31 dezembro 2004

UMA ROSA BRANCA PELAS VÍTIMAS DO MAREMOTO

Acreditem que não consigo por imagens neste blog. Portanto deixo esta rosa:
@-',--,
com muita ternura e mágoa.

Acerca do maremoto: sabem o que mais me perturba?

É ver as imagens das pessoas, muitas crianças e seus familiares correndo à frente das águas.
Nas praias, olhando o mar, a onda que se aproxima, com a singela curiosidade de quem vê uma onda, mas só mais uma onda diferente.
É vê-los nas ruas, praças e jardins correndo desenfreadamente, uma corrida perdida à partida, contra uma imensa mole de água a deslocar-se a velocidades incríveis.
Nos media passam e repassam as imagens, chegam-me a casa via Internet. Nos noticiários “actualizam”, constante e sucessivamente, o número de vítimas, como se alguém tivesse feito uma aposta e a informação fosse vital para sabermos quem é o vencedor.
Os governos tiveram mais de duas horas para avisarem as pessoas das zonas costeiras a sair. Isto é: depois do terramoto, a previsão do maremoto deu-lhes mais de duas horas para evacuação. Não o fizeram: sabe-se lá porquê! Para não assustar os turistas? Melhor turista assustado do que morto. Por certo é mais prejudicial para a imagem turística desses países.
Por falta de meios logísticos? Por escassos que sejam a divulgação punha as pessoas em movimento. Olhariam pelas suas próprias vidas e as de seus familiares. Cada um daria velocidade aos pés, “corda aos sapatos”.
A atitude dos media, no meio desta imensa tragédia é, em minha opinião, abusiva na forma como tratam a notícia. Aqui, nesta matéria, impunha-se mais recato e menos sensacionalismo.
E com esta imensa tragédia que colheu tantas vidas vamos começar um novo ano. Que 2005 traga mais harmonia, mais respeito e um largo conjunto de valores que andam difusos, senão perdidos. Fazer que 2005 seja um melhor ano depende largamente de cada um de nós. Sejamos então mais solidários, mais interventivos e usemos mais e melhor o nosso direito à indignação perante as atitudes dos governantes: os nossos, domésticos, e os outros, da aldeia global em que vivemos.

Para cada um de vocês, em 2005, desejo PAZ e muita FORÇA interior.

30 dezembro 2004

Porque todos os dias são

bons dia para parar e pensar, deixo-vos com o excerto de um texto de Miguel Sousa Tavares:

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde
verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."



29 dezembro 2004

Variações

1ª variaçãoaproxima-se o final de mais um ano e confesso que, até hoje e desde miúda, ainda não consegui perceber o alarido, o investimento e a enorme festa que as pessoas fazem no final de cada ano.
Parece-me um investimento em energia, gastos e exuberância, despropositado. O que festejam afinal?
Para mim o ano começa e acaba na mesma data, a data em que nasci e em que, em cada ano, renasço – simbolicamente de forma muito intensa e forte - para este milagre que é a vida.
Faz-me mais sentido festejar todos os dias o milagre da vida, a festa que é o estar viva, ainda que por vezes seja uma festa com lágrimas, nem sempre de alegria.
No entanto desde já aqui vos deixo os meus votos de uma óptima passagem de ano e de um 2005 pleno de concretizações, saúde e tudo o que for preciso a cada um/uma.
Por favor digam-me vocês o que é tão extraordinário no final de cada ano para merecer tão grandes festejos?
2ª variação – Fiquei muito sensibilizada, emocionada e feliz (por aí), com o facto de a minha filhot’Ana ter colocado no seu blog (
http://facilitareiki.blogs.sapo.pt)
a foto dela e das manas (as minhas três crias queridas) e referido a magia que ao longo da infância lhes proporcionei nos Natais.
Justo é que diga que a verdadeira magia são as três, agora quatro (com a Inês) cada uma por si e todas juntas e a beleza e magia que continuamente me trazem, por serem as maravilhosas pessoas que são.

28 dezembro 2004

Aquela varina era gorda

Aquela varina era gorda
E pesada
Não tinha a leveza do mar
da madrugada

nem a frescura
do mar do meio-dia
ou a suavidade
do mar poente

mas tinha a magia
de quem traz
à cabeça
um mar ondulante.

TMara
(Do livro; AS TAREFAS TRANSPARENTES:41)

27 dezembro 2004

Memórias do baú

Sabiam que o Conde de Ferreira, falecido em Março de 1866, deixou em testamento a vontade e os meios para :«(...) construir e mobilar 120 cazas para escolas do ensino primário:»?

26 dezembro 2004

FLORIDOS CAMPOS

A todos os que, ao longo da vida, me têm ensinado a amar.
Com especial carinho para meus pais.
«Devo-lhes,
em horas de desalento, doces
sensações,
sentidas no sangue, alcançando-me
o coração,
e chegando até ao meu espírito
mais puro,
restabelecendo-me tranquilamente.»
(William Wordsworth)

24 dezembro 2004

HOJE VENHO SÓ...

...deixar o meu desejo de BOAS FESTAS, para todas/os e que a humanidade encontre (ia dizer: Re-encontre , mas parece-me que estamos ainda na fase do ENCONTRAR) o caminho.
FELIZ NATAL

23 dezembro 2004

Um conto de Natal

Há muitos anos, na véspera de Natal, o Pai Natal estava muito aflito porque ainda não tinha embrulhado as prendas todas, tinha uma rena coxa e outra constipada. Desesperado foi beber um copo. Chegou à adega e não havia nada.
Voltou à cozinha para comer alguma coisa e os ratos tinham comido tudo. Como se tudo isto não bastasse, a mulher avisou-o que a sogra ia passar o Natal lá a casa. O Pai Natal passou-se!

No meio do desespero, tocaram-lhe à porta. Com a pressa de a abrir, tropeça, bate com a cabeça numa esquina da mesa e começa a sangrar abundantemente. Já verde de raiva, abriu a porta e deu de caras com um anjinho dizendo com uma voz angelical::
* Olá Pai Natal! Boas Festas! Venho visitar-te nesta quadra tão feliz, cheia de paz e amor. Trago-te aqui esta árvore de natal.

Onde queres que a ponha?...
Foi a partir daí que todas as árvores de Natal passaram a ter um anjinho no topo ...

(Autor/a desconhecido/a)

22 dezembro 2004

UM DIA PERDI-ME NAS BRUMAS

Um dia perdi-me nas brumas.
Não sei muito bem como aconteceu. Vou contar-vos...
Caminhava ao acaso pelas ruas, num passeio daqueles que gosto. Sem horas, sem objectivo a não ser o de caminhar pela cidade levada pelas brisas, pelo vento passante.
Sempre senti e o disse: há em mim uma alma errante. Preciso destes passeios para a reequilibrar com a vida e todos os seus compromissos com horas marcadas e cada vez mais apertadas.
Mas regressemos ao assunto primeiramente aqui abordado.
A cidade aparentava uma serenidade que lhe advinha da temperatura, tépida e algo perfumada do Outono ( o que, convenhamos, no meio da cidade, com a poluição existente, é algo estranho e incomum). Mas era assim que a cidade estava naquela tarde.
As pessoas caminhavam mais lentamente do que o habitual como se a calma do dia as tivesse contagiado, ou como se quisessem aproveitar ao máximo aquele dia, aqueles momentos o que, parecendo diferente, vai provavelmente dar ao mesmo.
Por mim, que sou useira e vezeira nestes passeios vagabundos, sem norte, era a norma. Caminhava pois, sem pressa, sem destino, sem qualquer outro objectivo que não fosse o de calcorrear a cidade, de a absorver, na pele e na alma, de me fundir com ela.
O "para onde" largado como pele velha, sem mais uso, ao iniciar o passeio.
Nem tinha a noção de há quanto tempo caminhava. Só o vento doce me guiava e eu ia para onde me levava. À medida que andava ia descobrindo ruas, recantos e praças por onde nunca tinha passado. O SOL, ausente do dia, dava-lhe, ainda assim uma intensa luminosidade que o embelezava de uma forma indescritível e irreal.
(Continua....)

UM OLÁ E... ATÉ JÁ TAMBÉM!

As chegadas dos que amamos são coisa óptimas, mas implicam mudança nas nossa rotinas. Daí esta ausência de ontem. Mas é uma ausência boa. Acompanhada, mimada e cheia de velhas e novas coisas decorrentes dos afectos.
Voltarei com mais tempo.
Para já desejo que os vossos dias estejam tão bem preenchidos de contentamento e alegria quanto os meus.

20 dezembro 2004

UMA CRIANÇA CORRIA, NA BERMA DA ESTRADA

Uma criança corria, na berma da estrada.

Corria tão dentro da própria alegria
que parecia alada.

Corria solta.
Mensageira das boas novas.

Alheada, da seca e queimada paisagem,
corria.
O alcatrão quente não a queimava
pois corria
como quem pisa a matéria
de que são feitos os sonhos...

corria tão dentro da própria alegria,
num estado de pureza total,
que o seu rosto lembrava uma estrela
refulgindo de êxtase e puro contentamento.

Uma tarde, numa berma de estrada,
uma criança corria e
à sua passagem abria uma clareira
de paz e quietude que a todos atingia.


(Do livro: AS TAREFAS TRANSPARENTES: 39:40)

19 dezembro 2004

ESTOU MUITO FELIZ ;))

Amanhã, segunda-feira, dia 20 de Dezembro, chega a minha filhot'Ana (e o Pedro, claro), para passarmos o NATAL. Desta vez vem mais uns diazitos. Os f.s são tão curtos e...tão raros...E vamos estar todas juntas, Inês incluída.Gosto tanto de as ter por perto, mesmo que só uma vez por outra....Bom domingo para vocês

17 dezembro 2004

POEMA SOBRE O NATAL

Como estamos em época de Natal deixo-vos com os melhores votos, para o resto das nossas vidas, e com o meu olhar sobre o que o NATAL significa(ria) enquanto prática diária.

Natal
É ser
É nascer
É dar-se.
Dar-se é ir de porta em porta
com uma mensagem
de flores no sorrir
e estrelas nos olhos.
Uma ponte de palavras
formada
entre ti e os outros,
construída, encontrada
entre a vida, o amor e a morte.
Natal
é seres, em cada dia,
não de ti, mas de todos.
Universo novo não planeado,
não programado,
mas vivido e amado,
num desejo constante
de ternura-dádiva,
de fraternidade.
Natal
é ser criança cada dia
em cada ventre de mulher.
Todas as mulheres TUA MÃE.


TMara

MEMÓRIAS NO BAÚ

Sem periodicidade, sem compromisso, mas com vontade iremos, vez por outra, inserindo memórias de eventos de um passado recente _ sem naftalina, ranço ou similares odores.
Começo hoje com esta:
«Agustina Bessa-Luís e Isabel Magalhães são admitidas como sócias efectivas da Academia de Ciências de Lisboa. Na história desta secular instituição nunca tinham sido admitidas mulheres como sócias efectivas».(26 de Novembro de 1989)