já só faltam 24 anitos...) três mil milhões de pessoas estarão sem água.
O corpo humano tem, na sua composição, mais de 75% de água. Podemos sobreviver várias semanas sem comer mas sem beber morreremos ao fim de três dias.
O que gastamos?
Autoclismo (por descarga):10 a 15 litros; banho de imersão: 150 a 200 l; duche: 20 a 80 l
[1]; lavagem dos dentes: 2 a 18 l1; máquina de lavar roupa: 60 a 90 l; máquina de lavar louça: 18 a 30 l; torneira a pingar: 170 litros/ mês.
Um habitante das regiões semi-áridas de África necessita, por dia de 10 a 15 litros.
3 _ Bilhetes para concerto de Madonna em troca de sexo:
Um grupo de jornalistas da edição on-line da revista alemã «Thema 1» disponibilizou 16 entradas gratuitas para um concerto de Madonna, cuja lotação havia esgotado mal foi posta à venda, em troca de sexo com os seus repórteres.
Até à altura que verifiquei (15.06.2001) existiam 22 candidatos para trocarem uma noite de sexo com 4 jornalistas, (3 homens e uma mulher), por um bilhete para assistirem ao concerto
Palavras ou comentários para quê?


[1] Conforme deixamos a torneira SEMPRE aberta ou não.

P.S -Passem no BALÃOZINHO para uma saudável gargalhada.


23 outubro 2005

Nostalgia (3ª e útima parte)


Posted by Picasa O que nunca se perdeu foi essa memória e a gratidão por termos vivido um tal amor, pois sei que é raro.
Que poucas pessoas tiveram, viveram ou sequer reconheceram um tal amor que por elas tenha, eventualmente, passado....


Calou-se olhando-me. Tinha os olhos húmidos. Das brisas marinhas, digo eu.
Laconicamente respondi-lhe: “compreendo-te”, esboçando um esvoaçante gesto de ternura na sua face o qual, acidentalmente, espalhou a humidade que se lhe colara ao rosto.

Sorrimos. Demo-nos um breve, cúmplice e terno toque com as mãos, olhámos o céu e ambas dissemos: «É melhor ir! Vem aí chuva grossa!»
Voltamos a sorrir agora mais soltas do que segundos antes...Soltas pelo estribilho e sua simultaneidade.
Levantámo-nos, caminhámos juntas um troço do percurso de retorno, demos um apertado abraço e cada uma regressou a casa.
Ao caminhar, agora já só, ouvia ainda o murmúrio da voz dela, ao abraçar-me, dizendo-me ao ouvido. Sabes, optei por vir morar para o Porto por tu cá estares.

Quando nos despedimos podia ter-lhe dito – eu também sinto essa saudade de vez em quando, mas não o disse porque entre nós não era preciso verbalizar certas coisas, pensamentos ou emoções.


Conhecíamo-nos muito bem. A amizade e a cumplicidade estavam lá. Intactas. Fazendo parte de nós. Tornando-nos nas pessoas que éramos.

22 outubro 2005

Nostalgia (parte 2)


Sabes..., olhou-me mais insistentemente tocando-me as mãos..., dentro de mim, tomando forma e soltando-se. Um grito de alerta e desejo.
O desejo por uns olhos que ao olharem-me sorrissem sempre, incondicionalmente, só porque me viam e eram retribuídos com idêntico olhar. Expressando muita alegria e contentamento por existirmos e nos termos encontrado...


Um silêncio caiu entre nós. Pensei em falar, mas olhando Maria Clara, vendo uma dor funda espelhada no olhar, calei e limitei-me a deixar cair um lacónico: sim!
Foi uma pausa prolongada em que cada uma caiu nas suas recordações, atentas no entanto.

-
Mas houve um temporal, ciclone, tufão, tromba de água, espiral de loucura, que tudo arrasou.
O que era perfeito estilhaçou-se. Tentámos, penso que sim, olhou-me como quem busca anuimento, mas dele não necessitando, penso que cada um de nós tentou, a seu modo, apanhar os milhões de fragmentos e restaurar, recuperar, reconstruir...
Só que depois do temporal, vendaval, maremoto, tsunami, já não éramos os mesmos...

Com as mãos ansiosas, mas deserdadas de olhares de ternura, de afagos, tentámos a reconstrução. Tentámos e falhámos. Durante anos tentámos....até ao limite! Tu sabes!
Até ao ponto em que cada um de nós se tornou, interiormente, um vulcão, vivo, dorido, agitado, onde se moviam magmas sem escape, e cada vez mais nos apartavam e feriam mutuamente.
Inexoravelmente, já não dois seres amantes mas ilhas, vulcões doridos com as entranhas a arder, a alma eruptiva, magoada e distante, sempre mais e mais distantes do universo de perfeito equilíbrio que era o nosso, que construíramos e habitáramos.
Continuou,... um tempo de loucura e dor, lembras-te?
Agora foi-se. Tudo se foi menos a memória de um amor-mais-que-perfeito que um dia, como tudo o que é perfeito e o mundo não consente, se estilhaçou, murchou, morreu...

(continua)

Hoje

passa o aniversário de nascimento de meu pai que partiu há décadas.

Estejas onde estiveres, estarás sempre no meu coração.

Obrigada por tudo, pai.

POST SCRIPTUM - O Art Of Love chamou-me, e muito bem, a atenção para o facto de estar adiantada no tempo. De facto acelerei os dias, sem me aperceber. Postei a 21, pensando ser 22. Assim fica então, pois que no meu coração era já, 22 de Outubro.

20 outubro 2005

Nostalgia (parte I)


Hoje, ao passear na marginal, encontrei Maria Clara.
Não nos víamos há uns dez anos. Razões profissionais levaram cada uma de nós para seu lado.
Mantivemos contacto esporádico, mas regular, nas datas que nos eram significativas.
Agora ela estava de volta a Portugal. Reformara-se e decidira regressar.
Ainda me não telefonara pelo que foi acidentalmente que nos encontrámos. Ou talvez não...
Continuámos a caminhar juntas e depois de arrumadas as novidades ficámos em silêncio.
Assim caminhámos até que decidimos sentar numa esplanada e beber algo.

O dia escurecia. A manhã, que nascera luminosa, apresentava-se agora carregada com raras nuvens pesadas, grávidas da desejada chuva.

Depois de bebermos o café e enquanto acendia um cigarro, Maria Clara começou a falar num tom baixo, intimista.
- Sabes, disse-me ela, quando deambulo pela cidade vejo-os. Os pares de enamorados. Constato (nota que é uma observação empírica que vale o que vale) que são menos do que há uns anos atrás. Procuro razões e concluo que uma das mais importantes, senão a mais importante, será a liberdade sexual entre os jovens, consentida muitas vezes nas próprias casas, bem como a existência de múltiplos locais de recriação e convívio na noite permitindo dar vazão às pulsões da libido de uma forma inimaginável na nossa juventude...

Concordei, acrescentando não necessitarmos recuar tantos anos. Percebi que me ouvira mas o fio do raciocínio impunha-se-lhe:
-
Estarão mais realizados e as expressões exteriores e públicas de ternura, enamoramento e paixão, ficam assim mais diluídas porque expressas no resguardo dos seus próprios espaços?
Ou, haverá mais sexo e menos romantismo?
Francamente não sei e espero que a resposta esteja por aqui, na primeira hipótese! O facto é que quando vejo um par enamorado trocando olhares, partilhando falas e silêncios, nelas e neles se envolvendo, criando um espaço único, bolha de paz plena de amor, sorrio. De puro deleite.

Olhou-me com um sorriso aberto e cúmplice. Ambas sorrimos, e ela continuou:
-
Não me lembro de ficar nostálgica.
Mas fiquei-o hoje ao ler um pequeno texto sobre um casal que se olhava e tocava com subtis gestos eivados de ternura, com ternura tecidos.

Senti uma infinita saudade, espiritual e física. Chegou a doer!
De tal forma me doeu que em mim se instalou e ficou!


(continua)

19 outubro 2005

Espólio

ESPÓLIO

É nos bolsos que cabe o que nós somos.
Levamos tudo logo pela manhã,
são remorsos junto de laranjas,
são recados tristíssimos, romances.

Lâminas enferrujadas e romãs
longínquas romãs e efemérides,
garras rasgando os rins,
venenos subtis e laços desatados.

É nos bolsos que somos
lembranças, compromissos
e mãos que se arreceiam,
molhadas de experiência.

Maio sob papéis, manchas de tinta,
algum cotão e fósforos,
~um telegrama velho, uma moeda,
um pouco de alegria misturada a tabaco.

Navarro, António Rebordão (2005).LONGÍNQUAS ROMÃS e alguns animais humildes. ANTOLOGIA.Selecção e prefácio de Francisco Duarte Mangas. Porto: ASA (34)