O que nunca se perdeu foi essa memória e a gratidão por termos vivido um tal amor, pois sei que é raro.
Que poucas pessoas tiveram, viveram ou sequer reconheceram um tal amor que por elas tenha, eventualmente, passado....
Calou-se olhando-me. Tinha os olhos húmidos. Das brisas marinhas, digo eu.
Laconicamente respondi-lhe: “compreendo-te”, esboçando um esvoaçante gesto de ternura na sua face o qual, acidentalmente, espalhou a humidade que se lhe colara ao rosto.
Sorrimos. Demo-nos um breve, cúmplice e terno toque com as mãos, olhámos o céu e ambas dissemos: «É melhor ir! Vem aí chuva grossa!»
Voltamos a sorrir agora mais soltas do que segundos antes...Soltas pelo estribilho e sua simultaneidade.
Levantámo-nos, caminhámos juntas um troço do percurso de retorno, demos um apertado abraço e cada uma regressou a casa.
Ao caminhar, agora já só, ouvia ainda o murmúrio da voz dela, ao abraçar-me, dizendo-me ao ouvido. Sabes, optei por vir morar para o Porto por tu cá estares.
Quando nos despedimos podia ter-lhe dito – eu também sinto essa saudade de vez em quando, mas não o disse porque entre nós não era preciso verbalizar certas coisas, pensamentos ou emoções.
Conhecíamo-nos muito bem. A amizade e a cumplicidade estavam lá. Intactas. Fazendo parte de nós. Tornando-nos nas pessoas que éramos.


















